Vítima da Covid-19, empresário Fumio Horii morre aos 87 anos
Faleceu, no início da noite deste domingo (16), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o empresário Fumio Horii, 87 anos, conhecido como “o Rei do Caulim”, que estava internado há cerca de um mês para tratar de uma infecção pela Covid-19. O estado de saúde do homem de negócios das áreas de mineração, hotelaria e […]
16/05/2021 22h48, Atualizado há 63 meses
Faleceu, no início da noite deste domingo (16), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o empresário Fumio Horii, 87 anos, conhecido como “o Rei do Caulim”, que estava internado há cerca de um mês para tratar de uma infecção pela Covid-19. O estado de saúde do homem de negócios das áreas de mineração, hotelaria e imobiliária veio se agravando progressivamente, desde que chegou ao Sírio, após notar os primeiros sintomas da doença, como febre, tosse e incômodos pelo corpo.
Até o final da noite de domingo, ainda não havia sido divulgada informação sobre o sepultamento que, em razão da Covid, deverá acontecer na segunda-feira (17), no período da manhã, logo após a liberação do corpo pelo hospital.
Horii, um dos mais bem sucedidos empresários de Mogi, deixa a esposa Selma, duas filhas – Míriam e Mali – e três filhos – Issao,que reside em Mogi e cuida da mineração da família; Mauro, atualmente no Mato Grosso do Sul, assim como Kasuto, que é prefeito de uma cidade naquele estado, onde a família mantém área de mineração.Deixa 11 netos.
Fumio Horii foi internado inicialmente em um apartamento do Sírio-Libanês, um dos melhores hospitais de São Paulo. E, à medida que seu estado de saúde foi piorando, os médicos do hospital foram ampliando o atendimento, primeiro com uma máscara de gás, e depois sendo conduzido para a Unidade de Terapia Intensiva, onde foi intubado, em razão das dificuldades cada vez maiores pra respirar, em razão do comprometimento de seus pulmões pelo avanço da Covid-19.
Para complicar ainda mais o seu estado de saúde, Horii sofreu um infarto durante o período de internação para tratamento da Covid-19, o que colaborou decisivamente para agravar as suas condições físicas e de recuperação. Após o problema, sua situação ficou cada vez pior.
Durante o período em que permaneceu internado, outros membros da família – a esposa Selma, o filho Issao e a nora Sueli – também estiveram recebendo tratamento contra a Covid-19. Todos receberam alta médica, menos o patriarca da família.
Nascido em 23 de dezembro de 1933, numa província de Fukushima, no Japão, ele estava com 3 anos quando a família de sete membros partiu do porto de Kobe, no Japão, na manhã de 16 de janeiro de 1937, no navio Montevideo-Maru, com destino ao porto de Santos, no Brasil, onde cbegou em 28 de fevereiro daquele mesmo ano.
Em março de 1937, a família foi parar na Fazenda São Martinho, em Ribeirão Preto, para o cultivo de café. Ficou por lá até janeiro de 1940, quando Fumio, então com 6 anos, veio para Santo André, na região do ABC, onde ele aprendeu as primeiras letras.
Com 18 anos, em abril de 1952, a família adquiriu uma fazenda no bairro de Varinhas, conhecida como Colônia Daruma, e ele, já independente, começou a plantar batata, repolho, cenoura etc. Quatro anos depois, sua mãe Yoshimi faleceu, vítima de câncer de mama. Estava com 53 anos. Sua mãe sempre teve um sonho: construir uma casa no alto de um morro existente no interior da propriedade.
Já casado, ainda vivendo em Varinhas, nove anos mais tarde ele decidiu trocar a casa de adobe por outra melhor. Lembrando-se do desejo da mãe, ele decidiu construir a sua casa no alto do morro. E ao perfurar um poço para obter água, encontrou uma terra de cor branca. Ao mandar examinar, descobriu que se tratava de caulim, um mineral muito valioso à época, em que era usado, principalmente, para clareamento de papel.
Começava ali, quase por acaso, um negócio que, graças à sua visão empreendedora, o transformou numa das maiores fortunas de Mogi das Cruzes. Novos investimentos vieram com o passar do tempo. Ele decidiu construir um hotel do tipo resort junto à represa de Taiaçupeba, na região de Varinhas. O empreendimento hoje está sendo explorado pelo Club Med, que o transformou em referência para eventos sociais e empresariais. Horii também investe na área imobiliária com um grande loteamento no início da rodovia Mogi-Bertioga, na Vila Moraes. Estava preparando a ocupação de uma enorme área adquirida por ele entre Braz Cubas e Jundiapeba, entre a linha férrea e o Rio Tietê. Um shopping center estava entre seus planos para o local.
Pouco afeito às atividades sociais na cidade, Horii tinha fama de centralizador em seus negócios, que agora deverão ser tocados pelos filhos, seus herdeiros diretos. Pouco afeito a entrevistas, o apreciador do golfe era conhecido entre integrantes da colônia por suas atividades filantrópicas, especialmente ligadas às religiões de origem oriental, às quais não gostava de dar publicidade. Recentemente, se comprometeu com o bispo diocesano dom Pedro Stringhini, a construir uma igreja católica na área entre Braz Cubas e Jundiapeba.