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Você conhece a comunidade indígena de Mogi? Veja vídeo

“Quem criou o Dia do Índio foi o jurua – esse nome é uma referência às barbas e bigodes dos conquistadores europeus, mas hoje é usado para se referir a todos os não indígenas -, mas nós aproveitamos essa data para celebrar a nova vida e o nosso povo e, principalmente, fazemos desse dia uma […]

Por O Diário
14/04/2022 17h53, Atualizado há 52 meses

“Quem criou o Dia do Índio foi o jurua – esse nome é uma referência às barbas e bigodes dos conquistadores europeus, mas hoje é usado para se referir a todos os não indígenas -, mas nós aproveitamos essa data para celebrar a nova vida e o nosso povo e, principalmente, fazemos desse dia uma data para que as outras pessoas se conscientizem da importância e do respeito aos indígenas desse pais”. É assim que o cacique Luis de Lima Wera Djekupe descreve o sentido da data para a comunidade indígena comandada por ele e que vive em Mogi das Cruzes há 16 anos. 

A data que celebra o Dia do Índio, no dia 19 de abril, serve para divulgar a preservação da memória e promover uma reflexão sobre o passado da relação de dominação e conquista dos europeus no continente americano que reduziu os indígenas a pouquíssimos grupos.

O cacique lembra que em uma das cidades mais antigas do país, fundada em 1560, Mogi das Cruzes foi por muitos séculos terra exclusiva dos povos originários. Hoje poucos sabem que a cidade continua sendo morada de uma dessas comunidades. Você conhecia a aldeia Tupi Guarani M’Boiji? Instalados há pelo menos 16 anos na cidade, segundo o cacique, os indígenas que vieram para Mogi por muito tempo permaneceram reclusos. 

São descendentes dos povos Tupinambás que, por volta do século 16, habitavam duas grandes regiões da costa brasileira. Uma delas, indo do cabo de São Tomé, no atual estado do Rio de Janeiro, até São Sebastião, hoje o estado de São Paulo. Na aldeia M’Boiji estão os indígenas Tupi Guarani – miscigenação entre Tupinambás e Guaranis -, que seguem exclusivamente a cultura Guarani. 

“Há séculos atrás nos obrigaram a falar português, a usar roupas. Tomando o nosso lugar nessas terras, muito estrago foi feito a natureza”, diz o cacique. 

Hoje, segundo Djekupe, um dos ensinamentos mais importantes que ele passa para as famílias da aldeia é para que também aprendam o português, mas por um objetivo crucial. “Eu falo que é importante se saber o português para que eles possam aprender a ler as leis e saberem dos seus direitos como indígenas e nativos desse país. Nosso povo já sofre muito e precisamos lutar muito, se não estudarmos e termos conhecimento do que está a nosso favor, isso será ainda pior”, explica. 

13 famílias
A comunidade vive em um terreno do bairro da Porteira Preta. Lá o espaço é cuidado e mantido pelas 13 famílias que estão sob responsabilidade do cacique Djekupe.  

“Aqui nós construímos todas as nossas casas – feitas de madeiras, bambus e materiais de alvenaria -, nós plantamos, criamos aves e alguns outros animais para o nosso sustento e cada atividade e função que executamos aqui, também é passada e ensinada para os pequenos”, explica. 

Enquanto a reportagem de O Diário esteve na aldeia para entrevista, foram servidos pão, ou como é chamado por eles de tipa, e chá de missô. “Quando nós servimos esse chá para quem é de fora as pessoas sentem vontade de se mudar para o mato”, brincou Djekupe. 

“É importante enfatizar”, retomou o cacique à conversa, “além de estudar as leis, coisa que eu incentivo muito por aqui, é importante ensinar a história do jeito certo. Nosso povo sempre esteve aqui, mas infelizmente, só consideram os estrangeiros como descobridores desse país”. Parte histórica que o líder indígena fez questão de mencionar se refere a uma realidade pouco ensinado e difundido na escola e na sociedade como um todo. 

O que se pergunta atualmente é porque somente agora a cidade está conhecendo um pouco mais da aldeia de Mogi. O cacique respondeu: “Nosso povo sempre foi mais reservado, porém, a pandemia abalou a vida do planeta inteiro. Foi aí que começamos a entrar em contato com a administração da cidade e eles (integrantes da Prefeitura) imediatamente nos procuraram. Desde então estamos sendo assistidos pela Secretaria de Saúde, Fundo Social e Secretaria de Educação”. 

Os integrantes da aldeia Tupi Guarani ficaram mais conhecidos na cidade após o início da imunização infantil contra a Covid-19, sendo que o primeiro vacinado foi o pequeno Mirindy, indígena da comunidade que possui outras 22 crianças.

 

Venha conhecer

Para comemorar a data que, segundo o próprio cacique, deveria ser lembrada todos os dias, a aldeia já começa a se preparar para evento que será realizado no fim se semana após o Dia do Índio. 

“Nós já começamos a pintar nosso espaço com pinturas simbólicas para a nossa história e que representam também a nossa identidade. Estamos planejando e ensaiando apresentações com as nossas kiringue – crianças -, e teremos as comidas típicas, cantos e rezos”, compartilhou o cacique. O evento, de acordo com o líder, será aberto para aqueles que quiserem visitar a aldeia para conhecer a cultura e os costumes. 

Para garantir o controle do público, é importante confirmar a presença através do contato: (11) 9 59580625. 

“Onde nós pudermos ter a oportunidade de compartilhar nossos ensinamentos, vamos aproveitar”, finalizou o cacique. 

 

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