Diário Logo

Encontre o que você procura!

Digite o que procura e explore entre todas nossas notícias.

Negacionismo e falhas de comunicação prejudicam Mogi, diz Teo Cusatis

Muitas pessoas se exercitando ao ar livre, aglomerações e rostos sem máscara. Foi o que a reportagem de O Diário viu quando esteve na Praça Assumpção Ramirez Eroles, próxima ao Habib’s, no Nova Mogilar, para registrar o estado de conservação dos monumentos públicos de Mogi das Cruzes, cidade que apresenta índice de letalidade por Covid-19 […]

Por O Diário
25/01/2021 18h20, Atualizado há 65 meses

Muitas pessoas se exercitando ao ar livre, aglomerações e rostos sem máscara. Foi o que a reportagem de O Diário viu quando esteve na Praça Assumpção Ramirez Eroles, próxima ao Habib’s, no Nova Mogilar, para registrar o estado de conservação dos monumentos públicos de Mogi das Cruzes, cidade que apresenta índice de letalidade por Covid-19 superior a taxa nacional.

“Negacionismo” é a palavra chave para entender o que acontece, segundo o mogiano Marcello Delascio Cusatis, mais conhecido como Teo, que é biomédico, ex-secretário municipal de saúde e atual diretor do Hospital Santa Maria, de Suzano, que começou a vacinar profissionais de saúde nesta segunda, dia 25.

Teo diz que “a dicotomia entre governo federal e governos estaduais” é um dos fatores para que cada vez mais situações como estas sejam registradas em diversos pontos da cidade, como os calçadões da área central.

“O Governo Federal não tem um comitê para cuidar da pandemia. Cadê o núcleo duro do presidente (Jair Bolsonaro) para direcionar ações do Ministério da Saúde?”, questiona ele. “Em São Paulo, onde está mais aflorada a discussão da condução da pandemia”, é tudo ainda mais crítico, já que muitas pessoas “estão pagando para ver”.

No lugar de máscaras, álcool gel e isolamento social, impera o “negacionismo”, aponta o biomédico. “As informações, independentemente de como vêm, chegam em todos os cantos do mundo”, defende.

O que acontece em pontos como a praça do Habib’s então? “O público, como os jovens, pode ser que não acredite que a falta de cuidado vai causar danos ou não acredite que pode se tornar vetor da doença”.

Teo é pontual e afirma que “ninguém mais respeita” as regras impostas pelo Plano SP de Retomada Econômica, que fez começar a valer nesta segunda, dia 25, a fase vermelha entre as 20 horas e as 6 horas no meio de semana, e também aos finais de semana, durante todo o dia.

Entre as falhas apontadas pelo ex-secretário de Saúde de Mogi está a deficiência de fiscalização. Segundo ele, um restaurante local foi autuado por vender bebidas alcóolicas na cidade, quando isso não aconteceu. “Seja a fase vermelha ou laranja, não há cuidado com orientação. O caminho é penalizar quem emprega, e a comunicação para que a sociedade evite mais transmissões acabam não sendo feita”.

 

Alta letalidade

Embora faça críticas que digam respeito não apenas à Mogi, Teo traz um dado preocupante e diretamente ligado a cidade. Conforme mostram os números da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), a letalidade por Covid-19 em solo mogiano é de 4,6%, quase o dobro do índice a nível nacional (2,5%). Ou seja, a cada 100 pessoas acometidas pela doença, quase cinco morrem.

“Os prefeitos ficam na mão do governador. Mogi, no que se refere a área de atendimento, é uma cidade um pouco mais abastada, com as Unicas, as UPAs e o Hospital Municipal de Braz Cubas. Mas o que vai acontecer daqui até o Carnaval? Como está o número de testagem local?”, questiona ele.

Além dessa análise, O Diário perguntou a Teo Cusatis o que é possível fazer para que o mogiano – e o brasileiro, de modo geral- volte a se proteger, assim como acontecia há quase um ano, quando do início da pandemia. A resposta, embora se desdobre em exemplos, consiste em três palavras, na opinião dele: investimentos em comunicação.

“O brasileiro é dureza. O povo só acredita vendo. Então acho que temos que fazer campanhas e pregar informação como consta atrás do maço de cigarro, mas mostrando pacientes entubados, explicando que a faixa etária caiu, e que os óbitos agora atingem pessoas de 50 anos para baixo, mostrando que a pessoa pode morrer ou perder os parentes”.

 

Vacina

“A gente não pode deixar de ressaltar que a vacina é um grande avanço”, pondera Teo, que reforça, porém, que ela não é um milagre. Além da necessidade de uma segunda dose, e do tempo que ela leva para fazer efeito – em alguns casos, até 30 dias-, há poucas unidades disponíveis.

Teo comemora o fato de que agora professores serão vacinados também. “Acho que voltar as aulas hoje seria um dos maiores erros que a prefeitura poderia cometer”. Além dos docentes, ele defende a divisão de doses “para pessoas mais pobres, que têm menos informação e não têm acesso a convênios”.

Para resumir, o ex-gestor municipal cita o título de um artigo publicado pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) no último dia 22: “Vacinação contra a COVID-19 representa esperança, mas país precisa de definições urgentes”.

Assim como o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, que já ministrou aulas na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Teo se mostra contrário a governantes ou secretários que tomem a vacina neste momento emergencial. “Uma autoridade precisa mostrar o respeito, e não deve tomar para que o médico da UTI tome. Este é o exemplo que faltou do presidente e de alguns governantes”.

Henrique Naufel, 62, atual secretário de Sáude de Mogi, tomou a vacina no último dia 20 de janeiro. Alvo de críticas, além de atender a pacientes em uma clínica particular, ele lida com a orientação técnica, coordenação e supervisão presencial no Hospital Municipal de Braz Cubas, onde funciona o Centro de Referência do Coronavírus na cidade.

Mais noticias

Durma bem: 7 chás relaxantes para melhorar a qualidade do sono

Câncer no amor: veja a compatibilidade com os 12 signos do zodíaco

Manutenção do Semae afeta abastecimento de água em bairros de Mogi das Cruzes

Veja Também