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Mogi é dúvida no trajeto do Trem Intercidades entre Capital e S. José

O governo estadual paulista já começa a projetar a construção de um novo eixo ferroviário entre São Paulo e São José dos Campos, no Vale do Paraíba, que será coberto pelo Trem Intercidades (TIC), um projeto que exigirá uma dedicação plena dos técnicos, já que o trecho não possui estudos previamente realizados, como foi o […]

19 de julho de 2023

Reportagem de: O Diário

O governo estadual paulista já começa a projetar a construção de um novo eixo ferroviário entre São Paulo e São José dos Campos, no Vale do Paraíba, que será coberto pelo Trem Intercidades (TIC), um projeto que exigirá uma dedicação plena dos técnicos, já que o trecho não possui estudos previamente realizados, como foi o caso da linha São Paulo-Campinas.

Sínteses prévias do Plano Integrado de Transportes Urbanos (PITU 2040), divulgadas esta semana pelo site MetrôCPTM, indicam que um dos pontos dúbios do futuro projeto é a passagem do trem por Mogi das Cruzes, o que poderia criar uma nova opção de transporte na direção do Vale do Paraíba, mesmo que o ponto final da linha seja São José dos Campos, cidade relativamente próxima do município mogiano.

O chamado Trem Intercidades (TIC) Eixo Leste ainda dispõe de poucas informações preliminares, mas PITU 2040 joga alguma luz sobre o possível traçado do novo serviço.

A princípio, sabe-se que o trajeto entre a Capital e São José terá 104 km de extensão e, a princípio, irá contar com três estações: Brás, Engenheiro Goulart e São José dos Campos.

A demanda estimada para o novo serviço, segundo o MetrôCPTM será de 45 mil passageiros a cada dia operando de forma isolada e de até 165 mil passageiros-dia, se operar em conjunto com outros TICs, que farão os percursos para Campinas, Sorocaba e Santos.

A princípio, prevê-se que o serviço irá usar a faixa de domínio da CPTM na área da Linha 12 – Safira, até a estação Engenheiro Manoel Feio.

A partir dali, o TIC passaria a usar o rama do Parateí, que é operado pela MRS, atual ligação ferroviária entre São Paulo e Rio de Janeiro.

O futuro trajeto deverá ser coberto em 53 minutos, a uma velocidade média de 160 km por hora. Nos horários de pico, os intervalos entre os trens deverão ser de 15 minutos.

Trens com dois andares, com capacidade para 1.200 passageiros por composição, preferencialmente movidos a eletricidade, devem integrar o projeto.

A princípio, o preço previsto para a tarifa será de R$ 33, em valores de 2021, levando em conta umcusto de R$ 0,32 por quilômetro rodado.

O investimento previsto para infraestrutura é de R$ 6,195 bilhões. Já a aquisição de novos trens está estimada em R$ 1,943 bilhão. Total do investimento: R$ 8,1 bilhões.

Uma das vantagens do uso do ramal do Parateí, passando pela região do Taboão, é o fato de o traçado  ter muitas retas, facilitando o desenvolvimento de altas velocidades pelas composições.

Mas as alternativas de traçado ainda não estão definidas, como informa o MetrôCPTM, com base em dados do PITU 2024.

Nos planos, há a opção de extensão até a estação da Luz, o que aumentaria a distância em mais dois quilômetros, para 106 km, mas atenderia também uma região com maior número de conexões.

Há um complicador na chegada à estação da Luz, saturada com a oferta de trens metropolitanos, o que deverá crescer ainda mais com a instalação de um novo sistema de sinalização previsto para a Linha 11 – Coral, que serve Mogi das Cruzes.

A outra alternativa –que interessa diretamente aos mogianos – seria o atendimento a Mogi das Cruzes, utilizando a antiga linha férrea que passa por Guararema  e leva até São José, passando também por Jacareí.

Os planos iniciais apontam entraves nesse trajeto, como a necessidade de reativação da antiga linha tronco, com a desvantagem da maior sinuosidade, se comparada  ao trajeto de Manoel Feio. Há ainda a dificuldade representada pela Serra de Sabaúna, um dos complicadores já enfrentados pelos antigos trens de passagerios.

 Mas se a opção for o ramal do Parateí, Mogi das Cruzes não será atendida pelo TIC.

Mesmo com estudos ainda embrionários, a inclusão de Mogi das Cruzes na rota do futuro trem já deveria despertar o interesse dos representantes da cidade.

Uma pressão na fase de definição do projeto pode ser decisiva para incluir a cidade no roteiro de mais uma opção de transporte na direção do Vale.

Até porque, essa ligação,  fatalmente,  será estendida em direção a cidades próximas, especialmente Aparecida, onde os romeiros representariam um potencial de movimentação muito grande para os futuros trens de passageiros.

O alerta está feito. É bom que prefeitos, vereadores e deputados da região do Alto Tietê, e em especial o Condemat, passem a acompanhar mais de perto o projeto do TIC, que é considerado prioritário para o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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