Música sobre imigração comemora o orgulho de ser mogiano
Três anos depois, o Bunkyo (Associação Cultural de Mogi das Cruzes) lança em agosto um videoclipe com música inédita sobre a imigração japonesa na cidade de autoria do cantor Joe Hirata. O projeto Orgulho de Ser Mogiano tem apoio da LIC (Lei de Incentivo à Cultura) e foi postergado durante a pandemia. Na verdade, a […]
17/07/2022 09h30, Atualizado há 49 meses
Três anos depois, o Bunkyo (Associação Cultural de Mogi das Cruzes) lança em agosto um videoclipe com música inédita sobre a imigração japonesa na cidade de autoria do cantor Joe Hirata. O projeto Orgulho de Ser Mogiano tem apoio da LIC (Lei de Incentivo à Cultura) e foi postergado durante a pandemia. Na verdade, a homenagem estava prevista para celebrar os 110 anos da chegada das primeiras famílias ao Brasil e os 100 anos da imigração no município. As dificuldades para reunir os artistas, figurantes e técnicos atrasaram, mas não impediram a realização do filme que será disponibilizado nas redes sociais.
O lançamento da obra, que teve locações em pontos marcantes, como o Casarão do Chá, o Parque Centenário e a sede do Bunkyo, vai coincidir com a apresentação do Akimatsuri 2023, o Festival de Outono.
Frank Tuda, presidente do Bunkyo, lembra que não apenas a pandemia, mas também necessidade de se casar agendas e situações como o tempo de sol e luminosidade para as gravações, acabou adiando o projeto, orçado em R$ 200 mil. “Uma hora era a pandemia, outra, a falta do sol, mas, agora, o clipe está sendo finalizado”, contou, afirmando que a obra procurou não personalizar a história da imigração japonesa, mas abarcar as principais fontes da integração entre as culturas japonesa e brasileira, ao longo do último século.
“Mostramos um pouco dos símbolos, como a agricultura, a cultura, o sonho e o trabalho nos sítios, mas também a transformação entre as gerações, que saíram da zona rural para estudar, e se projetaram como profissionais de todas as áreas, como a medicina, o comércio, e outros”, diz.
Das primeiras famílias de imigrantes surgiu uma sólida camada social identificada por números como os 8% da população de origem japonesa em Mogi das Cruzes, ou seja, cerca de 40 mil descendentes, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010.
Além da projeção na economia nos setores da indústria, comércio e prestação de serviços, a agricultura segue enlaçando caprichosamente o presente e o passado. Mesmo com a saída do campo a partir da segunda geração e a redução de famílias nipo-brasileira trabalhando na produção de hortaliças e verduras, ainda é grande a participação de filhos e netos dos primeiros imigrantes no setor agrícola, chamado de Cinturão Verde, e responsável por um percentual potente: 10% do PIB (Produto Interno Bruto) de Mogi.
Os organizadores esperam que o filme atinja o objetivo de destacar a presença da comunidade nipo-brasileira na história e na composição social de Mogi.
Visibilidade
O clipe e outras ações recentes, aliás, sempre buscaram demonstrar a presença das entidades que representam essa comunidade. Na Praça do Imigrante Japonês, por exemplo, um projeto que está sendo desenvolvido por meio da instalação de internet gratuita, vigilância, limpeza e cuidados com o jardim, tem esse sentido: o de valorizar a história dos precursores dessa parcela da população mogiana.
Frank Tuda afirma que o descuido com o lugar, vandalismo e a presença de pessoas em situação de rua passaram marcar o cotidiano desse monumento. “Vimos que ninguém mais estava nem parando por ali, por causa desses problemas, e resolvemos, com a ajuda de três empresas (AJ Solar, Grupo RM/Remote Inovvation e Conectmax), revitalizar e cuidar dali”.
Câmeras de monitoramento foram instaladas e o acesso gratuito à internet ofertado. Uma parceria com a Secretaria de Assistência Social passou a ser feita para o atendimento às pessoas em situação de rua que começaram a fazer morada no lugar, que ainda ganhou nova iluminação.
Com essas ações, Tudaconta que o logradouro voltou a receber visitantes, o que não estava mais sendo possível, no passado recente.
Eventos preservam cultura
O Bunkyo, espécie de “mãe” das associações rurais da cidade, acompanha há tempos a migração de famílias mais antigas para outros bairros e tem atuado para manter a unidade dessas entidades e renovar seus quadros e lideranças.
O desaparelhamento dessas entidades não é novo. Reflete a mudança de núcleos familiares da zona rural, após o casamento dos filhos e netos que se mudaram para outras regiões e optaram por não seguir o caminho profissional dos patriarcas, a agricultura.
Frank Tuda, à frente do Bunkyo, afirma que algumas associações de bairros com mais força na agricultura, como Cocuera e Itapeti, tendem a se manter, no futuro. Esse processo impõe a essa associação o papel de aglutinar a comunidade e manter projetos que visam preservar a cultura japonesa na cidade.
Além de encontros mensais e outras atividades sociais, o Akimatsuri segue como uma das agendas mais fortes tendo, nesse ano, após dois anos sem realização por conta da pandemia, superado as expectivas: inicialmente, os organizadores previam receber 90 mil durante o festival, um número que atingiu 120 mil, após a parceria com o grupo Shibata que deverá ser repetida em 2023 e atraiu visitantes – que recebiam os ingressos, após compras nos supermercados da rede – de cidades do Alto Tietê e outras regiões, como Vale do Paraíba e Litoral.
Joe Hirata canta música sobre Mogi
Conhecido artista e cantor da música japonesa, Joe Hirata é o autor da canção e participou a produção do vídeo-homenagem sobre a imigração japonesa no Brasil e em Mogi das Cruzes, que será lançado em agosto. Neto de moradores de Biritiba Mirim, Shizue e Kizo Hirata, na adolescência ele participou de diversos concursos de música em festivais promovidos pelo Bunkyo de Mogi das Cruzes. Nome de sucesso construído ao longo da carreira, ele é atração frequente do Akimatsuri.
Desde 2018, quando surgiu a ideia de se lançar algo para marcar os 103 anos da Imigração Japonesa em Mogi das Cruzes, Joe Hirata faz parte deste “incrível projeto”, como define a obra com ares de superprodução – desde a composição da música até a gravação do clipe, mais de 140 pessoas entre artistas, figurantes e profissionais da área de audiovisual foram mobilizadas.
“É um orgulho poder fazer parte desse clipe que conta a história de Mogi e foi gravado, no ritmo sertanejo, que tem tudo a ver com cultura da cidade e brasileira”, comenta.
Para ele, essa produção vai despertar, nas pessoas, “o orgulho de ser mogiano”. Fatias da cultura japonesa foram coladas nas imagens captadas em plantações de hortaliças, no Parque Centenário, Casarão do Chá, e na sede do Bunkyo, na Porteira Preta, onde grupos de bon odori, a dança folclórica japonesa, que celebra antigas tradições e reverencia os antepassados, se apresentaram para a produção. Não à toa, ele foi convidado por Frank Tuda, do Bunkyo, para fazer parte dessa homenagem: em 2018, ele lançou a música “Arigatô Brasil”, nos 110 anos da Imigração Japonesa no Brasil – o clipe tem mais de um milhão de visualizações.