Passagem de nível da Rua Dr. Deodato Wertheimer será fechada no próximo dia 2
A determinação do fechamento da passagem de nível na rua Doutor Deodato Wertheimer tem preocupado comerciantes próximos da região entre o Centro e o Mogilar, desde segunda-feira (27), quando transeuntes notaram uma faixa na cancela informando o fim do acesso. Decisão da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) tem como principal objetivo reduzir tempo de […]
28/12/2021 15h12, Atualizado há 56 meses
A determinação do fechamento da passagem de nível na rua Doutor Deodato Wertheimer tem preocupado comerciantes próximos da região entre o Centro e o Mogilar, desde segunda-feira (27), quando transeuntes notaram uma faixa na cancela informando o fim do acesso. Decisão da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) tem como principal objetivo reduzir tempo de viagem entre as estações. O fechamento irá acontecer no domingo, dia 2 de janeiro.
Para os pedestres que costumam optar pela passagem da Rua Dr. Deodato, a alternativa será utilizar o acesso à Praça Sacadura Cabral feito pela Avenida Cabo Diogo Oliver, próximo à Estação de Mogi. A Prefeitura tentou negociar um prazo maior para discutir a mudança e admite que a decisão irá prejudicar o comércio da região.
De acordo com a CPTM, encerramento da passagem será ação fundamental para que os trens da linha 11-Coral possam aumentar a velocidade de circulação e diminuir o intervalo médio entre composições no trecho entre Mogi e Guaianases dos atuais oito para sete minutos. “Mais de 680 mil passageiros de toda a Linha 11-Coral e dos municípios de Suzano, Poá, Ferraz de Vasconcelos e São Paulo, além dos passageiros do próprio município serão beneficiados”, esclareceu a assessoria da companhia em nota.
Apesar de aparentemente positiva a ação, muitos comerciantes e moradores, tanto da região do Mogilar, quanto do centro de Mogi, não estão encarando com bons olhos o fechamento devido a reflexos como a redução dos negócios e os prejuízos à locomoção.
Nas redes sociais, a alteração já provoca discussões e cobranças.
Para Marta Janete da Silva, coordenadora do núcleo educacional localizado na rua Jose Alves dos Anjos, a ausência de passagem na rua Dr. Deodato só trará prejuízos. “Quanto menos acesso tiver, pior ficará. Acredito que deveriam priorizar justamente o contrário, criar cada vez mais acessos, porque o fechamento da cancela só concentrará as pessoas em um só ponto, na Cabo Diogo, região de maior movimento por conta da estação e terminal de ônibus”, expõe a educadora.
Outro mogiano que está insatisfeito com a futura mudança é Cassiano Ferreira Leite, proprietário de um comércio de alimentos logo ao lado da passagem de nível. “Já tivemos uma experiencia de ficar 15 dias com a cancela fechada devido às reformas na linha férrea alguns anos atrás e foi bem negativo. Tudo ficou parado para as vendas. Não tendo ninguém transitando por aqui o número de clientes praticamente zerou nesse período”, relembra Cassiano. O comerciante ainda acrescenta que se existisse a alternativa de uma passarela substituindo a travessia em nível poderia ser uma solução com menos impacto.
Conforme informações da Prefeitura, as passarelas da Estação de Mogi e da região do Mogilar, com acesso da rua Tenente Alcídes Machado à rua Padre João, também estão acessíveis para a população da cidade, não substituindo exclusivamente o acesso na Dr. Deodato Wertheimer.
Assim como para Marta e Cassiano, segundo Ricardo Teixeira, comerciante em uma loja de serviços fotográficos na mesma rua da passagem e morador do bairro Mogilar, a decisão do fechamento não será uma solução positiva, podendo afetar pelo menos 50 comércios da proximidade, incluindo o dele. “Os lojistas estão fazendo um abaixo assinado e a intenção é levar para a prefeitura posteriormente”, explica Teixeira.
Conforme informações da Prefeitura Municipal de Mogi das Cruzes ao O Diário, a administração esclarece que priorizou o contato permanente com a CPTM para tornar o processo de fechamento o menos traumático possível para a população, buscando informar com antecedência sobre decisão tomada para, dessa forma, permitir que os mogianos se adequassem às mudanças.
“Nos últimos dois meses, a Prefeitura enviou ofícios à presidência da CPTM e tentou, por várias vezes, agendar reuniões com os técnicos e gestores da empresa para discutir o assunto, mas esses encontros infelizmente não aconteceram. A Administração Municipal respeita a autonomia da empresa no sentido de deliberar pelo fechamento da passagem, visando a segurança dos pedestres, e reforça que existe uma passagem a cerca de 100 metros, na estação”, comunica assessoria da prefeitura em nota para o jornal O Diário.
Posicionamento da prefeitura ainda lamenta que a determinação tenha sido feita sem o tempo necessário para que a população fosse informada para se ajustar à novidade. “Além do transtorno de aumentar a locomoção dos pedestres, o comércio local também pode ter prejuízos no primeiro momento”, conclui a assessoria.
Passado
Logo após o fechamento da passagem dos veículos na rua Dr. Deodato Wertheimer, a decisão inicial seria também acabar com a alternativa para os pedestres. Isso ocorreu quando foi inaugurado o Complexo Viário Jornalista Tirreno Da San Biagio.
Naquela oportunidade, no entanto, a reação dos comerciantes levou a Prefeitura a solicitar a manutenção da passagem para os pedestres – o que, agora, no entanto, a CPTM decidiu eliminar.