Nos tempos do cocho do Clube Náutico Mogiano
Nos finais de semana e feriados de verão, os mogianos tinham encontro marcado no antigo cocho do rio Tietê, que também ficou conhecido como a primeira piscina do Clube Náutico Mogiano, no bairro da Ponte Grande. A atração reunia diversas famílias da cidade, que ali se encontravam para distração e lazer na década de 50. […]
04/06/2021 17h00, Atualizado há 60 meses
Nos finais de semana e feriados de verão, os mogianos tinham encontro marcado no antigo cocho do rio Tietê, que também ficou conhecido como a primeira piscina do Clube Náutico Mogiano, no bairro da Ponte Grande. A atração reunia diversas famílias da cidade, que ali se encontravam para distração e lazer na década de 50.
Na época, além de se refrescar no amplo cercado de madeira, também era possível nadar nas águas limpas do Tietê e ainda pular do trampolim direto no rio.
A foto acima, que ilustra esta página, reproduzida do livro “Memória Fotográfica de Mogi das Cruzes”, do jornalista e historiador Isaac Grinberg, fazia parte de uma coleção de 30 cartões postais encomendados à firma Colombo, pelo Centro de Propaganda, para divulgação da cidade no ano de 1951.
O Tietê, na avaliação do cirurgião-dentista mogiano Miguel Nagib, 91 anos, poderia figurar entre um dos principais cartões postais da cidade, se tivesse sido preservado da poluição ou, a partir de agora, fosse recuperado.
“Guararema tem o rio Paraíba bem cuidado, com peixes, e como ponto turístico da cidade. Mas em Mogi, infelizmente, não fizeram o mesmo com o Tietê, que está totalmente poluído”, lamenta ele, que não apenas frequentou o cocho do rio, assim como tomou água direto do manancial.
Estas lembranças estão bem guardadas na memória do mogiano, que partilha detalhes da estrutura onde a maioria dos mogianos aprendeu a dar as primeiras braçadas.
“Nunca aprendi a nadar, mas o cocho era seguro, como uma piscina flutuante, apoiada em barris e que deveria ter um tipo de lona forte embaixo. Como o rio era limpo, havia uma forte correnteza e entrar na água do cocho dava mais segurança. Além disso, era comum ver as pessoas pescando os vários tipos de peixes que havia por lá. Hoje ninguém consegue nem tomar banho no rio, muito menos beber a água. Joga-se tudo lá dentro. Já vi fogão, sofá, restos de computadores… Isso é um crime’, critica Nagib.