Óbitos notificados no Hospital Municipal no primeiro semestre deste ano superam 2020
Em um semestre marcado pela chamada ‘segunda onda da pandemia’ – com aumento de casos e mortes por Covid-19 em todo o País -, o Hospital Municipal de Mogi das Cruzes (HMMC), localizado em Braz Cubas, notificou 546 óbitos entre janeiro a junho de 2021. O número foi 41% maior ao observado em todo o ano […]
23/11/2021 13h14, Atualizado há 57 meses
Em um semestre marcado pela chamada ‘segunda onda da pandemia’ – com aumento de casos e mortes por Covid-19 em todo o País -, o Hospital Municipal de Mogi das Cruzes (HMMC), localizado em Braz Cubas, notificou 546 óbitos entre janeiro a junho de 2021. O número foi 41% maior ao observado em todo o ano de 2020, quando 386 pessoas morreram na unidade. Antes da pandemia, durante o ano de 2019 foram notificados 53 óbitos. Em outras unidades da cidade, a taxa de mortalidade caiu. Os dados são do Painel Saúde do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
No Estado de São Paulo, a taxa média de mortalidade dos 276 hospitais – estaduais e municipais – apresentados no relatório é de 8,7%.
Cabe lembrar que o Hospital Municipal se tornou Centro de Referência contra o coronavírus, quando a doença dava os primeiros passos.
Nos primeiros seis meses de 2021, a cada 10 pessoas internadas na unidade de saúde, duas morreram. No período, a taxa de letalidade no hospital ficou em 23,6%. Trata-se da maior taxa notificada em toda a região no ano (veja tabela abaixo).
O índice chega a ser três vezes maior que a taxa de mortalidade vista em cidades da região, como Itaquaquecetuba e Ferraz de Vasconcelos.
Considerando todo o ano de 2020, a taxa no HMMC foi de 15,2%, ante a 1,35% em 2019.
Em 2021, o hospital somou 2.314 internações e contava com 350 médicos.
Cabe lembrar que o HMMC também mudou sua vocação, sendo totalmente adaptado à nova realidade trazida pela pandemia. O Pronto Atendimento 24 horas, antes especializado no atendimento exclusivo de crianças, tornou-se durante 2020 e início de 2021 “porta aberta” para casos suspeitos da Covid-19.
Em outros equipamentos da cidade o cenário é diferente. O hospital Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, somou entre janeiro e junho deste ano 947 óbitos. Uma taxa de letalidade de 14,98%. Contra 2.107 mortes em 2020, com uma taxa de 13,88%.
Em 2019 foram 1.889 óbitos, e um índice de 11,12%.
Em 2021, o hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, no Distrito de Jundiapeba, passou a internar pacientes com Covid-19. No primeiro semestre do ano o hospital notificou 85 óbitos, que resultam em uma taxa de letalidade de 16,6%.
O total empenhado e gasto pelos hospitais de Mogi das Cruzes em 2021 não consta na tabela do TCE.
Conforme mostrou reportagem de O Diário em maio deste ano, o total empenhado e gasto em 2020 no Luzia de Pinho Melo, gerenciado pela SPDM, foi de R$ 192 milhões. R$ 39 milhões a mais do que o que foi aplicado no Luzia, em 2019: R$153 milhões. Naquele ano, ainda, o valor empenhado foi superior, R$ 184 milhões.
Posicionamento
Em nota, a Prefeitura de Mogi das Cruzes informou para O Diário que “é importante relembrar que desde o ano passado o Hospital Municipal de Mogi das Cruzes tornou-se a principal referência para pacientes Covid-19 no Alto Tietê”. Acrescenta que “a taxa de mortalidade está diretamente ligada à pandemia do novo coronavírus e acompanha índices registrados em unidades exclusivas Covid-19 no país, o que não é o caso das outras instituições do Alto Tietê”.
Neste mês, o Hospital Municipal de Mogi das Cruzes retomou as cirurgias ginecológicas, mantendo apenas um andar para os internações Covid-19, totalmente isolado e com segurança aos demais pacientes.
Confira a taxa de mortalidade de hospitais da região:
Luzia de Pinho Melo ( spdm Mogi das Cruzes ) : 14,98%
Santa Marcelina, em Itaquá : 7,8%
Osiris la, em Ferraz : 13,81%
Hospital Municipal de Mogi das Cruzes : 23,6%
Arnaldo Pezzuti Cavalcanti ( Mogi das Cruzes ): 16,6%
Hospital Geral de Itaquaquecetuba: 7,45 %
TCE
No site do Tribunal, é possível acompanhar a prestação de contas que revela aumento dos recursos financeiros injetados nos serviços públicos, bem como a gravidade da Covid influenciou no perfil do atendimento.