Surto de gripe e nova onda de Covid-19 trazem preocupação para Mogi e região
Com a flexibilização do distanciamento social e a falsa sensação de controle da pandemia, as pessoas, envolvidas por clima de aparente tranquilidade, se sentiram mais à vontade para promover encontros entre familiares e amigos, participar de eventos, relaxar com o uso de máscaras e as medidas de segurança contra a pandemia, e acabaram surpreendidas, neste […]
15/01/2022 07h29, Atualizado há 55 meses
Com a flexibilização do distanciamento social e a falsa sensação de controle da pandemia, as pessoas, envolvidas por clima de aparente tranquilidade, se sentiram mais à vontade para promover encontros entre familiares e amigos, participar de eventos, relaxar com o uso de máscaras e as medidas de segurança contra a pandemia, e acabaram surpreendidas, neste início de ano, com uma nova onda de Covid-19, agravada, na avaliação de especialistas da saúde, com a disseminação da variante Ômicron. O cenário se torna ainda mais complicado pelo inesperado surto provocado pela gripe, que também chegou para participar das festas de fim de ano, contribuindo com a superlotação na rede pública de saúde.
A disseminação da Covid-19 avança em ritmo alarmante. Para se ter uma ideia, nos primeiros 10 dias de janeiro, as infecções triplicaram na cidade. A média de ocorrências, que em dezembro de 2020 era de 11 casos por dia, subiu para 34 ocorrências diárias neste começo de 2022. Na última semana, por exemplo, quatro prefeitos do Alto Tietê testaram positivo para a Covid-19, inclusive Caio Cunha (PODE), de Mogi. Cinco agências bancárias da região tiveram que suspender as atividades por aumento de infecções. Fábricas, comércio, serviços e equipamentos de saúde sofrem o impacto com o afastamento de funcionários por problemas com o vírus.
A nova onda de casos de coronavírus, com a disseminação da Ômicron, é constada pelos profissionais que estão na linha de frente em unidades de saúde, apesar de a Prefeitura de Mogi ter comunicado o registro oficial de apenas um caso até agora. A médica Débora Ramos Nogueira, especialista no setor de Urgência e Emergência Respiratória, explica que existe dificuldade para identificar a variante porque os sintomas respiratórios são inespecíficos para fechar um diagnóstico de agente etiológico, e detalha que a única maneira de apontar com exatidão é por meio de exames subsidiários laboratoriais. Porém, mesmo assim, relata o aumento de casos. “Minha prática clínica está totalmente voltada ao atendimento privado neste momento de pandemia. Em nosso setor, observamos aumento aproximado de 200%. A variante Ômicron, desde seu surgimento, deu evidências de ser um vírus de elevado poder de transmissão”, destaca a médica, que atua no hospital Santa Maria, em Suzano.
As internações também começaram a crescer nos últimos dias na região, assim como as ocorrências de óbitos pela doença, após vários dias sem morte. Os casos mais graves são observados em pacientes que não se vacinaram ou que não tomaram as doses de reforço. “Algumas pessoas com esquema vacinal incompleto estão mais propensas a se infectar. A terceira dose é capaz de aumentar a presença de anticorpos neutralizantes contra Ômicron, segundo pesquisas. Apesar dos fatores intrínsecos que podem demonstrar uma variação na efetividade das vacinas, observamos que aqueles indivíduos com esquema vacinal completo, quando infectados, desenvolvem sintomas leves, limitados e podem ser tratados de maneira domiciliar. Por isso é tão importante a conscientização da necessidade do esquema vacinal completo preconizado”, reforça.
O médico sanitarista Sérgio Zanetta também afirma que o problema poderia ser muito mais grave se não fossem as vacinas, que contribuíram para reduzir o impacto da doença. “A situação está muito melhor agora, porque as pessoas estão morrendo menos. Os níveis de infecção e as taxas positivas dos exames aumentaram em até sete vezes, mas a diferença de janeiro deste ano com 2021 é brutal, porque temos um nível de vacinação elevado, que ameniza a gravidade dos casos mais leves. Mesmo com as portas das unidades de saúde lotadas, ainda não há pressão sobre leitos de pacientes críticos em UTI”, lembra.
Apesar de dizer que a explosão de casos está longe dos números registrados ano passado, o sanitarista alega que o momento exige atenção dos gestores públicos. Na opinião dele, não há a necessidade ainda de medidas restritivas, desde que todos passem a frequentar locais que exigem os comprovantes de vacinação para assegurar que todos estejam imunizados no ambiente, além da obrigatoriedade do uso de máscara, para conter a disseminação da nova variante. “A pandemia ainda não acabou e as pessoas têm que entender que as chances de contaminação aumentaram em 10 vezes com a Ômicron. Não podemos relaxar as medidas de bloqueio, sobretudo uso máscara e distanciamento, e principalmente estar em local arejado”, orienta.
A Ômicron, segundo Zanetta, deve ser evitada porque mesmo apresentando sintomas mais amenos, pode causar sequelas graves nos pacientes que contraem o vírus, por isso é necessário manter o alerta e evitar o contágio.
Os dois especialistas também defendem a realização de exames para detectar a Covid-19 e dizem que o acesso aos testes é de suma importância para controle de casos sintomáticos, contactantes próximos e evitar novas casos contaminações. Eles também são favoráveis à imunização de crianças.