Quase 10 anos após crime, médico acusado de matar o avô vai a júri em Mogi
Quase 10 anos após o crime, vai a júri popular nesta sexta-feira (2) o médico Lothar Gustav Hoehne Kaltmaier. Ele é acusado de matar o avô paterno Gerhard Kaltmaier, de 81 anos, a facadas em 30 de setembro de 2011, durante uma discussão no escritório da vítima. O júri popular havia sido adiado em 2018 […]
02/07/2021 10h08, Atualizado há 62 meses
Quase 10 anos após o crime, vai a júri popular nesta sexta-feira (2) o médico Lothar Gustav Hoehne Kaltmaier. Ele é acusado de matar o avô paterno Gerhard Kaltmaier, de 81 anos, a facadas em 30 de setembro de 2011, durante uma discussão no escritório da vítima.
O júri popular havia sido adiado em 2018 atentendo a um pedido do advogado de defesa, que alegou problemas de saúde. Novamente, nesta sexta-feira, um atestado médico foi apresentado pelo advogado e deverá ser apreciado na abertura dos trabalhos.
O júri está marcado para começar às 13h desta sexta-feira, no Fórum Criminal de Mogi das Cruzes, em Braz Cubas. Não haverá público por conta da pandemia do novo coronavírus. Na pronúncia do processo, Lothar é acusado de homicídio triplamente qualificado, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Gustav responde pelo crime em liberdade.
O assistente de acusação, advogado Marco Soares, disse que não há nada de particular a ser apresentado durante o júri, que eles devem reforçar que se trata se um crime com qualificadores que permitem deduzir que o ato não permitiu qualquer tipo de defesa por parte da vítima, de motivo fútil e levar essas considerações ao jurados.
A expectativa do advogado é de que a sentença seja proferida até o final da tarde ou começo da noite desta sexta-feira.
O caso
Segundo o relato do acusado à polícia, à época, ele tinha retornado ao escritório do avô para buscar o dinheiro referente a um débito que o pai dele tinha no Paraná, no valor de R$ 2 mil. Que, na ocasião, o avô começou a falar de seu pai, criticando-o por não ter se formado na universidade, que ainda dependia das finanças do avô e que Gustav estava indo pelo mesmo caminho.
Gustav afirmou ainda em depoimento que o avô era contra ele e sua irmã cursarem medicina, porque considerava que o seu pai não tinha condição para bancar o curso que, segundo o neto, era custeado pela mãe, pai e a avó materna.
“Narrou que a vítima falou algumas coisas do seu pai, lhe acusou de não ter condições de fazer medicina e lhe ofendeu, falando que ele era viado, e que não iria bancar um viado saindo com homem e fazendo medicina. Então a vítima falou de sua mãe, que tudo era culpa dela, que seu avô sempre foi contra o casamento dos seus pais, e que sua mãe era puta, vagabunda”, consta no processo.
O acusado relatou que, neste momento, “cegou” e olhou para a mesa a fim de pegar algo para agredir o avô. Que viu a faca sobre a mesa, a pegou e lembra-se de ter dado dois ou três golpes na região do ombro esquerdo. Depois deixou o escritório, mas depois voltou ao local quando caiu em si do que havia acontecido. Entretanto, quando chegou imaginou que o avô estivesse morto, porque não se mexia. Ele então deixou o lugar e se apresentou na delegacia dias depois.
A secretária de Gerhard, Roseli do Prado Novo, relatou durante depoimento que não ouviu briga. Em dado momento, ela escutou apenas o barulho de algo caindo e depois um “ó” muito alto e foi ver o que estava acontecendo. Como se deparou com o acusado saindo em disparada, ela pensou que ele tinha ido buscar socorro. Depois, o acusado voltou e saiu de novo. Ela acionou o resgate e também a filha Lara.
Em 2018, em entrevista a O Diário, Lara Kaltmaier Vanini disse que a família não tem mais contato com o acusado desde a reconstituição do crime, em 2012. Apenas soube que ele se formou em medicina.
“A gente tinha uma relação muito próxima, realmente de família. Ele estava em casa, brincando com meus filhos. Sempre teve um problema com o meu pai por conta do dinheiro, porque achavam que o meu pai deveria cobrir os buracos que ele abria”, relembrou Lara.
A reportagem de O Diário tenta contato com o advogado de defesa.