Pedágio vai elevar o custo da produção agrícola de Mogi e região
A instalação de pedágios nos dois sentidos das rodovias Mogi-Dutra – altura do km 40 – e Mogi-Bertioga (km 95) vai encarecer o custo da produção agrícola, em suas duas principais pontas: na compra de insumos, como adubos, defensivos, descartáveis, embalagens, entre outros; e no escoamento dos hortifrutigranjeiros, que terá mais o ônus da despesa […]
19/06/2021 16h02, Atualizado há 62 meses
A instalação de pedágios nos dois sentidos das rodovias Mogi-Dutra – altura do km 40 – e Mogi-Bertioga (km 95) vai encarecer o custo da produção agrícola, em suas duas principais pontas: na compra de insumos, como adubos, defensivos, descartáveis, embalagens, entre outros; e no escoamento dos hortifrutigranjeiros, que terá mais o ônus da despesa com as praças de cobrança.
Os resultados negativos vão do aumento de preços ao consumidor final à significativa perda de competitividade da região considerada Cinturão Verde do Estado de São Paulo frente a outros mercados, já que as duas rodovias que foram inclusas no edital de concessões litorâneas pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), com previsão de serem pedagiadas, fazem parte da rota dos agricultores de Mogi das Cruzes e cidades vizinhas, já que os produtos do campo aqui cultivados abastecem não apenas a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), na capital paulista, como também cidades da Baixada Santista e do interior do Estado.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Mogi das Cuzes, Gildo Takeo Saito, 55 anos, produtor de shitake de Taiaçupeba, além dos agricultores de Mogi das Cruzes, os produtores de Biritiba Mirim, Salesópolis e demais cidades vizinhas serão afetados pela cobrança do pedágio.
“Mogi pode ser considerada a cidade-mãe do Alto Tietê e dá suporte aos demais municípios da região, então, uam vez que Mogi venha a se enfraquecer de alguma forma, isso afetará diretamente todas as outas cidades. Não podemos deixar que isso aconteça, por isso, desde 2019, quando teve início a luta contra a instalação de praça de pedágio na Mogi-Dutra, o Sindicato começou a participar deste movimento com os líderes Paulo Bocuzzi, do Movimento Pedágio Não, e o Nelson Bettoi Batalha, da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Mogi”, explica Saito.
O agricultor conta que além de gerar mais ônus à produção agrícola, a instalação da praça de cobrança é inadmissível, já que as duas rodovias foram contruídas pelo municípío. “Somando-se a isso tem a questão que praticamente não haverá investimenots em Mogi. Vai onerar os nossos contribuintes e a população e o dinheiro será aplicado mais na região litorânea e não na cidade”, acrescenta, contando que o sindicato ajudou na coleta de assinaturas ao abaixo-assinado que somou 50 mil adesões, incluindo produtores rurais de Mogi e região, e foi entregue ao Governo do Estado.
A perda da competitividade, uma das principais marcas conquistadas pela região considerada Cinturão Verde do Estado, também preocupa a categoria.
“Vendo todo este cenário, há possibilidade, se implantado mesmo o pedágio, de perdermos compettividade perante a outros mercados. Isso porque, em vez dos feirantes e atacadistas virem para Mogi comprar hortifrutis, vão procurar outras regiões onde não haja pedágio ou o custo dos produtos fique mais baixo do que aquele que podemos ofertar. No caso da Mogi-Dutra, já se paga um pedágio Ayrton Senna, perto da chegada à cidade. Não podemos deixar que depois de cinco minutos, tenha outro, ainda mais caro. Esta luta vai depender da união de todos, cada vez mais. Estamos fazendo nossa parte como instituição junto ao movimento contra o pedágio, mas a força e a palavra do povo são ainda mais fortes. A ação conjunta da população é de suma importânci para impedir que isso aconteça”, aposta Saito
Região conta com 6 mil agricultores
Mogi das Cruzes possui 3 mil produtores rurais, sendo que o número chega a 6 mil quando somados os agricultores de todas as cidades da região do Alto Tietê, segundo levantamento do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes.
Cobrança afeta preço de alimentos ao consumidor
A produtora de hortaliças, Simone Silotti, de Quatinga, em Mogi, defende que não é viável a instalação de um pedágio, que vai encarecer o custo da produção e pode elevar os preços dos alimentos frescos para a população.
“Eu me preocupo muito com os preços com que a população paga para alimentos frescos e saudáveis. Não é justo neste momento tão difícil de gestão do orçamento familiar e insegurança alimentar e nutricional aumentar os preços pela incidência dos repasses do custo do pedágio”, diz a produtora rural, uma das vencedoras do 16º Prêmio Empreendedor Social, com o projeto de doação de alimentos a agricultores e moradores de baixa renda na pandemia.
Ela destaca que o impacto do pedágio seria grande, já que o atendimento aos supermercados da Região Metropolitana de São Paulo são diários. “A conta ficaria muito pesada, ou seja, não seria um pagamento ocasional, e sim todos os dias. No final do mês, a conta ficaria muito pesada para o produtor, sem falar no tempo de passar pela cabine ou os custos para ter um serviço de passagem livre”, conclui.
‘Querem tirar o pouco que ganhamos’
Produtor de salsinha, cebolinha de espinafre há 39 anos na região conhecida como Chácara dos Baianos, no distrito de Jundiapeba, em Mogi das Cruzes, Josemir Barbosa de Moraes, 62, está indignado com o projeto para instalação de uma praça de pedágio nas rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, ambas utilizadas diariamente por ele para escoamento da produção.
“Este pedágio só vai agregar despesas a nós, agricultores. Se for para falar bem a verdade, acho tudo isso ridículo porque ninguém faz nada para beneficiar a gente e agora ainda querem tirar o pouco que ganhamos. É inaceitável esta proposta do Governo do Estado”, lamenta.
O agricultor, que conta ter participado de todas as reuniões realizadas com deputados, prefeitos e demais lideranças contra a implantação das praças de cobrança nas rodovias que passam pela cidade, calcula que os prejuízos serão grandes à produção rural de Mogi e região.
“Já sabemos que é uma despesa a mais que teremos, mas tem também o mercado, o atravessador, o feirante, e isso só vai trazer prejuízo a todos, inclusive na hora de comprar matérias, porque todos os insumos que agrega dentro à produção agrícola, terão maior preço devido ao pedágio. E já pagamos pedágio em outras estradas levar nossos produtos. Não é justo pagar mais estes”, destaca.
Moraes aposta que apenas a união de todos os municípios da região pode ajudar nesta luta. “Aqui na Chácara dos Baianos há 414 agricultores, que distribuem hortaliças todos os dias para o Vale do Paraíba, Ceagesp, Santo André, Grande São Paulo e litoral. Mas temos muitos outros em Mogi e cidades vizinhas. Todos serão prejudicados”, conclui.