Diário Logo

Encontre o que você procura!

Digite o que procura e explore entre todas nossas notícias.

Vacinação reduz óbitos de pacientes com mais de 60 anos em Mogi

Imunizada com duas doses da vacina contra a Covid-19, a faixa acima dos 60 anos registra diminuição de internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e mortes causadas pela doença em Mogi das Cruzes. O resultado segue a tendência nacional, enquanto aumenta a população mais jovem com complicações e óbitos por causa do novo coronavírus. […]

Por O Diário
10/07/2021 09h39, Atualizado há 59 meses

Imunizada com duas doses da vacina contra a Covid-19, a faixa acima dos 60 anos registra diminuição de internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e mortes causadas pela doença em Mogi das Cruzes. O resultado segue a tendência nacional, enquanto aumenta a população mais jovem com complicações e óbitos por causa do novo coronavírus.
Em junho, segundo a Secretaria de Saúde, 64% das vítimas fatais – 60 ocorrências – correspondem a pessoas com menos de 60 anos. Outras 34 referem-se a moradores de Mogi com idade superior a esta.

As informações atualizadas no dia 1º de julho são parciais, porque de acordo com a pasta, há notificações pendentes de resultados, óbitos em investigação e eventuais dados represados, mas demonstram a mudança na idade dos mortos pela Covid, com predominância de jovens, realidade confirmada pelo Portal da Transparência do Registro Civil e pela coordenadora de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Fernanda Rúbia Negrão Alves, cuja equipe atua nos hospitais Santa Maria, em Suzano, e no Municipal, em Braz Cubas.

Além de terem completado a imunização, que teve início no dia 20 de janeiro, o público acima dos 60 anos vem se caracterizando pelo maior respeito a medidas de prevenção, principalmente no que diz respeito ao isolamento social, ao contrário dos jovens, que precisam se deslocar e utilizar o transporte público a trabalho, ou mesmo não deixaram de lado o hábito de frequentar bares e festas. Outro fator que pode explicar o maior número de mortes entre a população abaixo dos 60 é a disseminação de novas cepas, potencialmente mais agressivas, que estariam vitimizando este público. 
“A vacinação faz o diferencial, o que já vem sendo observado desde o início da imunização, mas percebe-se maior conscientização dos idosos”, destaca a médica intensivista Fernanda Negrão.

No balanço da vacinação, segundo a Secretaria de Saúde, até 30 de junho houve a aplicação de 95.927 doses em idosos, sendo 62.243 primeiras, 33.678 segundas e 6 doses únicas. Já entre o público de 18 a 59 anos, foram 120.596 imunizações, com 104.163 primeiras doses, mas apenas 14.327 segundas e 2.106 doses únicas.

Porém, apesar deste novo cenário observado a partir de maio, quando o número de mortes de pessoas acima de 60 anos se equiparou pela primeira vez ao das vítimas fatais com idade inferior a esta, a maioria dos que perderam a vida para a Covid em Mogi, considerando o período desde o início da pandemia, ainda é idosa. 

No Boletim Covid-19 do site da Prefeitura, dos 1.415 óbitos até o último dia 2 deste mês, 949 eram pacientes com idade superior a 60 anos contra 466 de 59 anos para baixo. 

Os dados mostram ainda que não houve mortes até 9 anos, foram 3 de 10 a 19, seguidas por 18 (20 a 29 anos), 53 (30 a 39), 121 (40 a 49) e 271 (50 a 59). Já na faixa entre 60 a 69 anos, a cidade registrou 380 e, na sequência, 341 (70 a 79 anos), 193 (80 a 89) e 35 (acima de 90 anos).

Outra referência sobre a Covid-19, o Portal da Transparência do Registro Civil – mantido pela Associação Nacional de Registradores de Pessoas Naturais (Arpen) e que reúne os dados de cartórios – aponta para 148 vidas perdidas nesta luta entre 1º e 30 de junho em Mogi, sendo 89 pessoas entre os menores de 9 anos até aqueles com 59 anos e 59 vítimas fatais dos 60 aos 99 anos. No país, os dados mostram que apenas no  período entre 30 de maio e 5 de junho, 53% das mortes pela doença correspondiam a pessoas com até 59 anos, enquanto até a semana anterior, o número máximo era de 49%. Antes da vacinação no Brasil, em janeiro deste ano, 77% dos óbitos eram referentes ao público com idade superior a 60 anos e 22% entre a população mais jovem.

Entretanto, o mesmo levantamento também revela que desde o início da pandemia, a maioria das vítimas fatais do país é idosa, já que houve 357.700 registros de óbitos do público entre 60 a 100 anos no período de 16 de março de 2020 a 2 de julho último, contra 157.705 entre as pessoas com menos de 9 anos e até 59 anos, no mesmo recorte de tempo no Brasil.

Três mortes na família em menos de 2 meses

Em menos de dois meses, a família da auxiliar administrativa mogiana, Liliane Oliveira Betone, perdeu três pessoas, de 48, 51 e 56 anos para a Covid-19. As vítimas faziam parte do grupo mais jovem, ainda não imunizado, que estava à espera da vacina e muito perto de ter o direito a receber, pelo menos, a primeira dose, mas não deu tempo.

