Missão para o secretário Waldemar: fechar a boate de luxo mais famosa de São Paulo
Uma das muitas histórias que marcaram a homenagem pelo centenário de nascimento do ex-prefeito de Mogi das Cruzes, Waldemar Costa Filho, no último dia 2, na Câmara Municipal, foi contada pelo atual presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ao historiar a passagem de seu pai pela Secretaria de Abastecimento de São Paulo. A ele […]
12/06/2023 09h16, Atualizado há 37 meses
Uma das muitas histórias que marcaram a homenagem pelo centenário de nascimento do ex-prefeito de Mogi das Cruzes, Waldemar Costa Filho, no último dia 2, na Câmara Municipal, foi contada pelo atual presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ao historiar a passagem de seu pai pela Secretaria de Abastecimento de São Paulo.
A ele cabia, entre outras coisas, fiscalizar as condições de estabelecimentos comerciais da cidade, de grandes hotéis até casas noturnas e afins.
Costa Neto contou que certo dia, o prefeito de São Paulo à época, Paulo Salim Maluf, chamou Waldemar e pediu providências em relação ao Café Photo, uma das mais sofisticadas casas noturnas de São Paulo, que estaria causando problemas aos antigos moradores do bairro onde estava instalada.
Como o movimento era grande demais no interior da boate, muitas garotas de programa acabavam ficando do lado de fora, o que provocava uma grande movimentação de motoristas pela região, especialmente durante o período noturno, além de algumas inevitáveis confusões e cenas pouco normais que iam desvalorizando, pouco a pouco, toda aquela região da Capital.
A ordem de Maluf era “dar um jeito” definitivo naquele grande problema para seus eleitores. E lá foram os fiscais da Secretaria conferir o que poderia estar errado na casa noturna, que lhe valesse uma autuação em regra.
Os fiscais pouco ou nada encontraram, além de um verdadeiro exército de advogados que mostravam o cumprimento de todas as exigências legais para um tipo de comércio como aquele.
Waldemar ficou sabendo que seria difícil enquadrar a boate e resolveu agir por conta própria. Ou melhor, acompanhado do secretário municipal de Obras da Capital, que estava a seu lado durante a visita noturna que o titular do Abastecimento faria ao Café Photo.
Tão conhecida quanto a luxuosa casa noturna, já era, àquela altura, fama de Waldemar, que havia fechado, também por irregularidades, outros pontos comerciais da Capital paulista.
A imprensa paulistana descobriu nas ações do secretário uma fonte inesgotável de notícias bombásticas e, por isso mesmo, suas blitze eram acompanhadas por um batalhão de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas.
Waldemar chegou ao Photo e já encontrou os advogados com os documentos que mostravam o perfeito funcionamento da casa, sob o ponto de vista dos alvarás municipais, impostos e afins.
No meio da batida, porém, o secretário fez um pedido inédito aos responsáveis pelo empreendimento: a planta do local aprovada pela Prefeitura. E… bingo!
O prédio tinha dois andares além dos autorizados pelo município. Desta vez, coube ao secretário de Obras interditar o imóvel pela irregularidade na planta. A ordem de Maluf fora cumprida com sucesso.
“Esse não, por favor, Waldemar”
A fama das blitze de Waldemar pela Capital era tanta que o prefeito Paulo Maluf decidiu surfar na onda de prestígio de seu secretário de Abastecimento.
E anunciou que o acompanharia na fiscalização daquela noite.
Mal sabia no que iria se meter.
O secretário e o séquito de jornalistas atravessaram parte do centro e pararam bem defronte uma imponente construção de alguns andares, além do sofisticado hall de acesso.
Era o famoso hotel Macksoud Plaza, pertencente a amigos muito próximos de Paulo Maluf.
Ao sentir o que poderia acontecer dali em diante, Maluf tentou impedir:
“Esse não, Waldemar, por favor!!!”
E o secretário:
“Agora não dá mais, doutor Paulo. O pessoal da fiscalização já está lá dentro”.
Naquela noite, a cozinha do sofisticado hotel foi fechada.
Os fiscais encontraram alimentos vencidos ou deteriorados.
A imprensa fez a festa.
E Maluf teve de se explicar aos seus grandes amigos.
O convite e os ladrões
Já conhecido em toda a Capital pela sua linha dura na fiscalização, o secretário fez crescer sobre ele o olho grande da política.
E, segundo contou Costa Neto, certo dia foi chamado por Maluf que lhe apresentou uma tentadora oferta: sair candidato a prefeito de São Paulo na eleição que se avizinhava.
“Se você for candidato, tenho certeza que eu te elejo. Com o meu prestígio, hoje eu elejo até um poste” – disse Maluf tentando impressionar o interlocutor.
Waldemar disse não, o que o prefeito não aceitou.
Vendo que não tinha outra maneira de se esquivar do convite, Waldemar radicalizou:
“Doutor Paulo, eu nunca vi um pessoal para roubar tanto como esse da Prefeitura. Se o senhor me eleger prefeito, vou ter de fazer “uma limpa” e não vai ficar bem para o senhor”.
Maluf viu que não adiantava argumentar com Waldemar. Esqueceu o amigo, mas elegeu mesmo um poste: Celso Pitta. E acabou dando no que deu.
Esvaziando pacotes de pedidos
Ao se ver diante de pacotes e mais pacotes de processos levados por vereadores para as audiências, Waldemar foi até a sala ao lado, onde estava o amigo Sílvio “Pato Rouco” Lunardi, marido de sua secretária Mariúcia e solicitou que ele fosse até o gabinete e lhe pedisse para mudar o nome da rua de sua casa.
Silvio não entendeu muito bem, mas foi.
Quando entrou no gabinete, Waldemar disse aos vereadores que iria passá-lo à frente porque era “coisa rápida”.
Quando Sílvio lhe fez o pedido, Waldemar desancou-o publicamente, questionando se ele não tinha coisa mais importante para pedir.
E daí para frente. Sílvio conta que ao olhar para a mesa, depois de bronca que recebeu, os pacotes de processos dos vereadores haviam sido reduzidos a mais da metade…