Tereza Nihei, da Vigilância Epidemiológica de Mogi, diz que cuidados não podem parar
Os novos casos de Covid-19 e as mortes causadas pela doença devem começar a diminuir quando os grupos prioritários receberem as doses necessárias da vacina, passado o período necessário para a produção dos anticorpos, que vai de 10 a 20 dias. A previsão é da médica da Vigilância Epidemiológica de Mogi das Cruzes, Tereza Kayoko […]
22/01/2021 15h01, Atualizado há 66 meses
Os novos casos de Covid-19 e as mortes causadas pela doença devem começar a diminuir quando os grupos prioritários receberem as doses necessárias da vacina, passado o período necessário para a produção dos anticorpos, que vai de 10 a 20 dias. A previsão é da médica da Vigilância Epidemiológica de Mogi das Cruzes, Tereza Kayoko Takahashi Nihei, que avalia a evolução da pandemia de Covid-19 na cidade desde março do ano passado até o momento, esclarece sobre o cronograma de vacinação iniciado nesta semana e alerta para a necessidade de manutenção do protocolo sanitário de cuidados preventivos.
Qual a avaliação sobre a evolução da pandemia em Mogi de março do ano passado até agora?
A pandemia de Covid-19 no Brasil apresentou-se de forma diferenciada quando comparada ao que ocorreu em países da Europa ou outras regiões do mundo. Cada país viveu ou vive esta pandemia conforme as características populacionais, culturais, econômicas e políticas, mas todos tivemos grandes perdas de vidas e prejuízos econômicos, e em Mogi também não foi diferente. Algumas previsões da ciência foram concretizadas, como a de perda da capacidade de atendimento dos serviços de saúde, por exemplo. Mogi organizou-se de forma a manter a capacidade de atendimento com sucesso até agora. Infelizmente, a pandemia seguirá seu curso por um período não curto, ainda sem prazo.
O que esperar da segunda onda?
Sinceramente, não sei se houve a segunda onda ou se ainda está por vir, porque tivemos alguns meses com estabilização de casos e de mortes, e apesar da estabilidade, os registros de casos, tanto óbitos e casos confirmados se mantiveram em níveis elevados, então não saberia dizer se a fase que vivemos atualmente é uma segunda onda. Independentemente da nomenclatura, a atual situação é bastante preocupante e grave, e precisamos reverter. Importante salientar que o que pode conter a pandemia neste momento é a participação de toda sociedade cumprindo os protocolos das medidas de prevenção, como o distanciamento social, uso de máscaras dentre outras. O isolamento domiciliar dos sintomáticos é também de extrema importância para redução da transmissão. Estamos depositando grandes esperanças na vacinação que precisa chegar de forma rápida à população de maior risco para formas graves e morte. Sabemos que esta tarefa não será simples, porque existem vários fatores envolvidos, como a capacidade de produção, distribuição, aplicação com segurança, adesão, etc.
Como avalia a possibilidade de reinfecção?
Existem ainda muitos questionamentos sobre a doença. Estudos já confirmaram a ocorrência de reinfecções em todo o mundo, o Brasil também já relatou alguns casos. Em geral, quando dizemos que há uma reinfecção, estaríamos considerando que seria a ocorrência da doença causada pelo mesmo microorganismo, pela segunda vez ou mais. Por outro lado, o que não se pode esquecer é a grande capacidade de mutação que os coronavírus tem, o que pode favorecer a “reinfecção”. Sabemos que já circulam várias cepas do vírus causador da Covid-19, então uma pessoa poderia se infectar mais que uma vez em razão deste fator. E é importante frisar ainda que pairam muitas dúvidas sobre a imunidade e sua duração após o adoecimento.
Mogi recebeu 50% das vacinas (5.240) destinadas aos profissionais de saúde, que somam 10.840 trabalhadores. Todas deverão ser aplicadas neste momento ou são para a primeira e segunda doses?
A orientação é que as doses recebidas sejam utilizadas para a vacinação das primeiras doses destes profissionais. O reabastecimento de vacinas ocorrerá de forma parcelada se assim podemos dizer, pois não existem doses disponíveis para todos de uma única vez, então devemos aguardar a chegada de novos lotes para dar continuidade nesta vacinação.
Haverá a chegada de novo lote para aplicação da segunda dose a este público?
O esquema vacinal preconizado pelo Ministério da Saúde prevê duas doses com intervalo de 21 dias entre a primeira e a segunda dose, portanto esperamos que as doses sejam disponibilizadas aos municípios no tempo oportuno.
Quando chegará o restante das 5.240 doses para os profissionais de saúde de Mogi?
Não temos data para o recebimento de doses subsequentes e nem o número de doses que será enviado.
Qual a estimativa para início da vacinação dos idosos?
Tanto a continuidade da vacinação como a inclusão de novos grupos contemplados vai depender do recebimento de doses.
Qual a expectativa para vacinação de toda a população da cidade?
A ampliação da vacinação para toda a população ainda não consta nos planos de imunização neste momento, pois ainda não existem testes clínicos realizados em alguns grupos como para os menores de 16 a 18 anos. E também há necessidade de aumentar a produção.
Após a vacinação, qual o tempo para que seja possível considerar que a pessoa está imunizada contra a doença?
O organismo precisa de um tempo para produzir os anticorpos em níveis protetores, que é diferente para cada vacina, porém entre 10 a 20 dias, já pode haver proteção. Para vacinas que são necessárias mais que uma dose, a proteção total ocorrerá após a administração das doses preconizadas.
Quais cuidados ainda devem ser adotados após a vacinação e por quanto tempo?
Importante lembrar que a vacina contra a Covid-19 utilizada neste momento protege contra as formas graves da doença, e parcialmente contra a infecção, portanto, devemos manter todos os cuidados ainda por um período sem previsão, pois vai depender da porcentagem de pessoas que serão vacinadas.
Com a chegada da vacina, para quando é esperada a redução de novos casos e mortes pela doença?
Ainda não consigo responder sobre este tempo, porque não temos doses para vacinarmos esta população. Mas posso informar que quando os grupos prioritários receberem as doses necessárias, passado o período necessário para a produção dos anticorpos das doses aplicadas, já teremos o reflexo disso com redução das internações e mortes.