O primeiro infectado pelo vírus foi o cunhado de Liliane, Marco Fujarra, 56, que faleceu em 28 de abril, em Bertioga, onde morava. No dia 6 de junho, o outro cunhado, Márcio Dahyr Junior, 51, proprietário da lanchonete CQ Sabe, em Mogi, mesmo praticando esportes e cuidando da saúde, foi vencido pela Covid-19, após curta internação no Hospital Municipal, em Braz Cubas. Já no último dia 24, ela perdeu o irmão, Sérgio Betone, 48, no Hospital Santana.

“A história do Márcio e do meu irmão são muito parecidas. Eles apresentaram sintomas, primeiramente foram internados no quarto, de um dia para o outro precisaram de intubação e logo em seguida morreram. Este vírus é terrível e não se sabe como as pessoas vão reagir na hora em que ele entra no organismo”, alerta Liliane. 

A família vivia a expectativa da chegada da vacinação à faixa etária, mas a demora para a imunização impediu que tivessem a chance de serem imunizados. “Estávamos na expectativa, ansiando pela vacina, mas parece que quando estava perto de chegar a nossa vez, começaram a ser colocados vários grupos na frente. Houve uma hora em que chegou aos 60 anos e a idade não reduzia mais. Se a vacina chegasse antes, muitas vidas poderiam ter sido salvas”, avalia. Liliane destaca que o público mais jovem, que precisa sair para trabalhar, está diretamente exposto ao vírus, por mais que tome cuidados preventivos. “Meu cunhado Marco era funcionário na Prefeitura de Bertioga e também perdeu chefes contaminados pela Covid. Aqui na lanchonete, todos usam máscaras, as mesas seguem o distanciamento e há totens de álcool em gel, mas estamos em contato direto com o público, como aconteceu com o Márcio. Já meu irmão, Sérgio, trabalhava na Amil em São Paulo e desde o início, estava em home office, mal saía, mas o vírus entrou na casa dele. A minha cunhada ficou internada uma semana e se recuperou, mas ele não sobreviveu.” 

Ela, que trabalha com a irmã, Alessandra Oliveira Betone, viúva de Márcio, na CQ Sabe, recebeu a primeira dose da vacina. “A vacinação é importante, mas há pessoas que ainda se deixam influenciar por mitos. É preciso se vacinar e continuar mantendo os cuidados até que a grande maioria esteja imunizada”, acredita. 

Aos poucos, Ruth e João retomam o convívio social e com os filhos

Após receberem as duas doses da vacina contra a Covid-19, os professores aposentados de Mogi das Cruzes, Ruth Salavee Lemos e João Bosco Lemos, 82 e 79 anos, respectivamente, começaram a retomar a vida, sempre com os cuidados necessários para prevenção da doença, como uso de máscaras de proteção facial, álcool em gel e distanciamento social. 

O casal, que no início da pandemia permaneceu mais tempo em casa, saía apenas uma vez por semana para alguma compra necessária e no horário destinado aos idosos, subia as escadas em vez de utilizar o elevador do prédio em que mora e deixou de frequentar o Clube de Campo, onde sempre se exercitou, agora já retomou parte da rotina.

Ele voltou a praticar vôlei adaptado e ela às aulas de hidroginástica. Com cautela, também retornaram ao convívio maior com os filhos, netos e noras. “O início da pandemia foi difícil, principalmente porque há três anos mudamos de uma casa com quintal para um apartamento, então nos sentimos muito fechados e sozinhos. A vacina dá uma esperança, certa tranquilidade, mas ainda é necessário tomar os cuidados até que todos estejam vacinados. Agora, já saímos mais, vamos ao supermercado e à farmácia, e todos os dias estamos no clube, mas quando vemos um grupo de pessoas ou alguém sem máscara na nossa direção, mudamos de calçada. E a família também já pode vir nos ver e conversar um pouco mais”, comemora Ruth.

Ela conta que o marido foi vacinado primeiro, com as doses da AstraZeneca, e não teve reação. Na sequência, ela recebeu as duas aplicações da CoronaVac e também passou bem. Agora, além da imunização completa contra a Covid, o casal tomou a vacina anual de prevenção à gripe. 

“É preciso se cuidar. Até agora, graças a Deus, conseguimos passar por esta pandemia e não perdemos ninguém da família e nem amigos. Minha irmã, o marido e o filho pegaram a doença e não precisaram de internação. Ela não teve sequelas, mas ele perdeu a audição e terá que usar aparelho. Todo cuidado ainda é pouco, porque há as variantes do vírus e sabemos que tem jovens indo às baladas e que, infelizmente, não pensam nos pais, que são idosos, e podem levar a doença para suas casas e famílias, fazendo o vírus circular”, lamenta a professora.

Agora, vivendo o ‘novo normal’, Ruth e o marido já planejam ir para Porto Seguro, na Bahia, com os filhos, noras e netos, nos próximos meses. “Sempre gostamos de viajar, mas desde o início da pandemia, não fomos mais. Agora, em setembro, pretendemos reunir a família nesta viagem”, conta. 

