Planos e metas: o que muda na Saúde em Mogi das Cruzes?
Prevista para as próximas semanas, a entrega dos prédios da Maternidade Municipal e do Centro Integrado de Atenção à Saúde (CIAS), que abrigará a Clínica do Homem e outras especialidades, no Rodeio, coincide com o aumento da capacidade de internação do Hospital Municipal Valdemar Costa Filho, localizado em Braz Cubas, graças à redução da demanda […]
12/12/2021 14h30, Atualizado há 57 meses
Prevista para as próximas semanas, a entrega dos prédios da Maternidade Municipal e do Centro Integrado de Atenção à Saúde (CIAS), que abrigará a Clínica do Homem e outras especialidades, no Rodeio, coincide com o aumento da capacidade de internação do Hospital Municipal Valdemar Costa Filho, localizado em Braz Cubas, graças à redução da demanda de tratamento da Covid-19 e suas sequelas. Um andar inteiro da unidade ainda se dedica aos pacientes com o novo coronavírus e também aos que já não têm esse vírus no organismo, mas enfrentam graves problemas deixados por ele.
Em uma entrevista a este jornal, o secretário municipal de Saúde, Zeno Morrone Júnior, ao lado da assessora de gabinete, Andréia Godoi, anunciou novidades como a expectativa de se contratar as organizações sociais que vão gerenciar a Maternidade e o CIAS, no Rodeio, durante o primeiro semestre de 2022.
Nesse mesmo período, a gestão municipal cuidará de equipar esses dois serviços, que também poderão ter os conceitos iniciais direcionados.
Outras frentes da área da Saúde estão sendo remanejadas como a manutenção do contrato de prestação de serviços para a Campanha de Vacinação contra a Covid, mas com mudanças: apenas um drive será mantido e os mogianos deverão ser atendidos nas unidades básicas, próximas de suas residências. Veja, a seguir, o que a Secretaria Municipal de Saúde prepara para ampliar as ações para o diagnóstico precoce, tratamento e cura de doenças, um tripé que foi duramente afetado pela pandemia e o isolamento social desde março do ano passado.
Hospital Municipal
Apenas um andar do Hospital Municipal de Braz Cubas recebe pacientes de Covid e de sequelas da doença. Os 30 dos 100 leitos que foram abertos para tornar a unidade referencia para a doença no Alto Tietê continuam em operação.
A expectativa da Secretaria Municipal de Saúde é ampliar as cirurgias não urgentes, que foram iniciadas com o atendimento às cirurgias ginecológicas. Nesse mutirão inicial, segundo Zeno Morrone Júnior, estão 592 mulheres, que começam a passar por consultas e avaliações, como a cardiológica. Esses procedimentos começaram a ser feitos na semana passada.
Fila de espera
Além dessas quase 600 intervenções que não são consideradas de urgência, a Prefeitura busca eliminar outra procura gerada durante a pandemia: cerca de 1.250 pessoas aguardam por outras cirurgias eletivas, sendo a mais comum, a de hérnia.
“Não são cirurgias urgentes, mas a pessoa que necessita de uma intervenção urgente está sendo atendida por meio da fila do CROSS (Centro de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde)”, garante ele.
Materno-infantil
Até o final deste mês, os serviços de alvenaria do prédio construído para ser a Maternidade Municipal de Mogi das Cruzes, ao lado do Hospital de Braz Cubas, devem ser encerrados. Uma novidade é que o local deverá funcionar como um serviço hospitalar materno-infantil, para cobrir a grande lacuna deixada para o atendimento infantil aberta no ano passado.
Antes do pesadelo surgido com o novo coronavírus, a clínica em pediatria era ofertada no Hospital de Braz Cubas, o que foi mudado quando o endereço de tornou referência para a Covid-19.
Nos últimos 21 meses, a cidade passou a contar somente com o serviço hospitalar nesta área do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, que possui capacidade enxuta porque socorre todo o Alto Tietê.
A ideia da Prefeitura é mesclar a maternidade e o atendimento pediátrico no futuro endereço, com abertura planejada para meados do ano que vem.
Licitações
A maternidade e o CIASA, que será aberto no Rodeio, serão operados por uma organização social. A licitação pública para a contratação desse prestador de serviço, bem como a compra de equipamentos para as duas unidades, são esperadas para os próximos meses.“Esperamos contratar uma OAS e encerrar esse até junho, data que o prefeito Caio Cunha fixa para a abertura desses dois novos serviços”.
