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Mogi é incluída na Rota do Tiro. O que os políticos dizem disso?

A inclusão de Mogi das Cruzes e mais três cidades da região do Alto Tietê no projeto de lei que cria a Rota Turística do Tiro, de autoria dos deputados estaduais bolsonaristas Castello Branco e Gil Diniz, ambos do PL, provoca reações divergentes entre políticos da cidade. A  proposta, que deverá ser analisada pela Alesp, […]

Por O Diário
11/03/2023 17h46, Atualizado há 40 meses

A inclusão de Mogi das Cruzes e mais três cidades da região do Alto Tietê no projeto de lei que cria a Rota Turística do Tiro, de autoria dos deputados estaduais bolsonaristas Castello Branco e Gil Diniz, ambos do PL, provoca reações divergentes entre políticos da cidade. A  proposta, que deverá ser analisada pela Alesp, logo após a volta do recesso, foi inspirada na região do Texas, nos Estados Unidos, onde o “turismo de armas” é muito explorado.

“O objetivo será promover e incentivar os clubes de tiro e atrair colecionadores, atiradores e caçadores, os chamados CACs para esse circuito”, explicam os deputados, que incluíram também Itaquaquecetuba, Guararema e Santa Isabel na Rota do Tiro.

“Apoio ao projeto”

E se depender da opinião do prefeito Caio Cunha (PODE), a inclusão de Mogi na Rota do Tiro será bem-vinda:

“Há um bom tempo Mogi já é destino desde público. O Clube de Tiro do Alto Tietê já é uma referência no Estado pela qualidade e segurança no espaço. Acredito que colocar Mogi das Cruzes nesa Rota impulsionará ainda mais a modalidade e ajudará na redução do preconceito existente a essa atividade”, diz o prefeito.

Cai o vai ainda mais alem ao garantir que “como praticante, já solicitei apoio aos deputados do Podemos na Alesp para este projeto”.

“Sentimento ignorante”

Ao contrário do prefeito, o advogado e ex-vereador Rodrigo Valverde (PT) critica a ideia que, em sua opinião, é “um exemplo do sentimento ignorante que tomou conta do Brasil, impulsionado pelo governo Bolsonaro”.

Segundo Valverde, “sempre nas crises econômicas, a elite financeira estimula campanhas evasivas na sociedade para esconder da revolta da população o real motivo e origem de tal crise (assim foi pós 1929 e pós 2008)” “Assim – diz ele –, sentimentos fascistas e nazistas ascendem ao poder atrás de discursos genéricos como religião, patriotismo, valores morais, armas, família, etc.”

Apontando tais fatos como “sentimentos estéreis, mas que ganham corações em mentes”, ele diz que tal fenômeno ganhou identidade no Brasil na pessoa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para o petista, “esse projeto dos deputados paulistas do PL é um exemplo claro desse sentimento ignorante que tomou conta do Brasil e foi derrotado por muito pouco na última eleição, mas ainda se mantém forte, cabendo à sociedade racionalizada, que não foi contaminada por esse sentimento ignorante, combater esse tipo de política que nada acrescenta para a melhora da vida da população e apenas aflora o ódio e uma cultura assassina que, por consequência, provoca milhares de mortes fúteis pelo país”.

Valverde, por fim, defende “políticas públicas que enfraqueçam essa cultura ao invés de fortalecer, entre elas, impedir que tal projeto prospere… Na condição de um cidadão de Mogi das Cruzes, advogado e liderança política na cidade, vou trabalhar contra tal projeto fascista em nossa região”, garante.

“Impulso à economia”

Outro que é favorável à colocação de Mogi na Rota do Tiro é o presidente da Câmara, vereador Marcos Furlan (PODE):

“Este projeto tem como foco o fomento da economia das regiões que passarão a integrar a Rota Turística do Tiro, impulsionando segmentos como a hotelaria, gastronomia, turismo e o comércio em geral. Isso é geração de renda e emprego para a cidade. Importante deixar claro que estamos falando do tiro desportivo, um esporte de rendimento, legalizado, regulamentado, ou seja, com normas estabelecidas”.

Furlan lembra ainda que “temos aqui, em nossa cidade, muitas pessoas adeptas desta prática, que frequentam os clubes de tiro. Neste sentido, a proposta vem somar à economia na região e valorizar uma modalidade esportiva”.

