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Para cientista político Samuel Oliveira, a democracia é feita de “escolhas”

O que esperar dessa eleição, quando, além das mudanças provocadas pela Reforma Eleitoral, estamos enfrentando uma pandemia? É importante lembrar, infelizmente, que desde a redemocratização do país, em 1988, nunca tivemos uma eleição com as mesmas regras da anterior. Além das mudanças de regras em que o eleitor acaba envolvido, em 2020 a pandemia pode […]

Por O Diário
30/10/2020 17h10, Atualizado há 69 meses

O que esperar dessa eleição, quando, além das mudanças provocadas pela Reforma Eleitoral, estamos enfrentando uma pandemia?

É importante lembrar, infelizmente, que desde a redemocratização do país, em 1988, nunca tivemos uma eleição com as mesmas regras da anterior. Além das mudanças de regras em que o eleitor acaba envolvido, em 2020 a pandemia pode afetar consideravelmente o processo de votação. Como na própria propaganda veiculada pelo TSE, pessoas podem estar com algum sintoma, mesmo que um resfriado, e por isso são incentivadas a ficar em casa. O cenário não é favorável, mas todos nós precisamos lembrar que a democracia e os governos são responsabilidades das nossas escolhas.

O senhor é diretor de projetos no movimento Voto Consciente. O que este termo, “voto consciente”, quer dizer, no sentido prático?

Voto consciente é a escolha bem feita, seja ela qual for, desde que feita de forma livre e após utilizar a crítica ao analisar os políticos. Todo mundo tem a noção do que precisa ser feito na sua rua, no seu bairro, no seu município. Em maior ou menor grau de conhecimento, cada pessoa sabe bem o que os políticos devem fazer para resolver os problemas e na aplicação correta do dinheiro arrecadado nos impostos. 

É possível ensinar as pessoas a votar com sabedoria desde o início da vida eleitoral, com conscientização nas escolas, por exemplo?

Com toda certeza, e esperamos que isso possa voltar a existir no dia a dia de nossos jovens. Aliás, eles têm demonstrado ser mais questionadores, mais preocupados e muito mais sensíveis às mudanças que se fazem necessárias em nossos dias. Evidentemente que a cada faixa etária é importante iniciar conceitos mais básicos como convivência, respeito, liberdades, até o momento que se pode ser mais técnico e adentrar em conceitos políticos eleitorais, mas também de gestão pública, criando assim o senso de pertencimento e empoderamento do que é público e também daqueles que mantém os governos funcionando.

Como enxerga a polarização, em especial neste ano, quando os nervos dos eleitores parecem estar à flor da pele?

Polarização, seja qual for, nunca fez bem à nenhuma democracia. A política é o caminho pra se encontrar convergências, mesmo nas diferenças. A oportunidade de conversar e reunir ideias que podem, minimamente, afetar positivamente a vida de todos. À partir do momento em que nos tornamos rígidos e refratários aos pensamentos diferentes do nosso, ou ainda que nos coloquemos numa posição de impôr nossa opinião sobre os outros de forma forçosa, inicia-se um movimento de polarização em que a conversa fica prejudicada e toda e qualquer decisão se torna prejudicial. 

Após os escândalos globais de 2018, era de se esperar que as fake news inundassem o cenário eleitoral agora. Mas, ao que parece, elas estão reduzidas. Será consequência do aprendizado de checagem ou até mesmo dos algoritmos das redes sociais?

As fake news não pararam, elas encontraram outro meio de serem propagadas de forma menos escandalosa como foi em 2018. É verdade que as plataformas das redes sociais tiveram que criar mecanismos para conter a propagação de notícias falsas. Contudo, só porque não aparece tanto no Facebook ou Instagram não quer dizer que elas desapareceram. A ferramenta mais fácil para elas continuarem é o WhatsApp. 

Em Mogi, às vésperas da eleição, uma operação do Ministério Público prendeu vereadores, empresários e assessores. Este tipo de escândalo pode impactar o resultado nas urnas?

Sim e não. Numa espécie de “algo normal na política”, a população brasileira parece cair numa letargia que não permite avançar mais do que a simples indignação que surge no momento em que esses crimes são revelados. Evidente que não se pode generalizar, mas é como se as pessoas se acostumassem com este tipo de notícia e acaba mse colocando numa posição de que “é assim mesmo”. Não! Não tem nada pior que o comodismo. Por isso, mais do que se chocar com essas notícias ruins, é preciso sair da zona de conforto e realmente se questionar: ‘o que posso fazer para evitar que isso aconteça?’. Isso é algo que não cabe a apenas um indivíduo, mas que acomete toda a sociedade brasileira.

Aliás, temos, por aqui, sete candidatos ao cargo de prefeito. Tantas opções são benéficas ou prejudiciais?

A democracia prevê a participação de todos na política, e que todos devem ser representados, principalmente no legislativo. Contudo, a Ciência Política já tem estudos que mostram que na maioria das cidades as eleições se divide em apenas  duas candidaturas, mesmo não havendo segundo turno. Desse modo, é a candidatura de reeleição ou do mesmo grupo que aí estava, e daquela de oposição mais destacada e que, de certa forma encontra respaldo como uma possibilidade de fazer frente como diferente.  

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