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Mulher trans, mogiana Brenda relata desrespeito com o nome social

O desrespeito ao nome social da mogiana Brenda Pereira da Costa, relatado em reportagem recente de O Diário, não é um caso isolado. Em entrevista a este jornal, ela relata outras situações que demonstram o desafio diário de ser uma mulher trans na cidade. Brenda, que atualmente não trabalha, decidiu estudar enfermagem para aumentar as […]

Por O Diário
28/02/2022 17h29, Atualizado há 54 meses

O desrespeito ao nome social da mogiana Brenda Pereira da Costa, relatado em reportagem recente de O Diário, não é um caso isolado. Em entrevista a este jornal, ela relata outras situações que demonstram o desafio diário de ser uma mulher trans na cidade.

Brenda, que atualmente não trabalha, decidiu estudar enfermagem para aumentar as chances de empregabilidade. O interesse pela área surgiu há anos, quando ela precisou cuidar do pai, que passou longo período acamado.

Quando da ocasião da matrícula, Brenda lembra que teve dificuldades. De acordo com ela, “não tinha aba de nome social”, e por isso foi necessário assinar com o nome de batismo. Mais tarde, continua, ela apresentou o RG em que consta o nome de Brenda Pereira da Costa.

Mesmo sem o documento a escola teria garantido que ela seria chamada pelo nome social, que constava, na lista de chamada, ao lado do registro de batismo, entre parênteses. Mas, a cada “professor que chegava na sala de aula, eu era chamada pelo nome de batismo perante todo mundo”, reclama Brenda, que também diz que os alunos constantemente usam pronomes masculinos para se referir a ela, como “amigo, colega, amigão”.

Ela ia  corrigindo, corrigindo. Mas, em um dia, ela deixou a sala de aula e foi até a diretoria, onde gravou a conversa com o responsável pela instituição, como este jornal já mostrou.

Ela afirma que é ligada apenas aos movimentos Periféricos LGBTQIAP+ e Núcleo Trans Mogiano, dos quais é dirigente. Deixa claro não ter nenhum envolvimento com o Fórum Mogiano LGBT, que “não a representa”.

Brenda diz que as entidades das quais faz parte têm tentado conversar com a escola, mas sem sucesso. Ela integra os grupos há dois anos, e só tem a agradecer. “Fui super bem acolhida por eles, que me dão dinheiro para condução, porque eu não trabalho. Se para uma pessoa cisgênero já é complicado (conseguir emprego), imagina para uma pessoa trans”, comenta.

LEIA TAMBÉM: Preconceito mata mulheres trans e as deixam sem oportunidades

Aliás, ela faz questão de agradecer a dois nomes importantes dos movimentos que participa: Fernando Valeriano e Luiz Pinto. Segundo Brenda, estas pessoas a ajudaram não apenas a registrar o boletim de ocorrência no 1º DP de Mogi – onde diz também ter sido chamada por pronomes masculinos -, como também a apoiam há anos no processo de transição, iniciada com acompanhamento médico em 2020.

“Faço acompanhamento no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Guarulhos. Essa é minha luta, minha militância em Mogi: para que tenhamos acompanhamento voltado às pessoas trans, o que hoje não existe. Estava tentando conseguir que nossos exames, aqueles que o CTA de Guarulhos pede, fossem feitos aqui. Assim levaríamos só os resultados para as consultas. Mas nem isso conseguimos”, relata ela.

As dificuldades continuam: “tenho que sair daqui de manhã para chegar lá às 6 horas. Vou em jejum e saio de lá muito tarde. É uma viagem daqui até Guarulhos”, reclama ela, que antes de conhecer os grupos Periféricos LGBTQIAP+ e Núcleo Trans Mogiano, se automedicava.

“Comecei meu processo de transição há muito tempo, mas por conta própria. Não sabia os lugares que tinha gratuitamente. A consulta com endocrinologista é muito cara, e o profissional tem que ser especializado. Eu fazia uso de anticoncepcionais por conta própria, colocando minha vida em risco, quando conheci o Fernando e o professor Luiz, que tenho como pai”.

Brenda finaliza dizendo ter “muito medo”. Por isso, luta para que não apenas o desrespeito ao nome social não continue, como não evolua para outros tipos de agressões a ela ou à outras pessoas trans que vivem em Mogi das Cruzes.

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