Diário Logo

Encontre o que você procura!

Digite o que procura e explore entre todas nossas notícias.

Testamentos de Judas revelavam os segredos de moradores de Sabaúna

Houve um tempo em que as manhãs do Sábado de Aleluia eram aguardadas com grande expectativa e preocupação nas residências de Sabaúna, atual distrito e que já foi um bairro rural de Mogi das Cruzes.  Tudo por conta dos chamados Testamentos de Judas, panfletos anônimos que eram distribuídos durante a madrugada e que, por muitas […]

Por O Diário
16/04/2022 10h59, Atualizado há 52 meses

Houve um tempo em que as manhãs do Sábado de Aleluia eram aguardadas com grande expectativa e preocupação nas residências de Sabaúna, atual distrito e que já foi um bairro rural de Mogi das Cruzes. 
Tudo por conta dos chamados Testamentos de Judas, panfletos anônimos que eram distribuídos durante a madrugada e que, por muitas décadas, durante as décadas de 40 a 60 provocaram grandes polêmicas entre os moradores do pequeno povoado.

Não se sabe como eles surgiram, mas o certo é que os tais folhetins com críticas, muitas vezes ácidas até demais, aos mais conhecidos personagens daquela localidade e da região apareciam, misteriosamente, sob as portas das casas, transformando-se na principal atração da Páscoa para os poucos habitantes do povoado.

LEIA TAMBÉM: Malhação de Judas, uma tradição cada vez mais longe dos mogianos

Da mesma forma como apareceram, os Testamentos de Judas simplesmente sumiram, durante muito tempo. E uma tentativa de revivê-los, no Sábado de Aleluia de 1990, acabou se transformando num caso de polícia.

Naquele ano, os autores dos panfletos exageraram na dose. E em vez de inocentes brincadeiras, acabaram relatando em seus versos supostos casos de infidelidade conjugal, detalhando desavenças entre famílias, negócios escusos ou malsucedidos, casos de homossexualismo, sem perdoarem nem mesmo autoridades, como policiais militares e até o administrador regional do distrito. 

A confusão se estabeleceu e, uma semana após a divulgação dos folhetos, ficaram os sinais de desconfiança  e acusações mútuas entre  vizinhos e até mesmo parentes. Por pouco, não se repetiu um caso que ficou famoso na localidade: de um casal que acabou se separando por conta de insinuações contidas num dos Testamentos que circularam , de mão em mão, entre os sabaunenses.

As maledicências contidas nos panfletos chegaram a irritar moradores mais antigos do local. “Antigamente, as notícias colocadas nos papéis  não traziam maldades, nem ofendiam a moral das pessoas, como chegou a ocorrer com os folhetins que chegaram a ganhar denominações mais modernas e ousadas, como “Pau na Máquina”, “Orgasmo de Sabaúna”, ou até o “Atrasadinho”, que acabou chegando às casas somente no domingo de Páscoa de 1990.

Cleide Soares, tradicional moradora de Sabaúna, ainda se lembra, divertida, daquela época. E garante: foi a última vez que os Testamentos de Judas apareceram no distrito. “Depois daquela confusão, nunca mais aconteceu a distribuição”, garante.

Memórias 
Os panfletos de décadas e décadas atrás traziam até poesias endereçadas às sonhadoras jovens da época, que tentavam, a todo custo, descobrir os autores de tais galanteios.  Muitas chegavam a ficar acordadas durante boa parte da madrugada  para tentar encontrar quem distribuía os pequenos jornais improvisados, manuscritos até a lápis ou datilografados, que se reproduziam  graças à ajuda do papel carbono.

No Sábado de Aleluia, lembram os moradores mais antigos de Sabaúna, muita gente esperava a chegada dos Testamentos de Judas, mas parecia que somente seus autores conseguiam vencer o sono. 

Na época áurea dos Testamentos, os autores eram protegidos pela escuridão da noite e madrugada, num povoado que ainda não dispunha de energia elétrica nas ruas e, muito menos, nas residências, que eram iluminadas por lampiões e lamparinas a querosene.

Nos últimos tempos dos Testamentos, eles haviam se modernizado bastante. Eram reproduzidos em máquinas copiadoras e, depois de virarem assunto obrigatório em todas as rodas de amigos ou conversas domésticas, passavam a ser disputados  até por pessoas de outros pontos da cidade, que chegavam a se deslocar até Sabaúna na esperança de encontrar algum amigo – e principalmente inimigos – na extensa relação de vítimas dos maldosos escritores que todos queriam identificar e punir.
Eles, no entanto, nunca apareceram, embora sobrassem suspeitas sobre quem seriam os redatores dos derradeiros Testamentos de Judas, algo que, definitivamente, entrou para a história do distrito e que ainda faz muita gente se lembrar deles com alguma saudade. Em especial, é claro, quem não foi personagem de algumas de suas histórias ou maldades.

 

Malhação
Neste sábado (16), em lugar dos Testamentos, ocorreu a malhação de Judas, que neste ano teve como tema o coronavírus, representando por bonecos confeccionados durante a madrugada por moradores e deixados ao longo do trajeto entre as vilas Mathias e Andrade, até as proximidades da antiga Estação Ferroviária. Os bonecos foram arrastados e malhados até o centro do distrito, onde houve a apresentação de uma peça teatral para a criançada que, em seguida, recebeu lanches especialmente preparados para a ocasião.

Sabaúna foi um dos poucos locais da cidade que reviveram a tradição da malhação de Judas, já que em bairros onde costumava ocorrer grande presença de garotos pedindo balas e outras guloseimas aos comerciantes, como a Vila Cléo, por exemplo, não havia, pela manhã, qualquer movimentação de malhação.

Mais noticias

Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 12/08/2026

8 receitas de sopas e cremes ricos em fibras para o jantar

ChatGPT ads pode mudar como consumidores pesquisam antes de comprar

Veja Também