Pegadinha do pedágio na Mogi-Dutra
Várias cartas foram dirigidas ao governador João Dória (PSDB), escritas por diferentes cidadãos de Mogi das Cruzes, desfilando as razões pelas quais o projeto da Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) e seu respectivo edital de licitação do Lote Litoral Paulista, o qual pretende instalar uma praça de pedágio na já duplicada, […]
30/07/2021 11h33, Atualizado há 61 meses
Várias cartas foram dirigidas ao governador João Dória (PSDB), escritas por diferentes cidadãos de Mogi das Cruzes, desfilando as razões pelas quais o projeto da Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) e seu respectivo edital de licitação do Lote Litoral Paulista, o qual pretende instalar uma praça de pedágio na já duplicada, há anos, rodovia Mogi-Dutra, não deve prosseguir.
Apresentadas nas edições de O Diário, as cartas mostram que os argumentos contrários ao pedágio são robustos, desde as questões sócio-econômicas, técnicas com intervenções absurdas e sem autorização em vias municipais, até jurídicas.
As manifestações de lideranças políticas também somaram no enredo de apontamentos das várias consequências prejudiciais que a ideia arquitetada no projeto trará, não só para a cidade de Mogi das Cruzes, mas também para as cidades vizinhas.
O Alto Tietê vai sofrer com isso de um modo geral. Não impressionou o governo de São Paulo nada do que se apresentou até o momento, a segregação da Cidade não importa aos olhos míopes dos técnicos da Artesp que se agarram numa audiência de sondagem, e não fizeram uma audiência devolutiva de discussão e detalhamento do projeto, mostrando a caixa preta do pedágio, em desrespeito ao Estatuto das Cidades (Lei 10257/2001). Não enxergam o prejuízo local e apenas sustentam que melhorias virão, sem a honestidade de dizer que estas melhorias ocorrerão no litoral, não por aqui.
Neste assunto há um abismo entre Mogi das Cruzes e o Governo de São Paulo. O governador João Doria não conversa com as lideranças locais, e seu vice, Rodrigo Garcia (PSDB), não consegue ver o que se mostra, também não ouve a Cidade, e como um disco quebrado repete que haverão melhorias.
O ponto relevante ao Estado é garantir arrecadação volumosa para atrair interessados na licitação, ponto que a Artesp silencia.
A arrecadação que o pedágio proporcionará é a “pegadinha” do projeto, pois a pretexto de melhorar as vias do litoral considerou-se uma praça de pedágio em Mogi que nada tem a ver com o foco da licitação.
O desprezo às manifestações da Cidade descortinam a face do governador e seu vice, mostrando que com eles não se pode contar. O jeitinho sabão vai se consolidando quando o assunto aperta e mostra que o pouco caso não lhes legitima a pretender votos na região nas eleições do próximo ano. Olho nisto!
Laerte Silva é advogado