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Seguindo os passos do Bom Velhinho

Inspirado pelos quase 30 anos de carreira do pai, Antônio Ricardo Janzantti, que atua como Papai Noel em várias cidades do Estado de São Paulo, Augusto Janzantti Neto, 41, decidiu se tornar o bom velhinho a partir de 2021. Com a infância marcada pelas memórias dos natais em família, desde muito cedo teve o incentivo […]

Por O Diário
19/12/2021 08h06, Atualizado há 56 meses

Inspirado pelos quase 30 anos de carreira do pai, Antônio Ricardo Janzantti, que atua como Papai Noel em várias cidades do Estado de São Paulo, Augusto Janzantti Neto, 41, decidiu se tornar o bom velhinho a partir de 2021. Com a infância marcada pelas memórias dos natais em família, desde muito cedo teve o incentivo à crença sobre quem entrava no meio da noite para colocar os presentes na árvore de Natal. Essas lembranças afetivas ficaram ainda mais marcadas quando ele, ainda criança, descobriu que era o próprio pai quem cumpria esta tarefa.

Em 2020, no ano em que o mundo já sofria com a pandemia e as antigas tradição tiveram que ser adaptadas, o contato das crianças com o Papai Noel também precisou mudar. Foi nesse contexto que Augusto, formado em Ciências da Computação, pode ajudar o pai a reformular aquele momento especial de final de ano.

“Montei uma estrutura no meu antigo quarto, na casa dos meus pais, e fizemos um mini estúdio com a temática natalina”, relata, destacando como as videochamadas se tornaram uma alternativa para ouvir os pedidos dos baixinhos. “Para divulgação, criamos um perfil no Instagram, mas também o “boca a boca” ajudava muito”, conta, acrescentando como as redes sociais foram importantes para o compartilhamento dessa novidade, garantindo o distanciamento e todos os protocolos no período em que ainda não havia as vacinas.

Foi neste contexto que o analista de sistema pode ter uma proximidade ainda maior com a dinâmica da profissão do pai. Era ele quem administrava a página da rede social criada para divulgação do serviço de ligações e quem falava com os pais buscando informações prévias do filho para que, na hora da conversa, a criança fosse surpreendida pelo personagem. “Conversava com o pai ou a mãe para saber como era o filho, o nome, gostos e brincadeiras preferidas. O Papai Noel já ligava para a criança com a carta na manga, conhecendo um pouco dela e ela era surpreendida. Achavam fantástico, tornando a experiencia ainda mais mágica”, diz.

Feita a decisão, faltando seis meses para este dezembro, ele já começava os preparativos para a nova atuação. Deixar a barba crescer foi um dos primeiros passos, o que destacou ainda mais a semelhança física com o pai. “Decidi dar continuidade ao trabalho do meu pai porque a gente recebe mensagens muito gratificantes para continuarmos com esse trabalho, dizendo como fazemos o bem e como é importante nossas ações com o Papai Noel. Aí que percebo a reciprocidade em ver a alegria das pessoas”, conta. Além das exigências da aparência, Augusto ainda ressalta a importância de saber lidar com as crianças, as diferentes realidades e como é essencial ter em mente a meta em levar esperanças.

“Algumas histórias que meu pai conta que já ouviu das crianças são bem tristes, mas a função do Papai Noel é justamente cativar e dar esperança de que as coisas vão melhorar. Já estamos enfrentando o segundo ano de pandemia e sabemos que as dificuldades continuam e é aí que vejo que o personagem tem ainda mais importância nesse momento, renovando as esperanças das pessoas apesar do contexto. Isso ajuda a retirá-las um pouco da realidade e ‘levar’ para esse mundo mágico de ‘faz-de-conta’”, explica, contando que os ensinamentos que recebeu do pai marcam este início da nova jornada.

