Serra do Itapeti reduz festas a santos, mas famílias mantêm devoção com reza e marmitex
Praticamente apenas com alguns parentes, a Festa de São Pedro realizada pelas tradicionais famílias Pereira de Paula e Souza Franco aconteceu nesta fria terça-feira (29) em um dos sítios da Serra do Itapeti, na Estrada do Beija-Flor, em Mogi das Cruzes. O Diário acompanha esse festejo peculiar e secular, sempre promovido no 29 de junho, […]
29/06/2021 18h50, Atualizado há 62 meses
Praticamente apenas com alguns parentes, a Festa de São Pedro realizada pelas tradicionais famílias Pereira de Paula e Souza Franco aconteceu nesta fria terça-feira (29) em um dos sítios da Serra do Itapeti, na Estrada do Beija-Flor, em Mogi das Cruzes.
O Diário acompanha esse festejo peculiar e secular, sempre promovido no 29 de junho, dedicado a São Pedro, independentemente do dia do calendário que marca a celebração ao santo conhecido por “zelar pelas portas do céu”. Poderia ser segunda, quarta, ou quinta-feira, não importava, as pessoas paravam seus afazeres e se programaram para voltar às raízes, à Serra do Itapeti.
Antes da pandemia, essa festa típica caipira costumava reunir centenas de filhos dos filhos dos primeiros moradores da região serrana para rituais: como um farto almoço preparado no fogão à lenha e a reza ao apóstolo tido como o fundador da Igreja Católica.
Nesta terça-feira, assim como no ano passado, por causa da crise sanitária, o rito foi seguido por um pequeno grupo de familares de Benjamin Pereira de Paula, o Beja, como é conhecido o fabricante da pinga artesanal de nome ainda forte herdada pelos antepassados dele, a Beija-Flor.
Essa região é conhecida por suas tradições e registros históricos seculares como a Capela de Santo Alberto.
Para um grupo de cerca de 100 pessoas, uma marmitinha com o macarrão pai-nosso e um cozido de carne, além de um doce de abóbora e uma garrafinha de refrigerante pequeno, foram entregues pela filha de Beja, Gisele Pereira de Paula, em alguns endereços da região central de Mogi.
“Foram poucos, aqui na reza, mas, era como se todos os 1,5 mil amigos, que sempre estão na nossa festa, estivessem aqui. No ano que vem, com a vacina, com certeza, nós teremos novamente a festa, como era antes”, comentou Beja.
O centenário casarão dos Pereira de Paula é reconhecido como um dos mais preservados de um tempo em que os santos juninos eram festejados com fartura e fé pela comunidade.
É neste endereço que a Festa de São Pedro se manteve, com a condução das famílias Pereira de Paula e Souza Franco. Leilão, reza, a tipica cachacinha servida entre os convivas, e o almoço fazem parte de uma agenda que começou a atrair muitos dos filhos e conhecidos dos moradores da Serra do Itapeti, nos últimos tempos.
Com a pandemia, as festas familiares, como a de Santa Catarina, em novembro, e as realizadas em louvor a Santo Alberto, Divino Espírito Santo e Santa Teresa, não aconteceram. Rezas em família substituríram o encontro entre os moradores da região da Serra, como ocorreu ontem, na casa de Beja.
A expectativa, comentou o morador, é “voltar no ano que vem, para matar as saudades e seguir com a fé ensinada pelos nossos pais”.
O Diário acompanha essa festa caipira há algumas edições, veja a reportagem do ano de 2018.