Rosana Pierucetti assina carta de número 65 contra o pedágio
Nesta quarta-feira (18), a advogada Rosana Pierucetti, presidente da Organização Não-Governamental (ONG) Recomeçar, assina a carta publicada por O Diário endereçada ao Governo do Estado de São Paulo com argumentos contrários à instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra. Diariamente, desde 1º de maio, o jornal traz uma carta escrita por liderança ou representante da sociedade civil de […]
18/08/2021 08h02, Atualizado há 60 meses
Nesta quarta-feira (18), a advogada Rosana Pierucetti, presidente da Organização Não-Governamental (ONG) Recomeçar, assina a carta publicada por O Diário endereçada ao Governo do Estado de São Paulo com argumentos contrários à instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra.
Diariamente, desde 1º de maio, o jornal traz uma carta escrita por liderança ou representante da sociedade civil de Mogi das Cruzes e cidades do Alto Tietê, apontando os prejuízos que a praça de cobrança poderá provocar ao município e à região.
O texto não tem interferência editorial do jornal e apresenta as justificativas e defesas do próprio convidado que utiliza o espaço para expor seus argumentos contra o pedágio
Ao Governo do Estado
Nós, da ONG Recomeçar de Mogi das Cruzes, que faz atendimento a mulheres, crianças e jovens com risco iminente de morte por violência doméstica, vimos por meio dessa manifestar todo o nosso repúdio a respeito da possibilidade do Governo do Estado de São Paulo implantar um pedágio na rodovia Mogi-Dutra.
Estamos vivendo um dos momentos mais difíceis de nossas vidas. A Covid-19 deixa rastros irreparáveis, com milhares de mortos, mas as consequências econômicas da pandemia também nos afetam de forma aguda. O desemprego está crescente e as empresas sentem dificuldade de manter suas atividades e colaboradores. Muitas não resistiram e fecharam as portas. As que sobreviveram, no entanto, não podem ser sufocadas com medidas economicamente prejudiciais, com a alta dos preços e a queda vertiginosa do poder de compra. No final, o impacto disso tudo acaba sendo na população mais pobre, sobretudo nas mulheres, que não raras as vezes são responsáveis pela manutenção da família.
Cobrar pedágio na Mogi-Dutra, assim como na Mogi-Bertioga (outra possibilidade levantada pelo Estado, absurda), é dificultar em diferentes frentes a vida de todos os que aqui residem e se sustentam. Essas rodovias são os principais eixos de ligação entre os produtores e o escoamento da produção, tanto em direção à Capital e Interior, como para o Litoral e o Porto de Santos. O pedágio acabaria aumentando os preços da mercadoria final. Perdem todos, pois se acrescentam custos a alimentos, a transportes, a quem tem que se deslocar para estudar e principalmente àquela população mais pobre que acaba tendo que pagar mais caro para ter acesso a produtos básicos.
Além disso, com a vacina e a perspectiva de melhora da pandemia, torcemos para que o turismo volte ao normal, mas com pedágios, infelizmente, todo esse processo ficaria prejudicado. Fora o impacto profundo que existiria na vida de quem mora nos entornos dessas estradas e que necessitam se locomover dentro da própria cidade.
Por tudo isso, manifestamos para que o governador João Doria reavalie esse projeto e que atenda aos anseios de nossa população.
Rosana Pierucetti
Advogada e presidente da ONG Recomeçar