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Restrição de bebida alcoólica penaliza bares e restaurantes

A pandemia da Covid-19 determinou o fechamento de 45 dos 55 empreendimentos dessa área ligada aos bares e restaurantes em Mogi das Cruzes desde o início do ano. no mesmo setor, uma das mais tradicionais casas noturnas que cerrou as portas foi o Buxixo, que funcionou durante 19 anos na praça Norival Tavares. No final […]

Por O Diário
14/12/2020 18h20, Atualizado há 66 meses

A pandemia da Covid-19 determinou o fechamento de 45 dos 55 empreendimentos dessa área ligada aos bares e restaurantes em Mogi das Cruzes desde o início do ano. no mesmo setor, uma das mais tradicionais casas noturnas que cerrou as portas foi o Buxixo, que funcionou durante 19 anos na praça Norival Tavares. No final de semana, a proibição da venda de bebidas alcoólicas e a restrição de funcionamento de bares e restaurantes afetou o movimento no segmento, segundo afirma o empresário Pablo Monteiro, também proprietário de duas escolas particulares em Mogi das Cruzes e Guararema. 

Hoje,15, uma liminar suspendeu a proibição da venda de bebida alcoólica determinada pelo Governo do Estado na sexta-feira. Leia mais: 

Monteiro esperava  uma reação da categoria à determinação do Plano SP de Retomada Econômica. Ele contou que notou uma redução no total de clientes do restaurante Bottega 3, na Praça Norival Tavares, no último final de semana. “As pessoas acompanham o noticiário sobre as restrições e pensam, opa! Vou ficar em casa”, comenta, afirmando que o tratamento dado ao setor tem sido prejudicial desde o início do enfrentamento da pandemia, nas regras do Plano SP de Retomada Econômica.

Os resultados foram o fechamento de postos de trabalho e a operação no vermelho dos empreendedores que tiveram de permanecer fechados durante meses. Monteiro estima que o setor de tabacarias registrou o fechamento de 40 estabelecimentos na cidade.

“Houve certo amparo ao trabalhador, com a redução dos salários, mas isso não está sendo cogitado agora. E, assim como no passado, o comerciante não deverá ter fácil acesso ao crédito anunciado pelo governo federal. Eu acredito que para sair dessa situação só tem um caminho, o início da vacinação”, resume.

O empresário conta que nas casas Bottega 3 e Ember Lounge Bar, onde também funciona uma tabacaria, os empregos fixos foram mantidos. Porém, colaboradores frelancers ficaram sem o trabalho porque atuavam em função da abertura da casa noturna, quatro vezes por semana. Ali, Monteiro gerava 50 empregos por dia.

“Esse setor foi um dos mais prejudicados, desde o início. E agora, no final do ano, quando as comemorações e confraternizações eram esperadas, somos surpreendidos por essa decisão autoritária do governo estadual”, diz, sem conseguir prever quando os negócios nesta área voltarão a se estabilizar.

Pablo Monteiro estudou Políticas Públicas na Universidade de São Paulo (USP) e foi liderança do Movimento Estudantil em Mogi das Cruzes. Ele considera um erro do Governo do Estado tentar “segurar” o jovem em casa, com as restrições aos bares e casas noturnas. “Quem sai, continuará saindo”, diz, sinalizando a conscientização como um caminho. “No meu caso, por causa da pandemia, eu passei a morar sozinho e visito poucas vezes meus avós porque preciso continuar trabalhando”, exemplifica.

Provocado sobre as dificuldades em se manter o distanciamento e o uso de máscara nestes espaços, Monteiro admite a situação. No entanto, defende como importante preservar a saúde, mas também a economia. “O meu maior medo é a miséria, as dificuldades econômicas que virão, justamente agora, quando o mercado começava a voltar a funcionar”.

No ramo de restaurantes, a pandemia teve períodos distintos. Ele lembra que, no início, houve um aumento de 400% nas entregas por delivery. “Depois, esse índice caiu, com a reabertura gradual, mas ainda hoje, das 60 mesas que temos, podemos usar apenas 24”.

Para o empreendedor, as regras do Plano SP deveriam encontrar outros meios, que não a proibição da venda de bebida alcoólica, depois das 20 horas. O argumento dele é que as pessoas vão continuar consumindo e se aglomerando, enquanto que a extensão do horário, como no comércio, favorece a descentralização do público.

Educação

Monteiro também enfrenta as dificuldades na educação privada. Proprietário da escola Marechal Rondon, em Mogi das Cruzes, e do Colégio Integrado de Guararema, ele acompanhou as dificuldades do segmento desde março. Ele afirma que houve, em meados do ano, a ampliação da inadimplência e o fechamento de matrículas nos cursos técnicos. Antes da alta dos casos, que caminha para se caracterizar como uma segunda onda, o empresário acreditava no início das aulas presenciais, no próximo semestre. Porém, agora, já vê a possibilidade com certo distanciamento. “Eu estava com uma expectativa muito positiva, em função, inclusive, da demanda dos pais e alunos. Todos estão cansados, começamos a acompanhar crianças e jovens com depressão. Mas, a alta dos casos sem o início rápido da vacinação, e a troca de responsabilidades entre os governo federal e estadual, podem adiar o retorno às aulas”, conjectura.

Na Justiça

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel-SP) iniciu algumas ações judiciais contra o aumento de restrições ao funcionamento de bares e restaurantes, anunciadas pelo governo do Estado, na semana passada. A entidade pretende reverter a decisão que suspendeu a venda de bebidas alcoólicas nos restaurantes, as restrições que a entidade considera abusivas.

A primeira liminar, contra a suspensão da venda de bebida alcoólica foi obtida. Já a restrição do horário de funcionamento de bares e similares continua valendo.

Na Capital, a entidade afirma que cerca de 12 mil estabelecimentos fecharam as portas em definitivo e no estado 50 mil.

 

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