Junji diz que Censo 2022 revela mudanças na sociedade
Reportagem publicada neste final de semana por O Diário mostrou que o crescimento populacional de 21,61% vivido por Mogi das Cruzes nos últimos 12 anos, segundo a prévia do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada no final do mês passado, aponta os desafios que a cidade terá pela frente para conciliar […]
21/01/2023 07h42, Atualizado há 42 meses
Reportagem publicada neste final de semana por O Diário mostrou que o crescimento populacional de 21,61% vivido por Mogi das Cruzes nos últimos 12 anos, segundo a prévia do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada no final do mês passado, aponta os desafios que a cidade terá pela frente para conciliar o aumento do número de moradores com sustentabilidade, oportunidades de trabalho e renda, condições de moradia, transporte e mobilidade, atendimentos nas redes municipais de saúde e de educação, entre outros fatores considerados essenciais para a qualidade de vida.
O prefeito Caio Cunha (Podemos) e os ex-prefeitos Junji Abe (MDB), Marco Bertaiolli (PSD) e Marcus Melo (PSDB) avaliam que os números do censo atual, que ainda podem apresentar alterações na conclusão do levantamento pelo IBGE, mas já trazem um panorama da evolução populacional que marcou os últimos 22 anos no município.
Confira aqui o que diz Junji Abe sobre o tema
O ex-prefeito Junji Abe (MDB) aponta que a maioria das cidades brasileiras apresenta diminuição da população no comparativo entre a estimativa divulgada em 2021 pelo IBGE e a prévia apresentada no final de 2022.
“Está havendo redução na fertilidade no mundo. No Brasil, estamos indo para a diminuição na geração de filhos. Há 20 anos, o país tinha uma média de 4,7 filhos por casal e hoje está com menos de 2,5 por casal. A dificuldade mundial na criação de filho representa uma preocupação para os casais, além da diminuição de casamentos oficiais. Por mais que esta redução da população apontada pelo censo possa prejudicar o repasse de verbas, é um acontecimento decorrente das mudanças sociais que sofremos e o poder público precisa não só se prevenir, mas também mudar as políticas públicas municipais em relação a isso”, explica.
Ele cita o governo japonês, que paga R$ 3,1 mil para que os casais tenham mais filhos, o que não tem sido aceito porque, no Japão, o custo para criar uma criança é de R$ 16,1 mil. “Tóquio é uma cidade com 35 milhões de habitantes e, pela falta de fertilização e envelhecimento da população, tem cidades afastadas dos centros mais populosos, onde há apenas idosos. O governo propôs que os jovens saiam de cidades como Tóquio e Osaka e recebam um valor para habitar outras desertas, com a comprovação de que trabalhará nestes locais por no mínimo 5 anos. Estima que, até 2027, 10 mil famílias de jovens deixem Tóquio em direção a cidades mais distantes”, diz.
Por mais que o Brasil esteja longe do Japão, o ex-prefeito aponta que o rumo é semelhante, apesar da desigualdade social, assim como se vê na Coreia do Sul, Noruega, Finlândia e Suécia. “O grave problema do envelhecimento da população, com a menor força produtiva, é que isso compromete o fundo da previdência social. É uma preocupação, porque caso a gente perca a possibilidade de ter um fundo equilibrado, os aposentados e aqueles a se aposentar terão problemas, ainda mais com a longevidade que a sociedade brasileira vive”, frisa.
Para mudar esta realidade, Junji diz que mudanças preventivas devem ser introduzidas na sociedade. “Cabe às autoridades públicas, com as lideranças da sociedade civil, baseados em estudos de especialistas, analisar as mudanças dos últimos 20 anos, muito latentes, principalmente quando se faz um censo”, analisa.
No entanto, Junji lembra que a expansão populacional em Mogi, assim como em Biritiba Mirim e Salesópolis, é limitada por áreas de preservação, em função das serras do Mar e do Itapeti, e do rio Tietê. “Ter novos locais para povoamento é difícil, daí a razão que não só Mogi, mas outras cidades, há tempos, partiram para a verticalização, que é fundamental para o poder público, porque gasta-se menos com saneamento básico e com conjuntos e equipamentos comerciais, educacionais e de saúde, já que eles ficam mais concentrados. Por outro lado, ainda há dificuldades de se viver em prédios. As pessoas devem buscar a convivência mais harmônica e pacífica, independentemente de coloração política ou partidária. Cada vez mais, é preciso rechaçar acontecimentos de intolerância. Esta é lei da nova sociedade”, destaca.
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