Prefeitura de Mogi avalia que 80% de pessoas em situação de rua são usuárias de drogas
Atualmente há 162 pessoas em situação de rua acolhidas nos abrigos permanentes conveniados com a Prefeitura de Mogi, segundo informações da Secretaria Municipal de Assistência Social. A Pasta alega que não foi registrado aumento dessa população na cidade, mas afirma que equipes do Centro Pop e do Serviço Especializado de Abordagem Social à População de […]
11/08/2022 15h18, Atualizado há 48 meses
Atualmente há 162 pessoas em situação de rua acolhidas nos abrigos permanentes conveniados com a Prefeitura de Mogi, segundo informações da Secretaria Municipal de Assistência Social. A Pasta alega que não foi registrado aumento dessa população na cidade, mas afirma que equipes do Centro Pop e do Serviço Especializado de Abordagem Social à População de Rua (Seas) identificaram alteração no perfil deste público no município.
A gestão não informou sobre o número total de pessoas, incluindo as que estão fora de casas de acolhimento, mas no último mês de maio, a secretária municipal de Assistência Social, Celeste Gomes, informou a O Diário que a cidade tinha 150 pessoas acolhidas e outras 150 propriamente na rua, somando ao todo 300 pessoas.
Os responsáveis pelo atendimento dessa população no município observam que o que aumentou foi o número de jovens com idades entre 18 e 35 anos em situação de rua que fazem uso abusivo de substâncias ilícitas, enquanto a quantidade de usuários de álcool tem diminuído, em função principalmente de óbitos.
Uma avaliação sobre o perfil dessa população feito pelos profissionais demonstra que é possível estimar que 80% são usuários de substâncias psicoativas, 15% têm demanda psiquiátrica grave e 5% estão nas ruas por questões socioeconômicas, como falta de emprego e moradia.
Este último grupo, como destaca a gestão, apresenta maior potencial de superação da situação de rua, uma vez que não há substância psicoativa como elemento dificultador. Importante destacar que esses são os fatores mais recorrentes, mas, em muitos casos, a situação de rua é desencadeada por uma soma de aspectos.
A Prefeitura ressalta ainda que nos últimos dois anos houve uma redução dos espaços públicos ocupados, como no caso do coreto que está instalado no Largo Bom Jesus e da Praça João Antonio Batalha, no Shangai, alguns dos locais que costumavam reunir de forma constante grupos de pessoas em situação de rua. As equipes que fazem o atendimento relatam que isso não ocorre mais com tanta frequência, apesar de afirmarem que o trabalho de abordagem nesses locais permanece, conforme surge a demanda.
A Pasta observa também que Mogi das Cruzes recebe diariamente um número significativo de pessoas vindas de outros municípios. Muitas seguem viagem para outros locais, enquanto outras permanecem. Hoje há grupos identificados na praça Francisco Urbano, em Braz Cubas, e na região central da cidade, além de usuários acumuladores de itens.
As abordagens, como explica a Assistência Social, são feitas constantemente pelos profissionais para identificação e encaminhamento para abrigos, retorno à família ou ao município de origem. A equipe técnica do Centro Pop também atua junto às famílias buscando resgate dos vínculos fragilizados.
Outra ação considerada importante pela gestão é o elo e a aproximação do trabalho da Assistência Social com equipamentos de saúde mental da Secretaria de Saúde, como CAPS-AD e CAPS 2. Isso possibilita implementar estratégias de prevenção e atenção aos usuários de substâncias psicoativas e com transtornos mentais. Também foi ampliada a articulação com as secretarias de Segurança, Infraestrutura Urbana e Saúde, com atenção especial aos grupos de usuários que têm sido identificados pela cidade.
O coordenador do Centro Pop, Osni Damásio, também destaca que o fenômeno envolvendo pessoas em situação de rua é nacional e está relacionado diretamente às questões sociais. “As políticas públicas precisam se unir para enfrentar esse problema, que não é exclusivo da Assistência Social. Felizmente, temos tido sucesso no trabalho intersetorial em Mogi. A participação da sociedade civil também tem sido muito importante”, diz.
O Centro Pop é um equipamento especializado no atendimento desse público e tem o propósito de atender famílias e indivíduos nas mais diversas situações de vulnerabilidade social ou violação de direitos. O local conta com equipe de assistentes sociais, psicólogos, agentes sociais e auxiliares de apoio administrativo. Fica localizado na avenida José Benedito Braga, 496, no Mogilar
Difícil convívio
A presença dos moradores de rua em alguns locais é motivo de muitas reclamações por parte dos residentes das proximidades, que reclamam de barulho, sujeira, brigas, entre outros problemas. Sobre isso, a Prefeitura aponta que as principais queixas por parte da população surgem quando há grupos de usuários de substâncias psicoativas e acúmulo de materiais inservíveis.
Foram publicadas recentemente nas redes sociais imagens de grupos de pessoas que estavam ocupando um imóvel vazio na rua Ricardo Vilela, no centro da cidade, também motivo de reclamações de pessoas que residem naquela área. A Secretaria de Assistência declara que já tem conhecimento do problema, faz o acompanhamento do caso e explica que houve foi uma migração de um grupo que antes ficava na praça Diego Chavedar, anexa ao Complexo Viário Tirreno da San Biagio.
O proprietário do imóvel, segundo a Pasta, já está sendo acionado para que tome as providências e a Secretaria segue ofertando as alternativas disponíveis, como encaminhamento para acolhimento institucional e tratamento nas unidades do CAPS. Lembra ainda que se trata da oferta dos serviços, ou seja, a adesão é voluntária e depende do desejo da pessoa.