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Mogi discute alternativas de transportes para atender César de Souza

A definição sobre qual será o meio de transportes a ser  ser implementado na cidade para atender César de Souza só acontecerá após a conclusão de um estudo de demanda realizado pelo Estado, que deverá mostrar se o melhor para os moradores é o VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos), o Bus Rapid Transit, o ônibus […]

15 de julho de 2023

Reportagem de: O Diário

A definição sobre qual será o meio de transportes a ser  ser implementado na cidade para atender César de Souza só acontecerá após a conclusão de um estudo de demanda realizado pelo Estado, que deverá mostrar se o melhor para os moradores é o VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos), o Bus Rapid Transit, o ônibus de tráfego rápido (BRT), ou a extensão do trajeto da Linha 11 – Coral da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), entre a estação dos Estudantes e o distrito. A previsão é de que isso seja decidido no próximo ano. 

A informação é do secretário municipal de Mobilidade da Prefeitura de Mogi, Caio Luz, que acompanhou o prefeito Caio Cunha (PODE), no mês passado, a uma reunião na Secretaria de Transportes Metropolitanos para falar sobre a atualização dos estudos de demanda e das alternativas de outros modais para atender César sem ter que usar a linha da CPTM, já que, segundo ele, essa pode ser uma das opções mais caras para ser viabilizada. 

A escolha do novo modal de transporte é decisão importante no planejamento da infraestrutura urbana de um município com o porte de Mogi das Cruzes, porque impacta no seu desenvolvimento. Nos últimos décadas, César de Souza vem recebendo muitos empreendimentos residenciais, com vários projetos em expansão e a Prefeitura precisa investir em mobilidade para viabilizar o crescimento daquela região, que enfrenta problemas com trânsito.  

“Nesse momento estamos avaliando as possibilidades sobre VLT ou BRT, porque o prefeito Caio Cunha acredita que uma tecnologia diferente pode ser a saída para César de Souza, e vem dando todo o apoio para realização de estudos nesse sentido. Ele  tem dialogado com a Secretaria de Transportes, para que, a partir desse resultado, junto com a sociedade mogiana, a gente possa tomar uma decisão sobre para que lado a gente vai”, explica Caio Luz. 

Especialista em Planejamento e Transportes, o secretário iniciou sua trajetória profissional na CPTM e trabalhou para implantação de linhas férreas da companhia, como a Grajaú-Varginha. Ele conta que participou da realização do primeiro estudo feito pelo Estado,  período em que a companhia avaliava a possibilidade de estender a linha até César, por pressão dos moradores do local, uma campanha iniciada nos anos 1990, com aval de O Diário.

Segundo o secretário, os estudos realizados à época demostraram que demanda era insuficiente para ter um trem de alta capacidade chegando até lá. 

O novo estudo sobre a viabilidade técnica e financeira para avaliar essa situação foi anunciado pela CPTM,  em março, lembrando que a reforma das estações e a extensão da linha foram algumas das principais promessas do governador Tarcísio de Freitas (REP), em visitas feitas à cidade durante a campanha. 

Na visão de Caio Luz, no entanto, não é certo escolher o tipo de modal para atender uma região antes de avaliar a demanda e o perfil dos usuários.  “O que acho que começa errado e termina errado é quando se começa ao contrário, definindo primeiro o modal, sem antes entender qual a necessidade dos moradores”.

“A discussão de uma tecnologia de transporte que seja melhor para o local, que pode ser trem, um metrô, um VRT, um BRT, um avião, um barco, enfim, seja ela qual for, essa é a última coisa a ser feita, porque antes é preciso entender o perfil dos usuários e quantas pessoas vão usar o transporte para, depois disso, definir a tecnologia que vai ser implantada para um serviço. Pode-se chegar à conclusão que não se precisa de um trem com oito carros e gigantes para aquela região e que talvez um monotrilho dê conta de atender ao número de pessoas que deverão usar o transporte”, argumenta ele. 

Custos

Além da questão da viabilidade técnica, outro ponto prioritário a ser avaliado é a fonte de recursos. Para extensão da linha férrea, o secretário diz que é necessário construir novos trilhos, porque, atualmente, o trecho é explorada pela MRS. Por outro lado, para implementar o VLT ou o BRT também seriam necessárias intervenções no trânsito daquela região. 

Assim que estiver definida qual a melhor tecnologia, o secretário explica que começará a ser avaliado o quanto vai custar e tamém quanto recursos públicos serão necessários para a operacionalização do sistema.