Médica alerta para vacinação e cuidados preventivos

Nos últimos dois meses, as internações graves e mortes causadas por complicações da Covid-19 têm se concentrado mais em pacientes entre 50 e 60 anos. Segundo a médica coordenadora de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Fernanda Rúbia Negrão Alves, atualmente é raro encontrar pessoas idosas na UTI por infecção pelo novo coronavírus, como ocorria na primeira onda da doença.

“No início da pandemia, a média de idade das vítimas era em torno de 70 anos. Na segunda onda, entre março e maio, tivemos uma variação grande, dos 25 até os 60 anos, mas agora, a faixa mais acometida possui entre 50 e 52 anos”, conta a intensivista, que trabalha no Hospital Ipiranga, de Mogi, e cuja equipe também atua nos hospitais Santa Maria, na cidade de Suzano, e Municipal, em Braz Cubas.

Segundo a profissional, além das duas doses da vacina aplicadas em idosos e maior reclusão e cuidado para evitar a disseminação da doença por parte deste público, as novas variantes do vírus podem ser responsáveis pela mudança na faixa etária de vítimas fatais da Covid. “Os pacientes jovens, geralmente, têm quadros clínicos mais graves e demandam maior sedação para conseguirmos fazer o mesmo efeito de ventilação mecânica dos idosos, além de apresentarem mais febre, o que não ocorre com as pessoas de mais idade por terem a imunidade mais baixa”, explica Fernanda.

No entanto, ela também destaca que, atualmente, um ano e meio após o início da pandemia no país, as equipes médicas contam com maior experiência sobre como trabalhar a ventilação mecânica nos pacientes e quando deve-se usar antibióticos no tratamento. “Antes, nos casos de Covid já entravam com antibiótico, mas hoje isso é mais resguardado e estes medicamentos apenas são utilizados quando há evidência de bactéria associada. Além disso, todos já estão mais acostumados a lidar com os protocolos e com a própria doença, temos mais conceitos estruturados e isso torna o dia a dia um pouco mais prático”, conta.

Apesar disso, a taxa de mortalidade pela Covid-19, segundo ela, ainda é alta e varia de acordo com o hospital, apresentando grande variação, entre 25% a 60%, em pacientes internados na UTI. “Os hospitais públicos acabam tendo uma taxa de mortalidade maior, por vários fatores, como maior volume de internações e pelo próprio perfil do paciente, que geralmente demora mais tempo para procurar assistência e não faz exames com frequência”, detalha.

Diante do atual cenário, a médica avalia que o número de mortes está estabilizado no país, em um platô não muito confortável, mas distante do complicado momento enfrentado em março e abril, quando havia fila de 10 a 15 pacientes esperando por vagas de UTIs em todo o país. “Hoje, temos ocupação de 90% a 95% nas UTIs, mas a situação é mais confortável do que há alguns meses, e isso pode ser atribuído não apenas à redução de casos, mas também à abertura de novos leitos, o que de certa forma, acomodou esta demanda”, considera.

Além da importância de manutenção dos cuidados preventivos à disseminação do novo coronavírus, mesmo após a vacinação e até que grande parcela da população esteja imunizada, Fernanda lembra que a vacina não é considerada 100% efetiva. “Existe o conceito de redução de casos, mas isso não nos torna imunes. Na época em que as vacinas foram desenvolvidas, houve pesquisas comprovando que os casos seriam mais brandos, mas novas cepas vieram e, neste cenário, ainda não houve um estudo efetivo mostrando se as pessoas vacinadas realmente não desenvolvem a doença mais gravemente, até porque, temos cepas mais fortes, que fazem pacientes mais graves”, alerta.

Por isso, a médica orienta que o momento ainda exige cuidados, principalmente com adoção de protocolos sanitários, uso de máscaras de proteção facial, álcool em gel e distanciamento social. “A exposição dos jovens é maior, tanto por causa do trabalho e uso de transporte público, como porque muitos ainda não incorporaram as medidas de prevenção à doença à sua cultura e continuam frequentando bares e eventos, desrespeitando as regras de distanciamento. Essa ainda não é uma realidade para eles”, lamenta. 

Taxas de ocupação

As mudanças no Plano São Paulo, anunciadas pelo Governo do Estado, e que serão colocados em prática nos próximos dias, levaram em consideração a melhoria nos índices de ocupação em enfermarias e nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

Graças a isso, o comércio vai poder funcionar durante duas horas a mais, com a ampliação, ainda, da taxa de ocupação nos estabelecimentos. A volta às aulas, após o recesso escolar, também será ainda mais flexível, mas atenderá aos protocolos como uso de máscara, combate às aglomerações e a presença constante do álcool em gel nas instalações para o uso do público.

Mais noticias

Maternidade de Mogi das Cruzes inicia funcionamento com atendimentos do programa Mãe Mogiana

Operação da GCM de Itaquá desarticula ponto do tráfico e possível desmanche clandestino

GCM prende mulher procurada por tráfico após identificação do Smart Mogi

Veja Também