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Os 135 anos da chegada dos Jafet ao Brasil e seus investimentos em Mogi

Neste domingo (23), cerca de 500 integrantes da família Jafet participaram, no Clube Monte Líbano, em São Paulo, de um evento preparado para lembrar os 135 anos da chegada de seus primeiros integrantes ao Brasil. De grande importância para o crescimento da Capital, os empreendimentos da família vinda do Líbano também alcançaram Mogi das Cruzes […]

Por O Diário
23/10/2022 14h52, Atualizado há 45 meses

Neste domingo (23), cerca de 500 integrantes da família Jafet participaram, no Clube Monte Líbano, em São Paulo, de um evento preparado para lembrar os 135 anos da chegada de seus primeiros integrantes ao Brasil.

De grande importância para o crescimento da Capital, os empreendimentos da família vinda do Líbano também alcançaram Mogi das Cruzes e seus reflexos ainda estão presentes até hoje na economia do município.

Os Jafet foram responsáveis pela primeira usina siderúrgica instalada na cidade e, décadas depois, pela instalação do primeiro shopping center, no momento em que esse tipo de comércio dava os seus primeiros passos em São Paulo, a caminho do resto do Brasil.

A caminhada dos libaneses, entretanto, não foi somente mar de rosas. Basílio Chedid Jafet, um dos integrantes da família conta que a ligação com o Brasil começou bem antes da viagem, quando o patriarca dos pioneiros teve um encontro com o imperador dom Pedro, que o incentivou a vir para cá.

Após chegarem ao País, em 1887, os imigrantes começaram a empreender.

Inicialmente como mascates, primeiro passo para se estabelecerem, logo em seguida, no comércio da Capital.

Os Jafet tinham o sangue do empreendedorismo nas veias e, passado algum tempo, eles já haviam se tornado capitães de indústria.

O primeiro grande investimento foi na Companhia Fabril de Tecelagem e Estamparia e, logo depois na Mineração Geral do Brasil, em Mogi das Cruzes.

Foi na década de 1940 que a cidade foi alvo de um dos mais arrojados projetos da família Jafet. A montagem da siderúrgica durou algum tempo, mas logo em seguida, transformou-se na principal indústria em operação na Mogi de uma época, que se tornou totalmente dependente da fábrica. Junto com a fábrica, a família construiu o Palacete Jafet, no Alto do Ipiranga, onde os diretores, todos membros da família, se alojavam quando tinham de permanecer por algum tempo em Mogi.

Os Jafet avançaram também na política, principalmente durante os governos de Getúlio Vargas, onde o expansionismo siderúrgico era uma das principais preocupações.

O investimento em Mogi, primeiro de outros igualmente arrojados, fez com que a família ganhasse o apreço do presidente Getúlio, que levou Ricardo Jafet para ser o presidente do Banco do Brasil durante o seu governo.

Os ventos do getulismo sopravam a favor do grupo.

A força de Mogi

A vinda da Mineração foi responsável pela criação de um bairro operário ao lado da fábrica, que passou a ser conhecido pelo mesmo nome da empresa, com ruas que lembravam minerais, como ouro, prata, platina, e até o aço. O bairro, mais tarde, ganharia o nome de Vila Industrial, mas muitos ainda fazem questão de chamá-lo de Mineração.

Muita gente veio de outras localidades, especialmente de Minas Gerais, para trabalhar na MGB mogiana.

Por lá passaram Waldemar Costa Filho, pessoa de confiança dos Jafet, que mais tarde viria a ser prefeito de Mogi por quatro mandatos; o advogado Mauricio Najar, que exerceria três mandatos como deputado estadual e um mandato e meio como deputado federal, além de outros políticos, como o vereador Ivan Nunes Siqueira. Por lá passou também um engenheiro em início de profissão, Jamil Hallage, que veio de São Paulo e acabou trabalhando por muito tempo junto à Prefeitura de Mogi, onde foi responsável direto pelas obras das rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, em governos de seu antigo companheiro de trabalho na MGB, Waldemar Costa Filho.

