Professor da UMC analisa como o preconceito racial pode afetar a saúde mental
Em julho, mês em que é celebrado o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, o psicólogo e professor da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Flávio Alves da Silva, destaca como o preconceito e a discriminação racial afetam e mudam o comportamento da sociedade e de uma pessoa que passa por isso. Segundo Silva, […]
20/07/2021 10h26, Atualizado há 61 meses
Em julho, mês em que é celebrado o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, o psicólogo e professor da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Flávio Alves da Silva, destaca como o preconceito e a discriminação racial afetam e mudam o comportamento da sociedade e de uma pessoa que passa por isso.
Segundo Silva, ao longo do tempo a sociedade vem perpetuando muitas ideias e falas preconceituosas, que levam muitas vezes a comportamentos racistas.
“Quem cresceu nos anos 90 sabe muito bem como sociedade e a cultura naturalizava o racismo por meio de ‘brincadeiras’ e representações negativas, o que sustenta essas atitudes que temos até hoje”, ressalta.
Ainda de acordo com o professor, no âmbito psicológico, isso afeta diretamente a vivência da população negra, levando a pessoa a se perceber e ser percebida como inferior em alguns contextos, sendo tomada como incapaz de realizar atividades, além de não encontrar referências positivas que a represente.
Ele também ressalta que a psicologia até hoje encontra dificuldade de identificar o racismo como elemento de sofrimento psíquico, mesmo com toda a discussão sobre o tema nos espaços da profissão.
“Nós não podemos culpabilizar a população negra pelo racismo, nem tirar dela o lugar de vítima. Muita gente toma as posturas de contestações e resistência ao racismo como ‘mimimi de internet’, e não como um conjunto de ações e atitudes presentes e autorizadas ao longo da história na sociedade brasileira, que inferiorizam a população negra e lhes causa riscos à sua saúde mental, como o desenvolvimento de quadros depressivos e ansiosos e que são desconsiderados por profissionais de saúde, por exemplo”, destaca.
Ainda de acordo com o professor, muitas vezes as condições que são postas pra pessoas negras lhes tiram a possibilidade de uma vida minimamente digna, dificultam o seu crescimento e ascensão social, não lhes permitindo posições de prestígio.
Racismo é crime. Em caso de injúria ou discriminação, procure a delegacia mais próxima e denuncie.