Volta às aulas é marcada por indefinições e apreensão
O Governo do Estado conseguiu suspender a decisão dada pela juíza Simone Rodrigues Casoretti, da Fazenda Pública de São Paulo, que determinava a suspensão do início das aulas presenciais, previsto para a partir desta segunda-feira, dia 1º de fevereiro, na rede particular de ensino. Com isso, as redes particular e estadual já podem iniciar as […]
29/01/2021 13h46, Atualizado há 66 meses
O Governo do Estado conseguiu suspender a decisão dada pela juíza Simone Rodrigues Casoretti, da Fazenda Pública de São Paulo, que determinava a suspensão do início das aulas presenciais, previsto para a partir desta segunda-feira, dia 1º de fevereiro, na rede particular de ensino. Com isso, as redes particular e estadual já podem iniciar as aulas presenciais, mas com restrições.
O imbróglio judicial serviu para fomentar ainda mais as preocupações, apreensões e polêmicas a respeito do início do ano letivo de 2021, que acontece em meio à segunda onda de casos da Covid-19, o surgimento de novas mutações do vírus e a falta de vacina.
O retorno foi fatiado. Em Mogi das Cruzes, a Prefeitura decidiu retomar as aulas remotas na rede que atende 47 mil alunos nos ensinos Infantil e Fundamental.
Na rede estadual, as aulas começariam no dia 8, com o rodízio de 35% dos alunos nas salas, e o restante aprendendo as lições remotamente.
Já no ensino particular, o ano terá os dois modelos. Em 2020, não houve aula presencial, com exceção do atendimento a alunos que necessitaram de reforço, no final do ano.
Essa divisão acentua a diferença entre os alunos de uma e de outra rede, e se dá em hora nevrálgica: a alta de casos e de mortes ocorre em todo o mundo e muitos países estão voltando ao lockdown e fechando escolas.
A cisão entre as opiniões foi confirmada na consulta feita em Mogi, que apresentou praticamente um empate – 51% dos pais e responsáveis optaram pela reabertura das escolas, com aulas presenciais, mas protocolos sanitários.
A insegurança do atual momento e a falta de vacinação dos professores foram os argumentos da juíza Casoretti para suspender o ensino presencial. Mas o Tribunal de Justiça não entendeu dessa maneira, e autorizou a volta às aulas, com as precauções necessárias.
O grande desafio é estabelecer meios para o cumprimento dos códigos sanitários para inibir a disseminação do vírus.
A dirigente de ensino de Mogi das Cruzes, Estela Vanessa de Menezes Cruz, garante que as escolas foram preparadas para favorecer o cumprimento das medidas sanitárias, com a instalação de pias na entrada dos prédios, e a manutenção de itens como papel higiênico, sabonete líquido e álcool gel em todas as unidades.
Além disso, diz ela, pais serão orientados na próxima semana sobre os cuidados adotados, bem como regras em caso de suspeita de Covid – professores e alunos não devem ir à escola. Confirmada a doença, eles são monitorados até a alta médica por um sistema de comunicação.
Professores com mais de 60 anos e comorbidades não voltam para a sala de aula. Nas escolas particulares, distanciamento entre carteiras, higienização de mochilas e pertences, passagem por tapetes higienizantes, medição de temperatura e crianças mais novas não entraram com os calçados na sala: usarão meias antiderrapantes. O sucesso das medidas dependerá dos pais, alunos e das escolas porque, no papel, segue o que a sociedade não está conseguindo cumprir desde março do ano passado.
Estado atende 28 mil alunos
Pouco mais de 28 mil alunos são esperados no retorno às aulas nas 66 escolas da Diretoria Regional de Ensino de Mogi das Cruzes, sendo três em Biritiba Mirim e três em Salesópolis. Adequações nos prédios e a compra de papel higiênico e sabonete líquido foram feitas em todas as escolas, segundo a dirigente, Estela Vanessa de Menezes Cruz. A rede estava programada para atender, na próxima semana, os pais e alunos, com a oferta de informações sobre como será o rodízio que dividirá em três grupos a turma. A decisão judicial pode frear os planos. Segundo Estela, o maior desafio de 2020 foi a falta de internet de qualidade a todos os alunos e professores.
Ela afirma que as escolas terão de realizar uma busca ativa dos alunos do Ensino Médio, que não refizeram as matrículas para 2021. Foram mais de cinco mil inscrições a menos, até janeiro. O desestímulo deles se deve à dificuldade em assistir às aulas online.
Aula remota no dia 8
Na rede municipal de Mogi das Cruzes, as aulas começam no próximo dia 8 e de forma remota. A decisão foi baseada nas condições epidemiológicas atuais – alta de casos da Covid-19 e a falta de imunização dos professores – e desconsiderou o resultado da consulta pública que trouxe 51% dos participantes defendendo a volta do ensino presencial (veja matéria nas páginas seguintes).
A gestão do prefeito Caio Cunha defende a convivência dos alunos e professores na sala de aula apenas quando os educadores e funcionários das escolas forem imunizados contra o novo coronavírus.
Quando infectada pelo vírus, parte das crianças e adolescentes é assintomática. E a falta dos sintomas favorece a contaminação de pais e outros adultos, de maneira silenciosa. São os mais novos que levam para a casa o novo coronavírus.