Professores da Etec de Mogi decidem aderir à greve a partir desta terça-feira (8)
Professores do período da manhã da ETEC Presidente Vargas, no Centro, em Mogi das Cruzes, decidiram aderir à greve por prazo indeterminado que terá início amanhã (8). A categoria reivindica reajuste salarial para cobrir as perdas salariais, melhores condições de trabalho e a abertura de diálogo com o Centro Paula Souza, que administra a escola […]
07/08/2023 11h39, Atualizado há 34 meses
Professores do período da manhã da ETEC Presidente Vargas, no Centro, em Mogi das Cruzes, decidiram aderir à greve por prazo indeterminado que terá início amanhã (8). A categoria reivindica reajuste salarial para cobrir as perdas salariais, melhores condições de trabalho e a abertura de diálogo com o Centro Paula Souza, que administra a escola pública. A paralisação poderá afetar ETECs da região do Alto Tietê, como em Suzano e Itaquaquecetuba.
O Centro Paula Souza afirmou em nota que elabora um plano de carreira para o segmento e que a Bonificação por Resultados será paga em outubro. ´Promete, ainda, atuar para que não haja prejuízos aos estudantes das ETECs e Fatecs (Faculdade de Tecnologia de São Paulo), onde funcionários podem paralisar as atividades nesta terça-feira.
Segundo professores da ETEC Presidente Vargas, que participaram da assembleia realizada no período da manhã, a espectativa é de adesão de 90% dos educadores do período da manhã. Reuniões dos períodos da tarde e noite estavam programados para o decorrer desta segunda-feira.
Um das reivindicações do movimento é a melhoria salarial, com a adoção de um reajuste que corrija perdas financeiras e também a adoção de índices de reajuste a todos os profissionais.
Em uma carta aberta, o Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza, a categoria defende que os 6% de reajuste anunciados pelo governo do Estado não repõe as perdas salariais.
De acordo com o movimento, os professores receberam 7% de reajuste enquanto os profissionais administrativos receberam 3,5% de reajuste neste ano. Enquanto isso, a inflação acumulada entre 2014 e 2022 chegou a 69,67% e o reajuste médio no período foi de 15,77%.
O que diz o Estado
O Centro Paula Souza (CPS) afirma que os alunos não deverão ser prejudicados pela greve. A instituição garante que “trabalha para valorizar os servidores da instituição”. Além disso, Bonificação por Resultados (BR), “referente ao ano de 2022, por exemplo, já foi publicada no Diário Oficial do Estado e será o paga até outubro, podendo ser antecipada para setembro”.
A atual gestão do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, concedeu um reajuste acima de inflação para os servidores públicos.
Acrescenta ainda que “o estudo para o novo Plano de Carreiras dos servidores do CPS está em andamento e contava, até o dia 23 de junho, com a participação de representantes do sindicato, que optaram por se desligar do grupo de trabalho. A proposta do novo plano de carreira será encaminhada às instâncias responsáveis pela sua análise até setembro, e as contribuições do Centro Paula Souza serão avaliadas.
A resposta também cita o investimento nas Etecs e Fatecs para ampliar as oportunidades de acesso à formação profissional gratuita em São Paulo, ‘um compromisso da atual gestão’.
Sobre o impacto na vida dos estudantes virtualmente afetados pela adesão ao movimento grevista, o Estado informa que “adotará todas as medidas necessárias para garantir que os estudantes não sejam prejudicados em uma eventual paralisação da categoria”.
Eis a carta aberta encaminhada aos professores e trabalhadores das Etecs:
“A decisão da categoria em entrar em greve por prazo indeterminado no início do segundo semestre (8/8/2023) é uma medida que representa a gravidade da situação que estamos enfrentando como trabalhadores da educação profissional, técnica e tecnológica pública do Estado de São Paulo. A greve é o último recurso para buscarmos a valorização que merecemos.
É lamentável que tenhamos chegado a esse ponto, por completa indiferença do governo do estado de São Paulo em dialogar com os trabalhadores e atender nossas justas reivindicações, mas é importante compreendermos que a greve é uma ferramenta legítima para reivindicar nossos direitos e buscar a melhoria das condições de trabalho.
