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Padre Alessandro tem dores no joelho durante peregrinação

Não são apenas os calos e as bolhas nos pés que incomodam o padre cantor Alessandro Campos em sua peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela, a rota de 869 km, que liga Saint Jean-Pied-de Port, nos arredores de Paris, até a Catedral de Compostela, na Galícia, região noroeste da Espanha. As baixas temperaturas daquela […]

Por O Diário
11/10/2021 18h45, Atualizado há 58 meses

Não são apenas os calos e as bolhas nos pés que incomodam o padre cantor Alessandro Campos em sua peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela, a rota de 869 km, que liga Saint Jean-Pied-de Port, nos arredores de Paris, até a Catedral de Compostela, na Galícia, região noroeste da Espanha. As baixas temperaturas daquela região da Europa, nesta época do ano, aliadas ao esforço incomum para quem sempre teve a vida marcada pelo sedentarismo, estão resultando em dores nas articulações, especialmente nos joelhos do religioso. São eles que mais sofrem nas subidas de escadas e morros, muito comuns nas estradas rurais percorridas pelo padre e seus dois fiéis companheiros, o baterista de sua banda, Thiago Gomes, e Claudio Silva, o “Zum”, como é conhecido o integrante da sua equipe de trabalho.

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Só mesmo a beleza das bucólicas paisagens rurais, as surpresas que o caminho reserva, e a determinação do padre e seus amigos é que compensam as dificuldades e o cansaço que tornam cada vez mais pesadas as mochilas presas às costas, assim como as roupas e até os calçados, que já começam a incomodar mais do que ajudar a conduzir os pés viagem adiante.

Escorados em seus cajados, os nossos bravos peregrinos continuam a caminhada, buscando compensar eventuais atrasos com algumas “esticadas”, que vão além do trajeto previamente programado.

Nesta segunda-feira (11), o trio acordou cedo. Duas horas da madrugada, horário do Brasil, sete horas na Espanha, onde a caminhada recomeçou com o dia ainda escuro, apesar da hora avançada. O frio era cortante, só vencido por duas pesadas blusas e pelo aquecimento natural resultante do início da marcha, apesar das dores nos joelhos ainda frios, após uma noite de descanso.

A meta do grupo era chegar até Los Arcos.

Roteiro

Desde que saiu de Saint Jean-Pied-de Port, na semana passada, padre Alessandro passou por Roncesvalles, Zubiri  e Viscanet, até chegar na famosa Pamplona, uma das mais importantes cidades espanholas, conhecida por sua universidade, referência para todo o mundo, em especial para jornalistas.

Depois de ultrapassar Puente La Reina, o grupo de Mogi andou mais 10 km até chegar a Estella. A meta era alcançar, ainda na tarde de segunda-feira (11) o povoado de Los Arcos, por volta de 16 horas.

As fortes dores e o cansaço, no entanto, falaram mais alto e a caminhada foi interrompida por volta de 15 horas, junto a um camping de beira de estrada, onde Alessandro, Thiago e “Zum” conseguiram um quarto com dois beliches de duas camas cada um, com direito a ducha, situada do lado de fora da edificação. Tudo ao custo de 50 euros. “Mas tá bom; só espero que o dinheiro não acabe antes da viagem”, brinca o padre, em seu estilo irreverente. 

Era tudo o que precisavam para um bom descanso, suficiente para garantir novas forças para uma nova etapa de 28 km, na manhã de terça-feira (12).

Os sinais de cansaço estão evidentes nos viajantes que continuam sendo empurrados pela determinação de levar a viagem até o fim, sabendo que o corpo tende a se acostumar, ainda que às duras penas, ao ritmo da peregrinação, tornando a caminhada menos sofrida para todos.

Padre Alessandro continua em contato com a região de Mogi por meio deste jornal, sempre enviando bênçãos para as pessoas que estão acompanhando o seu desafio de avançar mais 676 km até Santiago, como mostra uma das placas ultrapassadas e fotografadas pelo grupo durante a viagem, que ainda está longe de terminar.

O padre garante que levará até o fim sua promessa de completar o caminho a pé e rezar na Catedral de Santiago de Compostela para cumprir a promessa pela saúde da pequena Rebeca, sua sobrinha, diagnosticada com autismo, uma suspeita que novos exames simplesmente não confirmaram.

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