Natal presencial retorna às tradições em Mogi das Cruzes
Após um ano crítico enfrentando a pandemia do novo coronavírus, quando muitas das tradições festivas precisaram ser adaptadas ao modelo virtual, esse ano, graças às vacinas que estão possibilitando a retomada gradativa das atividades presenciais, os célebres encontros com os papais noéis são resgatados, assim como a esperança em tempos melhores. A expectativa é ainda […]
18/12/2021 17h34, Atualizado há 56 meses
Após um ano crítico enfrentando a pandemia do novo coronavírus, quando muitas das tradições festivas precisaram ser adaptadas ao modelo virtual, esse ano, graças às vacinas que estão possibilitando a retomada gradativa das atividades presenciais, os célebres encontros com os papais noéis são resgatados, assim como a esperança em tempos melhores. A expectativa é ainda maior para os ‘bons velhinhos’ que estreiam neste contexto tão único.
Para Claudio de Almeida Godoy, 63 anos, psicólogo aposentado e Papai Noel estreante na Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC), falar sobre o Natal chega a trazer lágrimas de emoção, simbolizando o real sentimento em incorporar o bom velhinho neste ano, vontade que sempre esteve no “inconsciente” de quem o via por causa da semelhança na aparência e o espírito natalino.
“Eu me emociono por lembrar que ainda estamos em momentos difíceis, mas poder retomar esse contato presencial já demonstra como estamos aos poucos vencendo essas dificuldades. Poder levar alegria a uma criança e consequentemente aos pais é gratificante”, expõe Godoy.
Ele acrescenta que exercer a profissão não significa apenas vestir uma roupa e atuar, mas sim ter o espírito natalino. “É o sentimento que motiva, além de gostar muito de crianças”, ensina.
Mesmo começando a atuação em um cenário de pandemia, que continua a se estender, Claudio destaca a relevância em se tornar um exemplo por onde passa.
“É importante seguir os protocolos, principalmente para incentivar na criança o senso de responsabilidade e compreensão da nossa realidade”, alerta.
O recém atuante Papai Noel, sabendo que o futuro está nas mãos das crianças, atribui à sua função tarefas que vão além de ouvir os pedidos de Natal.
“Meu papel está em também deixar uma mensagem e um conselho importante para guardarem”, explica Godoy, concluindo que todo o processo de interação com as crianças – ato que começa pelos próprios pais que são os responsáveis em levar os filhos ao encontro com o bom velhinho -, é uma ação que atinge especialmente os responsáveis.
“Temos que incentivar as tradições de Natal e a manter essa essência. Isso alimenta a alegria e esperança para os novos começos no ano que iniciará”, considera.
História
O personagem Papai Noel, que teve origem em São Nicolau, um bispo católico do século IV que viveu na cidade de Mira, onde atualmente é a Turquia, é lembrado como um homem bondoso que presenteava as crianças no dia de seu aniversário, 6 de dezembro. Com o passar dos anos, a figura característica do Natal vou se espalhando pelo mundo.
Atividade inicialmente mais presente em eventos beneficentes, como as ações em creches, asilos, entidades assistenciais, igrejas, entre outros locais, a visita do Papai Noel vem se profissionalizando nos últimos anos e o bom velhinho passou a trabalhar remunerado em centros de compras, condomínios e associações comerciais.
2020, o ano atípico
Com a chegada da pandemia, em 2020, a maioria dos costumes presenciais precisou ser reformulada, desde o ensino nas escolas, até shows, espetáculos teatrais e, inclusive, atendimentos. Sem as vacinas, o mais recomendado era manter o distanciamento e usufruir dos contatos virtuais para que fosse garantida a prevenção do contágio do novo coronavírus. Assim como os Janzantti, pai e filho que juntos encontraram uma saída criativa para manter a atuação do Papai Noel, alguns outros lugares também remodelaram o esperado momento do reencontro das crianças com o bom velhinho.
Como grande parte da população que precisou realizar suas funções remotamente, o Papai Noel do Mogi Shopping, em 2020, não ficou de fora desse “novo normal”. Atendendo as crianças “diretamente do Polo Norte”, o vídeo-encontro foi a solução para unir os baixinhos e o bom velhinho no clássico final de ano do centro de compras. Telões foram instalados incorporados à decoração, na praça central, e com auxílio de microfones, as crianças puderam compartilhar os pedidos com ele.
Fora as adaptações do espaço e interação no ano marcado pela pandemia, em parceria com a TV Diário, os clientes do Mogi Shopping também tiveram a oportunidade de doar brinquedos às crianças da cidade, recebendo um vídeo especial de agradecimento gravado pelo Papai Noel pela contribuição que ajudou a fazer o Natal de alguém mais feliz.
Retornando agora ao presencial e podendo atender de perto os pedidos das crianças, o Papai Noel do empreendimento, que está presente no Natal dos mogianos há pelo menos 12 anos, se diz motivado em poder ser canal de esperança e alegria aos pequenos.
“Desejo que todos acreditem que virão dias melhores”, almeja o Papai Noel do Mogi Shopping.
Perda irreparável
No dia 16 de setembro deste ano, a cidade sentiu a perda de mais um mogiano com muita história. Gustavo Schmidt, que morreu aos 75 anos, vítima da Covid-19, foi um do mais reconhecidos papais noéis da região, tendo trabalhado por último na Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC). Em nota, a diretoria lamentou a morte do ex-professor universitário: “O mogiano foi por anos o Papai Noel da ACMC e encantou gerações na cidade com seu carisma”.
Filho de pais nordestinos, Schmidt nasceu em um sítio da família, no bairro do Caputera em Mogi das Cruzes. Atuou como professor universitário na área de Exatas até que, já aposentado, passou a atuar como Papai Noel, incorporando o personagem pela primeira vez para uma campanha publicitária em 2005. A partir de 2011, passou oficialmente a ser o bom velhinho da ACMC e assim marcar as vidas dos mogianos durante o Natal.
A importância das tradições
Para a psicopedagoga Ana Pontes, 46 anos, incentivar as práticas tradicionais nesta época do ano torna-se essencial para o desenvolvimento que acontece na primeira infância da criança. É por meio desse processo imaginário das fantasias e do “faz-de-conta” que ela começa a compreender o mundo que a cerca. “A capacidade de simbolizar e imaginar vira instrumento primordial para o aperfeiçoamento do pensamento e da linguagem, porque é dessa forma que a criança vai tendo a bagagem para se tornar um adulto capaz de produzir ideias”, explica a profissional.
Segundo ela, as tradições apesar de seguidas e adaptadas há séculos, são importantes de serem mantidas para a criação de memórias afetivas. “São memórias inesquecíveis que constitui uma infância feliz. É a partir das repetições desses ritos que elas desenvolvem um sentimento de pertencimento à uma cultura e uma família, além de que esses ritos estimulam a celebração da vida e o sentimento de gratidão”, esclarece Ana, destacando que o Natal é um momento repleto de significados, principalmente a visita ao Papai Noel. “São ocasiões que geram significados afetivos”, reforça.