Queremos deixar claro os motivos e as razões que levaram a categoria a tomar de decisão de deliberar pelo SIM à adesão à greve convocada pelo Sinteps:
Desvalorização salarial: Nossa política salarial (Cruesp) vem sendo desrespeitada; ao longo dos anos, temos enfrentado uma crescente defasagem salarial, o que resulta em perdas significativas em nosso poder de compra. Os 6% de reajuste salarial anunciados pelo governo para o resto do funcionalismo não repõem nossas perdas:
Ano Inflação (%) Reajuste (%)
2022 5,79 10%
2021 10,06 –
2020 4,52 –
2019 4,31 –
2018 3,75 3,5% ;7%*
2017 2,95 –
2016 6,26 –
2015 10,67 –
2014 6,41 –
Obs.: os professores receberam 7% de reajuste enquanto os administrativos receberam apenas 3,5% de reajuste. Inflação acumulada no período: 69,67%; Reajuste médio no período: 15,77%.
Condições precárias de trabalho: As condições em que exercemos nossas funções têm se deteriorado, com falta de trabalhadores, o que leva à sobrecarga de trabalho, falta de infraestrutura adequada, falta de equipamentos tecnológicos atualizados. Não são raros os casos de colegas exaustos, de prédios caindo e chuva entrando nos locais de trabalho;
Desmonte da educação técnica e tecnológica pública: A educação profissional, técnica e tecnológica pública desempenha um papel fundamental na formação de profissionais qualificados para o mercado de trabalho. No entanto, temos observado um descaso por parte do governo Tarcísio ao empenhar seu projeto de ampliação da oferta de cursos técnicos de maneira precarizada, por meio da rede estadual de educação, configurando uma ameaça ao financiamento do Centro Paula Souza e aos nossos empregos, bem como um gritante desvio de recursos públicos para iniciativa privada;
Falta de diálogo e negociação: A greve por prazo indeterminado também reflete a frustração com a falta de diálogo e negociação por parte das autoridades responsáveis. Desde o mês de janeiro/2023, procuramos o governador de São Paulo para negociar a pauta de reinvindicações, esclarecer o planejamento do estado para a instituição e como isso refletirá em nossas vidas. Protocolamos a pauta de reivindicações da categoria para a data-base 2023 junto ao governador, ao secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, e à superintendência do Ceeteps, porém, até o momento não houve respeito aos trabalhadores do Centro Paula Souza: nada de pagamento da bonificação por resultados, nada de concretização do projeto de lei complementar que alterará nossas carreiras como reivindicamos desde 2015.
A greve por prazo indeterminado é um instrumento para que as autoridades assumam suas responsabilidades e atendam às nossas demandas pela realização de concursos públicos, jornada de trabalho para os docentes, pela valorização efetiva do pessoal técnico-administrativo e auxiliares de docente, melhorias dos benefícios e extensão para TODOS. Enfim, para que melhores condições de trabalho sejam conquistadas.
Ao aderir à greve, estamos exercendo nosso direito de manifestação e demonstrando nossa união como categoria. É um momento de solidariedade e apoio mútuo, quando nos fortalecemos coletivamente para enfrentar os desafios que se apresentam. É uma oportunidade de mostrar que estamos dispostos a lutar pelo que merecemos e que não aceitaremos continuar sendo desvalorizados.
Devemos lembrar que a greve não é um fim em si mesma, mas sim um meio de pressionar as autoridades a tomarem medidas concretas para nos valorizar. Ela causa impactos tanto para os trabalhadores, quanto para os estudantes, porém, historicamente mediante negociação do Sinteps, para não termos prejuízo funcional, nos comprometemos a repor os dias parados, pois nosso objetivo não é prejudicar nossos alunos e sim sermos efetivamente respeitados pelo governo e pela Superintendência.
Lembre-se de que a greve é uma ação temporária, que pode ser longa, mas suas consequências podem ser duradouras. Vamos utilizá-la de forma consciente e estratégica, buscando sempre o diálogo e a negociação como caminhos preferenciais, mas sem abrir mão de lutar por nossos direitos e nossa valorização.
Portanto, convidamos você a refletir sobre a importância da greve como um poderoso recurso para sermos valorizados. Participe ativamente dessa mobilização. Juntos, podemos mostrar às autoridades e às instituições que merecemos respeito, reconhecimento e valorização em nosso trabalho.
Se a sua unidade não fez a discussão, ainda há tempo. Você e os colegas também podem solicitar uma reunião online com diretores do Sindicato, para sanar todas as dúvidas que tiverem. Para isso, escreva para [email protected] pedindo o agendamento.
Contamos com sua participação, pois juntos, como uma categoria unida, assim como ocorreu em greves anteriores, temos mais chances de conquistar nossas reivindicações e de garantir à população paulista, que tanto reconhece a importância das ETECs e das FATECs, a oferta de educação profissional e tecnológica pública de qualidade em nosso Estado.
Unidos na greve, estaremos mais fortes e teremos maiores chances de conquistar as melhorias que almejamos. Sejamos perseverantes e determinados na busca pela valorização que merecemos”.