Voluntário e comerciante Wagner Lomas morre aos 60 anos
Um longo caminho foi percorrido pelo comerciante Wagner Ferrinha Lomas até a tarde desta segunda-feira (12) quando o coração dele desacelerou após duas semanas de internação no Hospital Santa Paula, em Santo Amaro, na Capital. Ele morreu aos 60 anos, cinco dos quais lutou bravamente contra o câncer. Wagnão, como era chamado por amigos, foi […]
13/09/2022 10h03, Atualizado há 47 meses
Um longo caminho foi percorrido pelo comerciante Wagner Ferrinha Lomas até a tarde desta segunda-feira (12) quando o coração dele desacelerou após duas semanas de internação no Hospital Santa Paula, em Santo Amaro, na Capital. Ele morreu aos 60 anos, cinco dos quais lutou bravamente contra o câncer. Wagnão, como era chamado por amigos, foi um dos fundadores do projeto Quarta Sem Fome, uma das iniciativas de proteção e atenção à população em situação de rua de Mogi das Cruzes que, durante anos, manteve a entrega de pratos feitos e lanches a pessoas encontradas durante as madrugadas por onde o grupo passava.
Amigos e familiares realizam o velório nesta terça-feira (13), no Cemitério Parque das Oliveiras, onde ele será enterrado às 14 horas.
Nascido em São Paulo e morador na Vila Matilde, o comerciante residia em Mogi das Cruzes há mais de 30 anos, onde se tornaria conhecido pelo trabalho com a venda de material de construção, na rua José Bonifácio, e por incrementar, na cidade, um mercado que sobretudo antes da pandemia, ganhou força: a produção de pizzas em festas e celebrações, na casa dos clientes, onde o alimento era produzido, assado e servido aos convidados.
Bom de garfo e de cozinha, ele foi um dos trabalhadores do Quarta Sem Fome, um projeto tocado por um grupo formado por amigos que passaram a se reunir nas noites de quarta-feira para preparar menus elogiados pelas pessoas encontradas à noite e que recebiam as quentinhas.
A iniciativa viveu mudanças em seu formato para se adaptar às recomendações da Prefeitura, passando, algum tempo depois, a preparar lanches – também concorridos pela qualidade e originalidade dos temperos e entregues em determinados locais como praças e as proximidades do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo.
O Diário acompanhou a jornada do Quarta Sem Fome, defendido por seus integrantes como uma maneira de aliviar as dores de quem vivia nas ruas, mesmo quando a gestão municipal em exercício de mandato impunha restrições na atuação voluntária.
Na pandemia, houve a suspensão do atendimento. Há três meses, no entanto, os integrantes voltaram a se organizar e estão distribuindo o alimento nas madrugadas mogianas. Hoje, o número de participantes, ainda é restrito em função de cautela sanitária. O preparo do alimento segue sendo feito na cozinha da Associação Pró-Festa do Divino, no bairro do Mogilar.
Há 5 anos, a descoberta do câncer mudou a vida do empresário que durante muito tempo conciliou o trabalho na loja de materiais e o preparo das pizzas servidas em casas, condomínios ou onde quer que desejasse o cliente.
Durante todo esse período, amigos do palmeirense e bolsonarista convicto acompanharam a luta de “um gigante”, que não se dava pelos revezes da radio e quimioterapia, e de novos medicamentos e terapias oferecidas para travar as complicações que iam surgindo.
Nas redes sociais, amigos e parentes destacam a força desprendida durante o enfrentamento do câncer. O professor de história Glauco Ricciele disse: “Nos deixou lutando… lutando e lutando! Amigo de todas as horas, meu mestre na cozinha com quem aprendi a fazer pizza. Falando nisso nossos encontros jamais terão a mesma alegria. Sem o Wagnão e a Selma, o muito está mais careta! Até um dia meu irmão”.
No final do mês passado, o avanço do câncer foi notado com a perda da visão de um dos olhos e de movimentos do corpo. Na sequência, uma grande cirurgia foi feita para controlar o espraiamento da metástase no cérebro. Apesar do sucesso do último procedimento, o avanço da doença já havia afetado outras áreas-chave do comando do corpo. Chegava a hora de descansar.
Wagner era casado com a jornalista Ana Paula Frias, que atua na Prefeitura de Mogi das Cruzes. Foi dela a definição que mais se apropria nessa despedida: “Foi um super-homem a vida inteira, mas nos últimos anos virou super-herói”.
Além da mulher, Paula, ele deixa a filha Yasmim, de 17 anos, o pai Manoel Alves Lomas, irmãos, sobrinhos e muitos amigos.