Os dois lados da pandemia: Enquanto alguns setores prosperam, outros enfrentam dificuldades
Natália Soares de Lima Teixeira No início da pandemia, o futuro era incerto para Natália Soares de Lima Teixeira, que é product owner e sócia-administradora no Keruak, software de gestão financeira. Mas com empresários passando pela mesma situação, a empresa viu ali oportunidade de crescer. Os clientes duplicaram em meio ao momento mais difícil. Ao […]
27/02/2021 08h19, Atualizado há 65 meses
Natália Soares de Lima Teixeira
No início da pandemia, o futuro era incerto para Natália Soares de Lima Teixeira, que é product owner e sócia-administradora no Keruak, software de gestão financeira. Mas com empresários passando pela mesma situação, a empresa viu ali oportunidade de crescer. Os clientes duplicaram em meio ao momento mais difícil.
Ao final de 2019, o Keruak contava com uma base fechada de 70 clientes. No “boom” da pandemia eles foram para 140 e hoje já são 230. O número de funcionários precisou aumentar por conta da alta demanda e, em um momento em que muitos empresários demitiam, o negócio comandado por Natália precisou fazer sete novas contratações. Mas para chegar ao sucesso, a empresa participou de eventos online, com conteúdos compostos de dicas para aqueles que tinham o desejo de superar a crise. Com isso, o software foi ganhando visibilidade e atraindo um número maior de clientes.
“Foi dentro do cenário mais crítico da pandemia que conseguimos um número maior de clientes. Mas junto a isso, nós levamos uma maior educação dentro da gestão financeira para diversas pessoas. Muita gente que achou que poderia falir no ano passado, conseguiu seguir nossas dicas e se manteve no mercado. Nós conseguimos dar um rumo para aqueles que estavam sem saber para onde ir”, afirma Natália. Para o futuro, ela tem uma certeza: a empresa deverá crescer ainda mais e a meta é alcançar os mil clientes e fazer novas contratações de colaboradores.
LEIA MAIS: Novo normal, novo trabalho: mercado exige mais capacitação
Eduardo Umberto Beneti
Trabalhar fazendo os próprios horários e nos dias da semana que desejar. Esse já foi ou é o desejo de muitos assalariados. Com Eduardo Umberto Benetti de Oliveira, 63 anos, não foi diferente. Ele trabalhava como operador de caixa em um supermercado de Mogi das Cruzes, quando decidiu que se desligaria da empresa para trabalhar como motorista de aplicativo. A saída dele foi negociada e a empresa o mandou embora após o pedido. A intenção era logo na sequência começar a trabalhar dirigindo. Mas aí começaram os percalços. Um deles era o ano do carro que ele possui, o que o impedia de se cadastrar para atuar nos aplicativos. Com as dificuldades financeiras trazidas pela pandemia, ele não conseguiria comprar um novo veículo.
“São seis meses desde que saí do emprego e, até agora, só consegui fazer alguns ‘bicos’ no setor da construção civil. Ainda cheguei a fazer uma entrevista, mas logo percebi que não me contratariam por conta da minha idade, por ser do grupo de risco. Eu sou uma pessoa muito sadia, sempre pratiquei esportes, mas sei que por conta da pandemia vai ficar ainda mais difícil encontrar um novo emprego, porque surgiram novas exigências”, diz Eduardo.
O ex-operador de caixa vê a propagação do vírus como um grande problema no âmbito socioeconômico. Até mesmo vender o carro que tem atualmente para tentar trocar por um modelo mais novo ficou difícil. Ainda assim, a ideia de ser motorista de aplicativo não foi descartada.