SOS: Professor da UMC publica artigo sobre a ameaça aos tubarões
Que os tubarões são os reis da água ninguém duvida, mas o que pouca gente sabe é que ações humanas de mau uso de recursos naturais e má conservação do meio ambiente colocam o homem como predador desse animal. É basicamente isso que o professor da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Alexandre Hilsdorf, em […]
02/07/2021 15h28, Atualizado há 62 meses
Que os tubarões são os reis da água ninguém duvida, mas o que pouca gente sabe é que ações humanas de mau uso de recursos naturais e má conservação do meio ambiente colocam o homem como predador desse animal. É basicamente isso que o professor da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Alexandre Hilsdorf, em parceria com Rodrigo Rodrigues Domingues, pesquisador do Departamento de Ciências do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), descrevem no artigo ‘O tubarão pede socorro’, publicado na renomada revista Scientific American Brasil.
Logo no texto introdutório da publicação, eles destacam a ideia criada no imaginário coletivo de que o tubarão é uma criatura temível por ser má, mas ressaltam sua importância para a manutenção do meio ambiente e que o homem, sim, tem causado grandes sofrimentos à espécie. A modificação de ecossistemas e a pesca desenfreada representam as maiores ameaças. Há diversos casos em que são pescados apenas para a retirada das nadadeiras. A estimativa é de que 100 milhões são mortos por ano para este fim.
O artigo destaca também a fiscalização no Brasil, a importância dos tubarões para o equilíbrio das cadeias alimentares, preservação dos recifes, bem como na manutenção de presas saudáveis, tendo em vista que a espécie costuma mirar em animais doentes ou feridos.
Entre os resultados finais, a dupla destaca acompanhamentos realizados entre 1983 e 2016, que mostram a redução da diversidade de animais, relacionada à pressão pesqueira e orienta que os estudos internacionais acompanhem também a diversidade das espécies a fim de classificar o grau de ameaça de extinção.
Em entrevista a O Diário, Alexandre Hilsdorf falou sobre a ideia do estudo. Ele conta que há anos o Laboratório de Genética de Organismos Aquáticos e Aquicultura (Lagoaa), da UMC, está envolvido com este tipo de animal, desde os aspectos da genética até a compensação com programa de repovoamento de peixes no rio Tietê.
Mas a experiência do professor também saiu dos portões da universidade e desceu a serra para orientar um trabalho de um aluno, em Santos, sobre os peixes que eram desembarcados no Porto de Santos, a fim de identificá-los por meio de DNA, sobretudo porque há casos em que os tubarões chegam ao local já sem as nadadeiras e cabeça, dificultando a identificação da espécie.
“O Rodrigo começou o doutorado dele e continuou nesta pegada dos tubarões na Unesp de Santos e nós, aqui em Mogi, fizemos a parte laboratorial e começamos a publicar os resultados tentando alertar sobre a questão dos tubarões. Foi assim que fomos nos aprofundando e criando material que resultou na publicação”, detalhou. No Brasil, não há a cultura de pesca para fazer a chamada sopa de nadadeiras.
No entanto, no país também existe a possibilidade de extinção de espécies como o tubarão-lombo-preto, o tubarão-raposa e o tubarão-martelo. O professor diz que não há como falar se isso pode ocorrer a curto prazo, mas para que não aconteça é necessário um trabalho de proteção por meio de fiscalização.
“Existe legislação, mas fiscalização é sempre um problema. O Ibama, até anos atrás, fazia um censo pesqueiro. Imagina agora como está. Santos acompanhava o desembarque. O grande centro hoje é em Itajaí (SC). A universidade de Itajaí fazia uma coleta de dados. O IBGE acompanhava parte dos peixes vindos da apicultura, mas a pesca, eu não sei. É difícil saber o que está sendo pescado”, detalhou.
Hilsdorf ressalta que é essencial fazer ciência e estudar as mudanças no meio ambiente, porque toda a política pública que mexe com o meio ambiente tem que ser baseada em dados científicos. Só é possível saber se uma espécie está ameaçada se tiver dados analisados por cientistas que lidam com essas situações de pesca. Os dados também começam a dar subsídios para criar leis. No entanto, o professor acredita que esse tipo de estudo deve estar ao final da lista de prioridades do atual governo federal.
“Fazer dados, fortalecer a fiscalização e gerar dados para apreensão dessas situações. É necessário o desenvolvimento social, a geração de emprego, mas isso não pode de modo nenhum ser desculpa para que a gente agrida a natureza, porque as consequências são muito cruéis. Talvez a nossa geração não estará mais aqui no ano 2110, mas será que os nossos tataranetos terão a oportunidade ver tubarões, ou só em aquários?”, reflete.