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Mogianos com vacina cruzada têm 2ª dose invalidada

As três pessoas de Mogi das Cruzes que receberam, por equívoco, doses diferentes de vacinas contra a Covid-19 devem ter a segunda aplicação considerada inválida, com complemento da imunização na data que seria correta para o procedimento. Dois casos aconteceram em março e um em abril. Em Poá, também há uma ocorrência do tipo. Desta […]

Por O Diário
08/05/2021 17h40, Atualizado há 63 meses

As três pessoas de Mogi das Cruzes que receberam, por equívoco, doses diferentes de vacinas contra a Covid-19 devem ter a segunda aplicação considerada inválida, com complemento da imunização na data que seria correta para o procedimento. Dois casos aconteceram em março e um em abril. Em Poá, também há uma ocorrência do tipo.

Desta forma, segundo a Secretaria de Saúde de Mogi, os três pacientes da cidade imunizados em primeira dose com a vacina da AstraZeneca/Oxford e que, erroneamente, receberam o imunizante Coronavac/Butantan na segunda dose são acompanhados nas unidades básicas de saúde próximas de suas casas, com supervisão da Vigilância Epidemiológica. 

“O episódio não aumenta os riscos de eventos adversos e os pacientes seguem monitorados, sem qualquer alteração registrada até o momento. A segunda dose foi considerada inválida e os pacientes receberão a segunda dose da AstraZeneca na data correta, complementando a imunização, conforme orientação técnica dos órgãos estadual e federal”, trouxe a nota enviada pela pasta a O Diário.

Questionada pelo jornal, a secretaria não informou os locais onde estas pessoas foram imunizadas de forma equivocada durante a campanha de vacinação contra a Covid.

Segundo o biomédico Gustavo Pacca, que atua como consultor na área de sistema de qualidade para a área da Saúde, a vacinação cruzada é algo que não deveria ocorrer, mas o procedimento adotado pela secretaria, ao fazer o acompanhamento dos casos e desconsiderar a vacina aplicada equivocadamente, partindo para a segunda dose da AstraZeneca, na data que já estava prevista, é a postura correta nestes casos, que ainda são recentes.

“Não existe estudo no mundo sobre a interferência cruzada de vacinas, porque estes incidentes estão ocorrendo agora. Teoricamente, não há problema, mas como a vacina da AstraZeneca tem formaçao diferente da Coronavac, o monitoramento tem que ser mais frequente para medir a formação dos anticorpos que a vacina vai formando, e espera-se que o organismo responda, inicialmente, com a produção de linfócitos B, que atuam no primeiro approach com a partícula do vírus, e depois apresente linfótitos T, que vão atacar, no futuro, o vírus quando ele entrar no organismo do indivíduo, fazendo o mesmo com a partícula do vírus da vacina”, explica.

O profissional também alerta que é preciso ficar atento com as possíves reações adversas, que raramente poderiam acontecer, como alergias, ao processo da vacina. “Dificilmente um AVC (Acidente Vascular Cerebral), por exemplo, seria detectado, porque os casos que aconteceram são poucos para poder formular base de que tal vacina causa a possibilidade de embolia e formação de trombos na circulação. Claro que não deveria ter acontecido este equívoco, mas ainda não existe estudo que mostre a interferência cruzada de vacinas”, acrescenta.

Ainda de acordo com Pacca, como não se sabe quanto tempo dura a imunidade da vacina, é possível que, no ano que vem, todos tenham que receber dose de reforço e não há necessidade de ser a mesma vacina aplicada agora. “Os estudos podem mostrar, talvez em setembro ou outubro, quando se terá de 10 a 11 meses de vacinação, que ela perde a efetividade ao longo do tempo, então, a dose de reforço, no ano que vem, pode ser que ocorra com outra vacina”, diz.

Poá
O outro caso de vacina cruzada ocorreu em Poá, onde uma pessoa recebeu no dia 16 de março, no Reino da Garotada, a 1ª dose da AstraZeneca e acabou indo ao posto de vacinação em data anterior à agendada para a 2ª dose. A Secretaria de Saúde de Poá explicou que o paciente foi orientado conforme instrução técnica do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo) que a dose de Coronavac aplicada erroneamente foi considerada nula e teve que retornar na data agendada para a 2ª dose da AstraZeneca.

 

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