Sinais de 1964

Os ventos getulistas passaram, vieram Jânio, Jango, mas a chegada dos militares ao comando do País fez com que as torneiras oficiais se fechassem para os empreendedores, como lembraria, anos depois, o advogado trabalhista Rubens Nogueira Magalhães, que atuava junto ao Sindicato dos Metalúrgicos de Mogi.

“A família passou a ser perseguida pelo governo de Castello Branco, que não gostava dos Jafet”, contava Magalhães, que faleceu anos mais tarde.

A situação foi se complicando para a família e os apertos do governo militar levaram à interrupção das atividades da Mineração, provocando um enorme problema social na Mogi pós 1964. Sem trabalho e salários, empregados da Mineração começavam a ter dificuldades até para se alimentar e havia no ar a ameaça de saques ao comércio.

A situação estava insustentável, quando o presidente Castello Branco veio a Mogi para inaugurar uma outra siderúrgica, a Anhanguera, do grupo Azevedo Antunes, no bairro do Socorro, e recebeu um apelo de ex-funcionários e políticos para que o governo encampasse a MGB.

E surge a Cosim

Foi o que aconteceu e a Mineração se transformou na Companhia Siderúrgica de Mogi das Cruzes (Cosim), integrante da Siderbrás, uma holding estatal que abrigava outras empresas do ramo pertencentes ao governo.

O futuro da Cosim não foi dos mais promissores. Com a promessa de sanear a empresa e devolvê-la ao capital privado, a Siderbrás deveria cuidar melhor da Cosim, que não aconteceu.

A empresa logo se transformou num grande cabide de empregos do governo, a ponto de um de seus principais dirigentes ser um oficial reformado da Marinha.

Como iria vender, a Siderbrás não modernizava a empresa. Ela, no entanto, não era vendida porque dava algum lucro e empregos para apaniguados do governo. Resultado: pouco a pouco, foi se tornando uma empresa obsoleta que não conseguia competir num mercado cada dia mais evoluído e moderno.

Cada vez mais sucateada, a empresa foi a leilão e, num dia 30 de agosto de 1998, toda aquela imponente estrutura de altos fornos, com chaminés gigantes, foi parar no chão, sob o efeito de quilos e quilos de explosivos. A Mineração que virou Cosim teve um final melancólico para todos que tiveram alguma relação com a empresa.

Antes disso, já havia sido derrubado, na calada da noite, o Palacete do Jafet, por empreendedores imobiliários, que adquiriram o espaço que a cidade desejava ver transformado num centro cultural ou algo do gênero. E trataram logo de derrubar o prédio antes que ocorresse seu tombamento pelo Estado, ou desapropriação pela Prefeitura de Mogi.

Mogi Shopping

A presença de um membro da família Jafet num grande empreendimento da cidade voltaria a ocorrer, anos depois da derrocada da Mineração pelo governo dos militares.

Em 1991, o empresário Carlos Jafet liderava um grupo de investidores que decidiu instalar, no bairro do Socorro, o primeiro shopping center de Mogi das Cruzes.

O Mogi Shopping Center se tornaria uma realidade positiva para o comércio do município e toda região. O empreendimento enfrentou e superou a fase de maturação e o grupo investidor foi alterando seus sócios, até que, décadas mais tarde, depois de passar por empresas especializadas na administração de espaços desse tipo acabou nas mãos de outro grande empreendedor de Mogi, Henrique Borenstein, que assumiu o comando e os investimentos no centro de compras por meio da HBR, um dos braços  da Hélio Borenstein Empreendimentos, que vem dando nova força ao investimento, trazendo novas lojas e ampliando suas instalações.

Não há como negar a importância da iniciativa de Jafet que resultou em mais um grande empreendimento para Mogi.

Árvore genealógica

Operando em vários ramos da economia paulista e nacional, os Jafet pioneiros deixaram um legado importante para os seus descendentes e para os brasileiros em geral.

Segundo informações da própria família, a árvore genealógica dos Jafet conta com mais de 1.200 integrantes, estabelecidos ao longo dos anos. É parte desse grupo que neste domingo (23) irá se reunir para lembrar uma fase importante da diáspora libanesa no Brasil. Especialmente em Mogi das Cruzes.

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