 O VLT ou BRT, ambos veículos de transporte de massa, segundo Luz, poderiam reduzir os custos alegados pela empresa para realizar a proposta inicialmente defendida pela cidade. Caso seja comprovado que tem demanda suficiente para estender um trem de alta capacidade até lá, seria necessário conversar também com governo federal porque é ele quem detém a propriedade da via adiante da Estação Estudantes, explorada pela MRS. 

“É preciso avaliar se realmente é necessário construir novas linhas de trem, colocar oito carros, construir nova estação, ter que negociar com o governo federal que concedeu o uso para transporte de carga da MRS, adquirir novos composições”, acrescenta. De qualquer forma, essa discussão não vai se dar agora porque esses projetos serão definidos no próximo ano, como ressalta o secretário. 

Estado

A CPTM informa que vai retomar os estudos para verificação da viabilidade técnica e econômica da extensão da Linha 11-Coral até o distrito de César de Souza e implantação da nova estação. “Cabe ressaltar que a área para a implantação do novo trecho de via permanente e da nova estação não pertencem à CPTM, mas ao Governo Federal. Além disso, a Prefeitura estuda alternativas de atendimento à população da região, a exemplo do BRT”, diz em nota enviada a este jornal.

 

Em defesa do subúrbio até César

Assim que tomou conhecimento da proposta do prefeito Caio Cunha sobre a opção pelo VLT ou BRT para César de Souza, o ferroviário e presidente da Associação dos Moradores do Jardim São Pedro e Região, Adalberto Santana de Andrade, reagiu e começou a buscar ajuda de vereadores e deputados em defesa da extensão da Linha 11 – Coral da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), entre a Estação dos Estudantes e César de Souza.
A primeira reação do líder foi procurar a Câmara Municipal e protocolar um pedido ao presidente da Casa, Marcos Furlan (PODE) e ao vereador Iduigues Martins (PT), pedindo que eles realizem uma audiência pública a fim de discutir o assunto com outras lideranças e moradores do distrito para saber a opinião deles a respeito.

Andrade também é ferroviário e disse que além dos vereadores de Mogi, já está em contato com deputados estaduais da comissão de Transportes da Assembleia Legislativo do Estado para pedir apoio ao projeto .

Ele afirma que “não tem a menor dúvida” de que o melhor para atender à população do local e até para a economia no setor de transportes da cidade seria o trem, que segundo ele, teria um custo bem menor do que instalar outros modais. 

Adalberto explica que também vem conversando com a CPTM e acompanhando os estudos. Ele sempre defendeu a medida. No pedido protocolado na Câmara, ele anexou todas as reportagens que foram publicadas por O Diário e outros jornais da cidade.

Na opinião dele, o governo tem recursos para isso,  tanto que o governador Tarcísio de Freitas (REP), já está contratando um financiamento nessa área,  destinado a implantar o Trem Intercidades entre a Capital e a cidade de Campinas.

Ele alega que “o valor a ser aplicado no Trem Intercidades é bem maior do que o que se vai gastar para estender a linha até de César de Souza”. 

Sobre o pedido feito à Câmara, Marcos Furlan  disse que apóia a proposta, assim como o vereador Iduigues Martins (PT). O pertista disse que estuda a possibilidade de pedir a audiência, mas ele acredita que essa história de VLT e BRT “é apenas uma estratégia do prefeito para tentar mostrar que ele está interessado em resolver o problema”. Ele não acredita que a ideia possa prosperar. 

 

O que é VLT e BRT

O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) é uma composição ferroviária que se utiliza de trilhos de superfície e precisa de energia elétrica. É um sistema que atende a oferta de transporte existente entre o ônibus e o metrô subterrâneo. 

O BRT, sigla em inglês que significa ônibus de transporte rápido, é um coletivo que trafega em pistas planejadas somente para eles.

O Bus Rapid Transit, ou ônibus de tráfego rápido (BRT) é para transporte urbano com ônibus. Para que possam trafegar com maior rapidez, precisam de infraestrutura, nos veículos e nas medidas operacionais para que resultem em qualidade de serviço mais atrativa. Pode ser compreendido como um ônibus de grande capacidade que opera em faixas exclusivas para ele.

Em um projeto de implantação de qualquer um dos modais analisados, é preciso levar em conta os aspectos relacionados com o uso do solo e planejamento. 

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