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Mogi é reconhecida pelo apoio no transporte de dekasseguis do Japão para o Brasil

Há mais de 16 anos o médico pneumologista Olavo Ribeiro Nogueira viaja ao Japão para ajudar a transportar os brasileiros – decasséguis –  que estão com problemas de saúde e querem retornar ao Brasil para fazer tratamento. Muitos deles, em estado terminal, voltam só para estar perto da família na fase final da vida. Este […]

Por O Diário
25/12/2021 08h47, Atualizado há 56 meses

Há mais de 16 anos o médico pneumologista Olavo Ribeiro Nogueira viaja ao Japão para ajudar a transportar os brasileiros – decasséguis –  que estão com problemas de saúde e querem retornar ao Brasil para fazer tratamento. Muitos deles, em estado terminal, voltam só para estar perto da família na fase final da vida.

Este trabalho do médico é feito duas vezes por anos e em cada viagem são transportados de quatro a cinco pacientes. O trabalho exige cuidados especiais e conhecimentos técnicos, porque além das questões burocráticas, é preciso ter também um curso de medicina espacial, conhecer o idioma para poder se comunicar com os médicos japoneses, avaliar custo benefício em cada uma das situações, além cumprir os protocolos estabelecidos pelas empresas aéreas.

Todo processo é organizado pela entidade não governamental chamada Serviço e Assistência aos Brasileiros no Japão (SABJA), dirigida por Shinji Mogi, que está em visita ao Brasil, e veio até Mogi das Cruzes para agradecer a ajuda financeira que a instituição recebe de quatro parceiros da cidade para realizar o trabalho: o grupo Shibata, a família Hori, a empresa NGK e o médico Nobolu Mori.

Os encontros aconteceram na segunda-feira. No período da manhã, Shinji fez uma visita à família Hori, no Paradise Golf Hotel, na companhia do médico Olavo Ribeiro e de sua assistente Keiko Nomura, que também estiveram presentes na reunião que aconteceu a tarde com os representantes do grupo Shibata, na Vila Industrial. Não foi possível o encontro com os outros dois parceiros, empresa NGK e o médico Nobolu Mori.

Durante o encontro com representantes do grupo Shibata – Antônio, Fernando e Marisa Shibata -, o diretor da Sabja destacou a “a importância dessa ajuda humanitária” e da contribuição financeira de todos os envolvidos da cidade para fazer o trabalho de resgate desses brasileiros que estão em situação de vulnerabilidade. Cerca de 50% deles, em estado gravíssimo de saúde, querem voltar para casa para morrer ao lado da família

Segundo Shinji, “esse trabalho não seria possível” também sem o envolvimento de Olavo Ribeiro, e junção de todos os apoios, inclusive da auxiliar do médico, Keiko Nomura, que também contribui com essas pessoas que não têm possibilidades de arcar com os custos do atendimento no Japão, que não faz tratamento gratuito.

“O Brasil tem que reconhecer que o SUS é um sistema muito bom. Não existe lugar no mundo em que o governo paga 100% do tratamento e ainda dá remédio No Japão, mesmo sendo um país desenvolvido, o atendimento não é gratuito. O governo paga 70%, mas 30% fica por conta da pessoa”, comenta Mogi.

O médico também explicou que sem o apoio e sem a ajuda financeira oferecida pela ONG seria impossível fazer o trabalho, até porque a entidade não cuida somente da saúde dessas pessoas doentes, mas também fornece cestas básicas para quem está em má situação, atua na área de educação das crianças dos deskasseguis que estão lá e presta assistência às famílias.

Ribeiro observa também que o maior volume de demanda vem da região de Nagoya, onde é maior a concentração de brasileiros em situação de vulnerabilidade, com comprometimento grave da saúde

Atualmente a população brasileira do Japão é estimada em cerca de 220 mil no Japão. Até 2008, o número de decasséguis estava em torno de 330 mil. De acordo com o médico, a demanda era bem menor quando ele começou a realizar o trabalho, em 2004, porque a população era bem mais jovem, entre os 20 e 40 anos. “Mas agora muitos deles envelheceram e já passaram dos 65, com riscos maior das doenças da terceira idade”, comenta Ribeiro, que nesses 16 anos, ele fez 22 viagens ao Japão, e conseguiu fazer a repatriação de 33 pacientes.

Parceria

A parceria com o grupo Shibata deve continuar nos próximos anos, como assegurou os representantes da empresa que estavam presentes: Antônio Shibata (conselheiro e um dos fundadores do grupo); Fernando Shibata, diretor de operações; e Marisa Shibata, diretora administrativa.

“A gente sempre busca ajudar a comunidade. Como o dr Olavo é uma referência para todos nós, e diante da seriedade desse trabalho, não tem como não ajudar. Nosso objetivo é ser referência do bem, e participar dessa corrente para estimular outras pessoas a ajudarem também. Além disso, o Japão faz parte da nossa cultura. Lá estão os nossos antepassados e é importante contribuir com essas pessoas, e com suas famílias. Por tudo isso, esse importante trabalho bonito e a parceria vai continuar”, disse ela.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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