Vereador mais votado, Marcelo Brás do Sacolão é novidade na Câmara
Vereador mais votado, o agricultor Marcelo Porfírio da Silva, o Marcelo Brás do Sacolão, recebeu o apoio dos pais, Lindalva e Brás Gama da Silva Filho, apenas a dois meses da eleição. Eles achavam a política um sonho, ao contrário do filho, que concorreu pela segunda vez. Em 2016, recebeu 1.875 votos, o que calibrou […]
30/12/2020 11h19, Atualizado há 67 meses
Vereador mais votado, o agricultor Marcelo Porfírio da Silva, o Marcelo Brás do Sacolão, recebeu o apoio dos pais, Lindalva e Brás Gama da Silva Filho, apenas a dois meses da eleição. Eles achavam a política um sonho, ao contrário do filho, que concorreu pela segunda vez.
Em 2016, recebeu 1.875 votos, o que calibrou o plano de chegar à Câmara como um campeão: 3.205 sufrágios. Nos últimos pleitos, esse lugar foi ocupado por quem já estava no governo (Caio Cunha e Juliano Abe).
Nordestinos que chegaram a Mogi das Cruzes na década de 1990, Lindalva e Brás criaram dez filhos nas Chácaras Santo Ângelo, um imóvel pertencente à Santa Casa de São Paulo que, no passado, deu a meeiros, uma oportunidade de trabalho e moradia.
Em pouco tempo, esse núcleo verde cresceu com a chegada de familiares trazidos de cidades da Bahia e Alagoas. Há algumas décadas, parte da produção rural paulista vendida na Região Metropolitana tem o DNA desse território mogiano, vítima flagrante do abandono governamental. Há mais de décadas, os produtores lutam pelo direito à terra.
A família Silva é uma delas. O processo de regularização é lento. Os primeiros 400 contemplados ainda não têm, “no papel, 100%”, como acentua Marcelo Brás, as escrituras dos terrenos dilacerados pelas cheias do Rio Jundiaí, estradas intrafegáveis e falta de infra-estrutura para escoarem a produção.
Com esse histórico, a aposta é que o campeão de votos que chegou à cidade em 1994, estudou no Adashi e Lucinda Bastos, seja defensor da causa.
A agricultura é a plataforma do empreendedor que construiu um pequeno império: além do escoamento da produção rural familiar, ele opera um sacolão, na Avenida Japão, onde possui 10 trabalhadores. “Experiência de vereança eu não tenho, mas sei das reivindicações da agricultura. Sei das estradas ruins, da falta de regularização da terra”.
A respeito do momento da Câmara de Mogi, marcado por denúncias de corrupção contra seis vereadores, Brás admite a crise na política local. “Não foi fácil pedir voto, porque as pessoas pensam em mais um ladrão, mais um corrupto”.
A despeito disso, ele diz que pretende entregar ao eleitor um mandato limpo, embora flerte com uma candidatura a deputado estadual. Na entrevista, primeiro disse que isso poderia acontecer, quem sabe, em 2022. Provocado se uma disputa não decepcionaria o eleitor, contemporizou: “Penso nisso, daqui a quatro anos”, afirmou, contando ainda que pretende se candidatar à presidência da Câmara, no futuro.
“Fiz uma campanha limpa, não prometi água e nem saneamento, mas vou trabalhar e não vou roubar”, promete.
Outra meta ousada a ser conferida, a independência. Do mesmo partido de Marcus Melo, Brás não fecha apoio a Caio Cunha(PODE). “Eu vou estar com ele, no interesse da população. Meu apoio dependerá do que ver no dia a dia dele (o prefeito), em 2021”, avisa ele.
Sobre Brás
Nome: Marcelo Porfírio da Silva, apelido Marcelo Brás do Sacolão.
Idade: 38 anos.
Natural de Pão de Açúcar, cidade banhada pelas água doces do Rio São Francisco, em Alagoas.
Com Analice Vieira Melo, tem três filhos, Marcelo, Milena e Mayara.
O que pensa sobre a Covid-19: “Uma derrota para a agricultura. Até hoje, a maioria dos produtores tem prejuízos”.
Um projeto na Câmara: ampliar a distribuição da produção rural de Mogi na rede de escolas e creches municipais.
Particularidade: Não atende telefone celular, embora o possua: “Me atrapalha no trabalho.”