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Pandemia represa outros atendimentos em Mogi, como consultas e cirurgias

A pandemia do novo coronavírus criou demanda urgente pela instalação de novos leitos. À medida que os equipamentos em saúde vão abrindo espaço para mais alas de enfermaria e Unidade de Terapia Intensiva (UTI), outros atendimentos são represados, como consultas e cirurgias de baixa complexidade. Em Mogi das Cruzes, o Hospital Municipal, no distrito de […]

Por O Diário
21/03/2021 12h39, Atualizado há 64 meses

A pandemia do novo coronavírus criou demanda urgente pela instalação de novos leitos. À medida que os equipamentos em saúde vão abrindo espaço para mais alas de enfermaria e Unidade de Terapia Intensiva (UTI), outros atendimentos são represados, como consultas e cirurgias de baixa complexidade.

Em Mogi das Cruzes, o Hospital Municipal, no distrito de Braz Cubas, e a UnicaFisio que funciona ao lado, atendem exclusivamente quem está com a Covid-19, ao passo que quem dependia de cirurgias mais simples, como as ginecológicas e de catarata, precisa conviver com a situação.

Um decreto estadual suspendeu a realização de cirurgias eletivas, bem como as atividades de promoção à saúde com os idosos de forma presencial, como academia da terceira idade, hidroginástica e oficinas de artesanato. Por conta disso, a Secretaria Municipal de Saúde está mantendo os acompanhamentos online. 
O Hospital Municipal fazia em média 300 procedimentos cirúrgicos por mês, nas especialidades de ginecologia, cirurgia geral, urologia e otorrino. A unidade dá suporte ao Estado para cirurgias de baixa complexidade e possui fila de 355 pacientes aguardando por cirurgias eletivas, mas sem previsão pelo fato de atualmente a unidade hospitalar ser inteiramente destinada ao tratamento de Covid. Para cirurgias de vesícula, uma parceria firmada com o Hospital Sepaco, na capital, tem realizado esses procedimentos em pacientes encaminhados pelo município.

No início da pandemia, as unidades municipais tiveram interrupção das atividades eletivas seguindo resolução do Ministério da Saúde, mas a pasta adota estratégias para que os atendimentos sejam retomados, quando possível. A Secretaria de Saúde chegou a realizar mutirões de consultas e exames e, agora, faz um estudo para a contratação emergencial de médicos, sendo 20 ginecologistas, 17 clínicos gerais e 4 psiquiatras por conta do deficit de profissionais. Na área de atenção básica, que compete ao município, há cerca de 8 mil consultas de clínica médica e 15 mil de ginecologia represadas.

Pós-Covid

Outra demanda criada pelo novo coronavírus é a de atendimento aos pacientes que ficaram internados com a Covid-19 que, em muitos casos, precisam de acompanhamento médico devido às sequelas deixadas no sistema circulatório, no coração, pulmão, rins e sistema motor. Em Mogi, eles são encaminhados para o Ambulatório de Especialidade Médica (AME), do Governo do Estado.

Por mais de um mês, a reportagem de O Diário solicitou dados sobre esse atendimento à Secretaria de Estado da Saúde, mas recebeu resposta de que a demanda estava em apuração. Entretanto, nenhuma resposta foi enviada até o fechamento desta matéria, bem como o pedido de uma entrevista com porta-voz do AME que pudesse falar sobre a rotina de trabalho no local.

O drama de quem é atendido

Em tempos de pandemia, o sistema de saúde se mostra importante em diversos segmentos. Enquanto é necessário pensar para onde vão aqueles que estão com a Covid, é preciso também estar atento aos reflexos da doença e a outras enfermidades.

Em meados de 2020, a mogiana Neusa Gonçalves de Lima, de 74 anos, percebeu que estava perdendo a visão dos dois olhos. Começou a passar por atendimento no Hospital Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, mas até agora não conseguiu fazer a cirurgia que precisa.

A filha dela, Eliana de Lima Ferreira, 38, conta que a mãe precisa de cirurgia de catarata já que, segundo a médica, uma das vistas ainda tem salvação. Entretanto, a família teme que, com a demora por causa do cancelamento das cirurgias eletivas na pandemia, não seja possível reverter a situação.
Já o caso do pequeno Nicollas Barros, de 3 anos, foi diferente. Também no meio do ano passado, ele contraiu a Covid-19 e precisou ficar 13 dias na UTI. Quando saiu, ficou com sequela cardíaca. A mãe, Thamy Barros, 25, conta que agora ele está curado, mas faz acompanhamento com cardiologista e reumatologista, além de usar remédio para o coração.

“Ele passou por cinco médicos até descobrir o que tinha e foi um baque. A gente achava que criança não pegava dessa forma e ficava até mais preocupada com meus sogros, que já têm mais idade. Agora, ele faz tratamento para evitar outros problemas, mas está bem.”

Secretário de Saúde defende lockdown para ‘dar um respiro’

Desde fevereiro, o Hospital Luzia de Pinho Melo passou a atender apenas casos de média e alta complexidade, transferindo os casos mais simples para a rede básica, conforme referencia o Ministério da Saúde. No mesmo mês, os casos do novo coronavírus começaram a viver uma escalada em todo o Brasil.

Especificamente em Mogi das Cruzes, o secretário de Saúde, Henrique Naufel, percebeu alta no atendimento nos equipamentos municipais mas, segundo ele, ainda não tem como atribuir às mudanças no hospital estadual, porque a pandemia se agravou concomitantemente.

Na visão do titular da pasta, não era o momento para fazer a mudança no atendimento no Luzia, visto a importância dele para a região. Mas a secretaria acompanha o quadro dos pacientes que estão na fila de espera por cirurgias que não são urgentes. Caso o quadro de algum paciente piore, eles são encaminhados ao Luzia ou à Santa Casa para passar pelo procedimento. Além disso, esses dois equipamentos também são responsáveis pelas cirurgias de urgência e emergência.

 “A pressão da porta para a Covid é muito grande. A gente não está vendo um platô, só uma tendência de piora. Nós fizemos uma reunião com os diretores, coordenadores, o prefeito Caio Cunha e também o Rodrigo Ashiuchi de Suzano pelo Condemat e eles foram unânimes em dizer que o sistema de saúde não aguenta mais. Com este cenário, a gente não consegue prever quando a situação vai se normalizar”, detalhou o secretário.

Naufel defende, inclusive, a realização de lockdown para segurar a evolução da doença até que as cidades pudessem se preparar. Na visão dele, a medida não vai diminuir a transmissão do vírus a longo prazo, mas dará um respiro para a abertura de mais leitos no Hospital Municipal, no Dr. Arnaldo, onde começaram a funcionar 30 essa semana, sendo 10 de UTI e 20 de enfermaria, e ainda estão previstos outros 60.

“Quando nós tivemos o pico da pandemia no ano passado, chegamos ao máximo de 45% dos leitos de terapia intensiva em uso. Nós praticamente dobramos o número de leitos e estamos há seis dias [na quarta-feira passada] com 100% de ocupação. Isso mostra que essa segunda onda tem sido mais agressiva. Ainda não detectamos a nova variante aqui na região, mas certamente há algo de diferente nessa segunda onda que ainda vai ser identificado”, detalhou.

Pensando em auxiliar também no atendimento dos pacientes pós-internação por Covid, o secretário divulgou que a prefeitura estuda uma forma de o Núcleo de Avaliação Física (NAF), instalado no Ginásio Municipal Professor Hugo Ramos, no bairro do Mogilar, atender aqueles que precisam de fisioterapia. 

 

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