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Nossos combatentes: veja as histórias de vacinadores de Mogi

As mudanças sociais ocasionadas pela pandemia da Covid-19 refletiram diretamente na vida da população mundial. Desde a necessidade de ficar em casa até a mudança em rituais, como os de comemorar aniversários, e também aqueles ligados à religião e cultura, como velórios e enterros. Além de vivenciar este cenário, os profissionais da saúde viveram por […]

Por O Diário
23/07/2021 12h28, Atualizado há 61 meses

As mudanças sociais ocasionadas pela pandemia da Covid-19 refletiram diretamente na vida da população mundial. Desde a necessidade de ficar em casa até a mudança em rituais, como os de comemorar aniversários, e também aqueles ligados à religião e cultura, como velórios e enterros. Além de vivenciar este cenário, os profissionais da saúde viveram por mais de um ano trabalhando em um esquema que, em muitos casos, lembrava uma guerra: muitos doentes, falta de insumos e a resiliência para manter o profissionalismo em meio a tudo isso. Mas desde o início do ano, parte desses profissionais experimenta diariamente um novo cenário da Covid-19: a vacinação. Nesta semana, O Diário conversou com dois enfermeiros para contar a história de quem aplica a dose de esperança de uma vida sem pandemia, no braço dos mogianos.

80 doses de esperança por dia

Há três semanas, a técnica de enfermagem Thais Natalia Sousa Gomes, de 34 anos, iniciou o trabalho como profissional da saúde no combate à pandemia. Ela não havia passado pela linha de frente durante esse último ano em que o Brasil vem sofrendo com a Covid-19. Mas chega em um dos momentos mais importantes para vencer o maior desafio da humanidade no último século: a aplicação da vacina contra a Covid-19 no drive-thru do Pró-Hiper, em Mogi das Cruzes. 

Em 2020, Thais trabalhou em uma clínica particular, mas não atendeu pacientes com a Covid-19. O desafio maior foi pessoal. Acompanhou por dois meses a sogra intubada com a doença e complicações no pulmão. Após a alta, vieram os desafios pós-Covid: as sequelas. 

“Eu perdi amigos com idade entre 25 e 30 anos. A cidade está avançando agora na faixa etária que seria a deles. Eu aplico em média 80 doses da vacina por dia. São doses de esperança de que ninguém mais vai morrer por esse vírus e também de volta à vida normal”. 

Em relação às críticas sobre a vacinação, Thais diz que antes mesmo da pandemia ela já ouvia críticas sobre o trabalho como enfermeira. Ora por quem quisesse palpitar no trabalho, ora pela falta de respeito de pacientes e familiares. Mas agora, na aplicação da vacina, ela diz que a realidade é diferente. Se sente acolhida e valorizada, pela equipe de trabalho mas, sobretudo, pelas pessoas que estão recebendo vacina.

“A pandemia fez com que as pessoas cheguem aqui cientes do que elas estão fazendo. Da importância de se vacinar. A vacinação é o start para que a gente saia dessa pandemia. Nós, profissionais da saúde, já estamos imunizados e mais fortes para continuar o nosso trabalho. Agora a gente acompanha a alegria de outras pessoas. Eles chegam aqui com cada sorriso que é muito motivador e não tem outro momento que eu poderia destacar que não a emoção deles”, disse. 

Do trabalho na UTI à aplicação da vacina

No final de 2019 o enfermeiro e estudante de farmácia André Beraldi de Azevedo, de 29 anos, viu pela primeira vez uma notícia sobre a circulação do novo coronavírus na China. Interessado pelo assunto, ele se manteve informado porque sabia que existia uma chance de a Covid-19 chegar ao Brasil e, consequentemente, impactar no seu ambiente de trabalho. E assim foi. Meses depois, o Hospital Santa Maria, em Suzano, já estava com uma ala reservada aos casos da doença e o enfermeiro era um dos profissionais atuando na linha de frente. 

“A gente esperava que fosse uma coisa rápida, não que durasse por mais de um ano. Perdemos muitas vidas. Eu tive familiares e amigos que ficaram muitos doentes. Foi triste demais saber que algumas pessoas morreram por falta de oxigênio e leitos em alguns hospitais. Mas, principalmente, por não terem conseguido esperar a chegada da vacina”, relembra. 

Os primeiros pacientes de André eram basicamente idosos e, ao avançar da pandemia, o perfil foi mudando e a doença acometendo os mais jovens. Mas em todos os casos, o enfermeiro diz que a tristeza era de ver que muitos deles não conseguiram esperar até a aplicação das vacinas. 

Além dos cuidados com os pacientes, André também trabalha na pandemia preocupado em não contrair o vírus, bem como de levá-lo a outras pessoas. “Eu mantive os cuidados dentro do hospital, me mantendo seguro, e também respeitei à risca o isolamento social nos demais momentos, com os familiares. Eu estava fazendo faculdade neste tempo, acabei estudando on-line e sigo até hoje com os cuidados necessários”, relembra.

Em fevereiro deste ano, o enfermeiro foi vacinado contra a Covid-19. No mesmo mês, ele também começou a trabalhar em Mogi das Cruzes, justamente na aplicação da vacina contra a Covid-19, no drive-thru do Pró-Hiper. 

Virando a chave

Na atuação como enfermeiro, foi a primeira vez que André trabalhou diretamente na aplicação de uma vacina. Foi o momento de ele virar a chave, saindo de uma UTI com mortes de pacientes por conta do vírus, para trabalhar na prevenção. Um novo jeito de salvar vidas. 

“As pessoas que vêm se vacinar choram, agradecem, entregam presentes, contam histórias de superação. O pessoal que está lá vacina amigos, familiares. Eu me sinto muito importante neste momento. A nossa função vai além de ser só enfermeiro. A gente também orienta, passa segurança para a pessoa que vai tomar, mostrando para ela desde a retirada da vacina do frasco, a seringa com a dose e ela vazia depois de aplicar”, conta. 

Das vidas que ele cruzou nesta pandemia, a história de um paciente que recebeu alta médica depois de ter ficado por três meses internado, foi a que mais lhe emocionou, devido à força de vontade que o paciente teve ao passar por tantas dificuldades e vencer a doença. Já na vacinação, o enfermeiro não destaca um momento em específico. Para ele, o melhor é a gratidão que recebe dos pacientes, que chegam a levar comida e presentes para eles. 

“A enfermagem é uma área muito desvalorizada, então vendo que agora as pessoas reconhecem a importância do nosso trabalho, é o melhor para mim. Ver a gratidão do paciente no olhar dele, é também uma forma de saber que estamos cumprindo o nosso papel e isso dá ânimo e fôlego em um momento como este”, pondera André.

 

 

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