Entre as especialidades planejadas para o local estão o atendimento em fisioterapia e outras terapias exigidas para combater sequelas da Covid. O homem terá atenção no local, mas não exclusivamente.
Segundo Zeno Morrone, o grande problema na prevenção às doenças do homem está na descontinuidade do atendimento. Ele conta que, durante o Novembro Azul, grande parte dos exames sequer foi retirada pelos pacientes.
“Estamos fazendo uma busca ativa aos pacientes que apresentaram risco para o câncer de próstata e não foram nem retirar o resultado”, cutucou.
Sem médicos
Na rede básica de saúde, a espera por consulta segue modelada por um problema antigo: a falta de médicos. Hoje, o deficit está em 40 profissionais, o que levou a Secretaria Municipal de Saúde a realizar um aditivo de contrato e instituir a hora extra para ampliar a capacidade de atendimento em determinadas especialidades nas unidades básicas.
A busca por mais profissionais deverá marcar os próximos meses até para atender uma nova norma técnica federal que exige das prefeituras a oferta de atendimento médico ao cidadão perto de casa.
“Nós tivemos 40 profissionais, nos últimos meses, que aposentaram, faleceram ou foram exonerados por outros motivos. Isso impactou no atendimento às consultas”, disse Zeno, lembrando que, quando ele assumiu o cargo, havia cerca de 15 mil pessoas à espera desse tipo de atendimento.
Vacina
A Prefeitura também decidiu prorrogar o contrato firmado para ampliar a capacidade de vacinação nos drives e nos postos de saúde durante a pandemia. Para garantir a terceira dose, o drive do Mogilar será mantido, mas os demais, como o de Jundiapeba, foram desarticulados. Andréia Godoi contou que, durante o processo de agendamento, a prefeitura notou que a maior parte das pessoas prefere tomar a vacina perto de casa. E, assim, nos próximos meses, essa deverá ser a dinâmica de atendimento.
Rede mogiana assiste aos moradores da vizinhança
Um dos desafios próximos a serem tirados da lista de pendências, segundo o médico Zeno Morrone Junior, secretário municipal de Saúde, será a renovação do contrato de prestação de serviços entre a Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes e a Prefeitura.
A confirmação da parceria interessa à cidade porque o hospital possui maternidade e divide com outros serviços o grande número de pessoas de outras cidades que são atendidas em Mogi.
Segundo Zeno Morrone, os serviços de saúde da cidade atrai pessoas da capital e até locais mais distantes, e não apenas as de municípios vizinhos, como seria esperado.
A pasta busca, atualmente, concluir um desenho do futuro do atendimento quando a maternidade municipal de Braz Cubas for aberta. Já está claro que ela não será apenas destinada aos partos. A demanda pediátrica hoje está nas mãos do Hospital Luzia de Pinho Melo.
Vale dizer que, antes de ser transformado em referência para a Covid, o hospital geral de porte médio construído pela Prefeitura possuía leitos cirúrgicos (28) e clínicos (14), além de pediátricos (24) e complementares (13).
Por isso, a unidade passará também a oferecer atenção a crianças e adolescentes.
O local, em 2020, mesmo com a pandemia a partir de março, realizou 417 mil procedimentos ambulatoriais e possui equipamentos como tomógrafo e ultrassonografia.
Vacina sem agendamento é aplicada somente até este sábado
Em uma ação que visou ampliar as facilidades para a vacinação das três doses em quem ainda está em atraso na imunização, a Prefeitura manteve até este sábado (11), a possibilidade de os mogianos serem atendidos sem a necessidade de agendamento prévio, em diversos locais da cidade.
Esse trabalho começou há uma semana e a estimatuva era de que uma média de 4 mil doses estão sendo aplicadas por dia. O atendimento foi realizado em demanda espontânea. A primeira dose da vacina contra a Covid-19 ficou disponível para adultos ou adolescentes a partir de 12 anos, enquanto a segunda deve seguir os intervalos do imunizante da primeira: Coronavac (15 dias); Pfizer (21 dias); e Astrazeneca (oito semanas). A terceira dose estava sendo disponibilizada para qualquer pessoa com 18 anos ou mais que tenha completado a imunização há pelo menos quatro meses. Já as pessoas que tomaram a Janssen (dose única) agora podem receber a dose de reforço com Pfizer a partir de dois meses.
A partir de segunda-feira (13/12), a vacinação volta a exigir o agendamento online: www.cliquevacina.com.br .