Médico legista ressalta a importância de pediatra suspeitar de lesões em crianças
Diretor do Instituto Médico Legal (IML) de Mogi das Cruzes e professor na área, o médico legista Zeno Morrone já escreveu um artigo para orientar pediatras sobre a importância de analisarem as lesões de crianças que chegam machucadas nos hospitais, a fim de verificar se o paciente não foi agredido. Na última semana, uma médica […]
09/11/2020 12h06, Atualizado há 68 meses
Diretor do Instituto Médico Legal (IML) de Mogi das Cruzes e professor na área, o médico legista Zeno Morrone já escreveu um artigo para orientar pediatras sobre a importância de analisarem as lesões de crianças que chegam machucadas nos hospitais, a fim de verificar se o paciente não foi agredido.
Na última semana, uma médica da Santa Casa de Misericórdia da cidade verificou que Henrique Costa, de três anos, possivelmente havia sofrido maus-tratos, e acionou a polícia, mas o garotinho morreu.
A orientação do médico não é para este caso em específico, sobretudo porque não se sabe se ele já havia sido agredido antes, mas Morrone ressalta que uma análise mais aprofundada do prontuário da criança pode salvar uma vida. Há inclusive estudos dentro da medicina sobre essas ocorrências. Iniciou nos Estados Unidos, conta Morrone, e no Brasil ganhou o nome de Síndrome da Criança Espancada.
Só neste ano em Mogi, 173 crianças foram vítimas de violência. Morrone analisou diversos casos, inclusive da região, à época em que escreveu o artigo. O legista percebeu que na maioria dos casos o responsável pela criança – muita das vezes o agressor – é quem leva ao médico, mas usa uma tática para não ser identificado: ele costuma inventar quedas e ir em diferentes unidades de saúde, para que não desconfiem da ação violenta.
“Ele vai chegar ao hospital e não vai dizer que foi ele que bateu, vai dizer que a criança caiu, escorregou, inventa qualquer coisa, mas quando você vai ver ela está com a fratura de fêmur, por exemplo. Uma criança que cai ela não vai quebrar o fêmur, então primeiro ele mente e é tratado com uma queda comum. São lesões graves e não compatíveis com o relato de quem as leva aos hospitais, então o profissional precisa identificar isso”, pontua.
Em Mogi das Cruzes, com a informatização do Sistema Integrado de Saúde (SIS), há um histórico dos prontuários disponíveis em todas as unidades que possibilita ao médico promover um cruzamento de dados sobre os atendimentos de casos suspeitos.
“Esse médico precisa realmente dar atenção ao prontuário da criança, verificar se ela já não passou por atendimento em outras unidades. Manchas no corpo da criança de cores diferentes são um dado importante que a gente vê nesses casos, porque são espancamentos antigos”, destaca.