Os deputados do PL, Castello Branco e Gil Diniz, autores do projeto, alegam em sua defesa que “para esse público pujante de aprecia dores de armas, o mercado tem oferecido cada vez mais serviços, como clubes de tiro de luxo, com funcionamento 24 horas, treinamento exclusivo para mulheres e até hotel rural com espaços para a prática de ‘tiroterapia’ em famílias.”

“Abominável ideia”

A vereadora do PSOL, Inês Paz, também se diz “radicalmente contra” à “abominável ideia dos deputados do PL”. E ela explica: “Fantasiado de ‘tiro desportivo’, o projeto visa a ampliação armamentista defendida pelo ex-presidente, Jair Bolsonaro”.

Segundo ela, “o próprio exército já admitiu que não sabe ao certo quantas armas existem em cada cidade sob controle dos CACs. Dados governamentais apontam que durante os quatro anos do governo Bolsonaro, foram concedidos 691 registros de novas armas por dia. Foram ao todo 904.858 dispositivos letais circulando em nossa nação. Até o momento, também não é possível mensurar  a quantidade desses armamentos que acabaramm nas mãos de bandidos e milícias organizadas.

Entretanto, no estado de São Paulo, aproximadamente 24 mil ocorrências policiais entre 2011 e 2020 envolviam modelos de armas utilizadas pelos CACs. Isso significa que não há fiscalização efetiva nos clubes de tiros”.

A vereadora diz ter certeza que “o cidadão e a cidadã de Mogi das Cruzes possuem outras prioridades para a cidade, como cultura, saúde e educação. A cidade necessita de um maior investimento turístico, mas no turismo verde, no rural, ao ecoturismo, cultural; investir em áreas como Sabaúna, Taiaçupeba, enfim,  ações que promovem a vida”.

Inês ainda promete que se o projeto virar lei, “o PSOL entrará com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), mas acredito que a Assembléia Legislativa terá bom senso e reprovará esta proposta”.

“Desconheço”

Já o deputado estadual mogiano, Marcos Damásio (PL) é lacônico em relação ao tema:

“Não conheço os detalhes do projeto, mas se for para beneficiar a região, vamos apoiar”, disse ele, por meio de sua assessoria.

“Rigores da lei”

Para a vereadora Maria Luiza Fernandes (SDD), “a proposta inclui municípios que têm clubes de tiro, sendo Mogi um dos que atendem, que já conta com uma ampla participação de frequentadores”.

Segundo ela, “a prática do tiro esportivo, desde que devidamente instruída, dentro dos limites legais, é um direito  constitucional e, acredito que a rota não irá influenciar na quantidade de armas, vez que a regulação é federal e a ideia é promover o turismo. De qualquer forma, é importante lembrar que a circulação com armamento, mesmo para a prática esportiva, deve seguir os rigores da lei e deve ter atenção de toda a sociedade”.

“Audiência pública”

Já o vereador Otto Flôres de Rezende (PSD), diz que “qualquer iniciativa de trazer algo para Mogi que movimente o comércio e fomente a economia, é muito bom. Só não concordo com a forma como isso está sendo imposto, de cima para baixo, sem qualquer questionamento prévio à cidade”.

Por isso, o vereador sugere que os deputados do PL, autores do projeto, sejam convidados a participar de uma audiência pública na Câmara de Mogi para, nas presenças do público, dos secretários de Turismo e Desenvolvimento Econômico, eles exponham as justificativas para tal proposta. “A princípio, parece ser coisa boa”, diz Otto, que chama a atenção para uma questão: “Mogi não é terra de ninguém!”- ressalta ele.

Os incluídos

Trinta e três municípios deverão compor a futura Rota do Tiro. São eles: Americana, Atibaia, Avaré, Barra Bonita, Bauru, Botucatu, Caçapava, Campinas, Casa Branca, Embu-Guaçu, Guararema, Itapevi, Itaquaquecetuba, Jagariúna, Jaú, Lorena, Mococa, Mogi das Cruzes, Praia Grande, Ribeirão Preto, Rio Claro, Saltinho, Santos, Santa Isabel, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Carlos, São José dos Campos, São José do Rio Preto, Sorocaba e Votuporanga.

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