Pré-candidato à presidência do UP defende socialismo e reforma urbana
O primeiro pré-candidato à presidência da República, Leonardo Péricles, representante do partido Unidade Popular (UP), a mais nova legenda do País, durante visita à Mogi, defende o socialismo, com mudanças estruturais no País. Para tirar o Brasil da crise econômica, ele propõe a realização de uma auditoria e um referendo popular para avaliar a possibilidade […]
06/05/2022 18h09, Atualizado há 51 meses
O primeiro pré-candidato à presidência da República, Leonardo Péricles, representante do partido Unidade Popular (UP), a mais nova legenda do País, durante visita à Mogi, defende o socialismo, com mudanças estruturais no País. Para tirar o Brasil da crise econômica, ele propõe a realização de uma auditoria e um referendo popular para avaliar a possibilidade de suspender o refinanciamento da dívida pública, rever as reformas trabalhista e previdenciária e direcionar os investimentos para as áreas sociais.
Morador de ocupação em Belo Horizonte e líder de movimentos sociais, o pré-candidato, durante uma entrevista a O Diário, nesta sexta-feira (6), acompanhado de outros integrantes do UP, falou sobre as principais bandeiras do partido, que inclui a taxação de riquezas, fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e da escola pública, além de uma ampla reforma agrária e urbana para resolver questões de moradia e acabar com a fome e desemprego no Brasil
Péricles, 40 anos, negro, profissional técnico em eletrônica e mecânico de manutenção de máquinas disse que está disposto a encarar uma campanha utilizando a sola do sapato, indo para a periferia, conversando olho no olho para compensar a falta de espaço da legenda para veicular propaganda política na televisão e recursos do fundo partidário para divulgar sua nome como pré-candidato à presidência.
Ele afirma que quer fazer diferente de tudo o que já foi feito até agora no Brasil tanto pela direita como esquerda. Apesar de dizer que “não se pode” fazer comparação do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) – a quem ele faz uma “profunda oposição”, com partidos de esquerda como o PT, ele acha quando da oportunidade, os governos petistas poderiam ter avançado mais.
“Em termos concretos, o PT apenas deu um pouco mais de migalhas. Arrancou mais migalhas do banquete das classes dominantes, e eu não estou aqui para discutir migalhas e sim o acesso ao banquete todo. Mas, mesmo assim o PT não é a mesma coisa que Bolsonaro. Durante os governos do PT não teve, por exemplo, defesa para fechar o STF e o Congresso nacional, tentativa de impor uma ditadura, apologia a tortura, e nem foi promovido o processo de genocídio do nosso povo. Mas a nossa divergência é mais do ponto de vista econômico. Poderia ter feito uma auditoria na dívida pública e não fez, assim como não taxação de grandes fortunas”.
Além disso, Péricles aponta também alianças que o PT fez com setores que sempre governaram contra o povo, como o MDB e PSDB. “Isso é uma governabilidade burguesa porque amarra. Mesmo vencendo a eleição não vai ter a maioria para ganhar a eleição e ai não muda o Brasil”.
O objetivo da Unidade Popular, como explica o pré-candidato, não é promover uma política paternalista e assistencialista. Em vez de investir em políticas de transferência de rendas e ampliar os benefícios assistencialistas, o que ele quer dar condições para que as pessoas tenham emprego e renda para sobreviver com dignidade.
Os desafios são grandes, como ele mesmo reconhece, mas entende que promover as mudanças que considera importantes para transformar o Brasil, “é um sonho possível”, com a força popular, que foi o que permitiu a própria existência do UP, único partido que conseguiu se viabilizar sob a nova legislação eleitoral, diferente do presidente Bolsonaro que não conseguiu emplacar o Aliança pelo Brasil, uma sigla que ele pretendia criar em 2020.
“Registramos a UP fazendo o chamado trabalho ce base. Quando a gente registrou o partido já foi uma sensação que nos reforçou ainda mais. Foi uma grande tarefa, por ter sido o único partido que se registrou sob essa nova legislação, sem nenhum parlamentar, só com lideranças como eu. E para entender o tamanho dessa realização, o atual presidente – Jair Bolsonaro -, mesmo com o apoio de grandes empresários, com muitos parlamentares e inclusive com pastores de grandes igrejas e donos de cartório e deram com burros na agua, agora oficializou”, comparou.
Dívida
Com essa demonstração de força popular, ele entende que é possível implementar um sistema socialista no Brasil. Segundo ele, isso não é uma utopia, mas sim propostas que podem ser retornar realidade em curto prazo, começando com uma auditoria na dívida pública e a realização de um plebiscito para redimensionar os investimentos e rever as leis trabalhistas, previdenciárias, taxar as riquezas, e promover uma reforma agrária e uma reforma urbana em prol da moradia, sua bandeira nos movimentos. Ele afirma que tudo isso seria feito com a convocação de um referendo revogatório, como está previsto na Constituição.
Péricles aponta que a dívida equivale a R$ 1,9 trilhão do total do orçamento de R$ 4,7 trilhões do País para este ano, e a suspensão desse pagamento permitiria vultuosos investimentos para tirar o país da crise econômica. “Esse é um sistema que implodiu a política econômica do Brasil. São R$ 573 bilhões para pagamento de juros e amortização da dívida. Ou seja: o país consome metade do orçamento com o refinanciamento e pagamento de juros e amortização de uma divida que foi construída contra o interesse do povo brasileiro”. Com esse valor, afirma que seria possível construir 318 mil UPAS em um ano no Brasil, calculando o preço de R$ 1,8 milhão por unidade.
Moradia
Desafogar as grandes cidades do Brasil, levar as pessoas de volta para o campo e promover uma ampla reforma agrária e urbana são as propostas que ele defende para resolver a questão habitacional. Ele entende que é insustentável ficar construindo novas moradias e apesar do aumento do déficit, afirma que isso não pode ser quantificado da forma capitalista porque a especulação imobiliária acaba ganhando com os processos de ficar construindo prédios populares.
“Defendo a legislação para avançar e usar o que está pronto, todas as grande cidades tem prédios inteiros abandonados, devem mais IPTU do que o valor e tem instrumentos para fazer desapropriação. Proponho utilizar os espaços vazios, fazer a função social das propriedades e readequar e reutilizar as cidades. Melhorar a infraestrutura das favelas e melhor o que está pronto”, reforça.