Jânio Quadros chora durante o funeral de Muriçoca
Presidente, Jânio ficou conhecido pelo seu estilo pouco convencional. Cassado pelo regime de 1964, passou a receber amigos em sua casa, em São Paulo, e continuou causando espantos. Como em 1970, quando recebia um grupo de políticos e jornalistas para um almoço. De repente, sua esposa, dona Eloá, chegou à mesa e deu uma notícia: […]
11/06/2021 11h40, Atualizado há 62 meses
Presidente, Jânio ficou conhecido pelo seu estilo pouco convencional.
Cassado pelo regime de 1964, passou a receber amigos em sua casa, em São Paulo, e continuou causando espantos.
Como em 1970, quando recebia um grupo de políticos e jornalistas para um almoço.
De repente, sua esposa, dona Eloá, chegou à mesa e deu uma notícia: Muriçoca havia morrido.
Jânio ficou consternado, se descabelou, as lágrimas desceram.
O ex-presidente deu o almoço por encerrado e, para espanto dos convivas, promoveu o funeral da pobre… cachorrinha!
Ele mesmo cavou a sepultura e fez um padre foi chamado para dizer algumas palavras sobre a pequena defunta.
Para não incorrer em pecado, o religioso citou, em latim, um trecho de Homero e deu o serviço por encerrado.
Tempos depois, o folclórico político colocou uma placa de bronze sobre o local de descanso de sua amiga canina.
Muriçoca deixou saudades.
Um avião para o amigo Jango
Antes de ser derrubado por um golpe civil-militar, João Goulart já experimentava a antipatia dos quartéis em relação a certos governantes civis.
Dias após tomar posse como vice-presidente de Jânio, em 1961, Jango estava no Rio, por conta de um compromisso familiar.
Precisaria de um avião para levá-lo até Brasília, após às 17 horas, onde teria uma reunião, quando não haveria mais vôos de carreira para a Capital.
A FAB argumentou que não havia aeronave disponível.
Ao saber do ocorrido, Jânio mandou o seguinte recado para o ministro da Aeronáutica:
“Faça descer o primeiro avião que sobrevoar o Rio de Janeiro, desembarque os passageiros e ponha-o à disposição do senhor vice-presidente da República. Trata-se de uma ordem do presidente da República”.
Imediatamente, uma aeronave da FAB foi colocada à disposição de Jango.
Jânio Quadros, o salva-vidas
Entre os presentes no velório de Jânio Quadros, falecido em São Paulo no dia 16 de fevereiro de 1992, um homem chorando copiosamente chamava a atenção de todos. Procurado pelos jornalistas, contou uma história tragicômica envolvendo o ex-presidente. Ele jurava que, muitos anos antes, pretendera se suicidar, jogando-se do alto de um prédio.
Jânio, então um jovem vereador da Capital paulista, viu a cena, foi até próximo dele e gritou: “Não faça bobagem”.
O homem, ainda um rapaz, explicou que ia pular porque a esposa o traíra.
E Jânio retrucou: “O que tua mulher te arrumou foi um par de chifres, não um par de asas. Desça já daí!”.
O rapaz desceu acabou ficando eternamente grato a Jânio.