Além das memórias afetivas no período de Natal durante a infância, Augusto relembra muitos momentos, já na fase adulta, em que pode acompanhar o pai nas entregas de presentes e diz que isso dá ainda mais força para seguir com a atuação. “Tudo que tenho de mais marcante com meu pai são os momentos em que ele compartilhava comigo as histórias que já ouviu das crianças. Ele conta as histórias marcantes para ele e consequentemente vira algo marcante para nós, os filhos, porque é um meio dele nos falar do trabalho dele”, considera Augusto.

Há poucos dias do Natal, Papai Noel Junior segue se preparando e já fechou contratos com condomínios para entregas de presentes no estilo mais moderno possível: “Meu pai tem um buggy, um carro de lazer, que estava parado e então reformamos e agora também farei as visitas. É uma experiencia diferenciada para as crianças”, aposta. 

 

O bom velhinho

Antônio Ricardo Janzantti, 70 anos, nasceu e cresceu em Itápolis, no interior do Estado de São Paulo, e veio para Mogi das Cruzes na juventude para ingressar na faculdade, onde conheceu a esposa. A sua história atuando como Papai Noel já chega a completar 30 anos, tendo um início amador, mas não sem sentimento. “Por volta de 1990, eu trabalhava em uma empresa que precisava de uma pessoa para fazer o Papai Noel na festa de fim de ano e fui escolhido. Peguei gosto e comecei a fazer entregas mais relacionadas à filantropia”, conta Janzantti.

Demorou alguns anos para que decidisse procurar uma agência e fosse, enfim, contratado para atuar com o personagem de forma remunerada. “O Shopping D foi o primeiro trabalho remunerado, por volta de 2011”, explica o veterano Papai Noel, ressaltando que sempre garantia na agenda a presença nos locais de costume. “Fazia o remunerado, mas não deixava de realizar as entregas caridosas em asilos, orfanatos e templos religiosos”, completa.

Ao longo das décadas de experiência, não faltam histórias para sobre o que já ouviu das crianças e a forma com que elas enxergam o Papai Noel. “Elas têm essa imagem mágica do Papai Noel, aquela figura que pode fazer até milagres. Certa vez, trabalhando, recebi um pedido muito inusitado, onde a criança pedia que o Papai Noel pudesse trazer o seu pai de volta. Segundo ela, o pai era motorista por aplicativo, havia saído para trabalhar há meses e não voltou mais”, relata. 

Nestas situações, ele conta que é preciso ter preparo e feeling. “Também já ouvi histórias de crianças contando que queriam muito voltar a comer doces, mas que não podiam porque tinham diabetes”, lembra, avaliando que este é um exemplo de histórias que afetam a atuação o Papai Noel.

Agora, neste ano, com a retomada dos eventos presenciais para o Natal, Janzantti já retornou aos shoppings, deixando como trabalho para ser seguido pelo filho, Augusto, as videochamadas do Papai Noel.

“Estou sentindo uma felicidade sem tamanho. Acredito que ele tenha se inspirado muito em todos esses anos de carreira que eu tenho e nas histórias que contei”, relata o pai, orgulhoso. É por meio do preparo do filho e da estreia como Papai Noel que Janzantti sente a realização em ter passado a ele as lições essenciais para que pudesse, assim como ele, viver esse personagem que exige grandes responsabilidades, mas que é recompensador.

“Espero que o Augusto não tenha nenhuma decepção na sua estreia, não se desmotive e principalmente não desista de continuar nos próximos anos. Ser Papai Noel é desafiador, é prática, feeling e saber como interagir com cada criança, mas nossa recompensa não é em dinheiro. Espero muito que ele possa entender e sentir isso na pele esse ano”, almeja.

Na esperança da continuidade das atividades presenciais proporcionadas pela vacina contra a Covid, o que motiva o Papai Noel é a oportunidade de levar cada vez mais esperança e alegria às crianças nesse período do ano tão mágico, e segue, assim como a maioria, esperando dias melhores. “Meu desejo é que todos tenham muita saúde e confiança nos novos tempos que virão”, conclui Janzantti.

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