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Moradores de bairros às margens da Mogi-Dutra apontam prejuízos do pedágio

Os moradores de bairros às margens da rodovia Mogi-Dutra e pessoas que utilizam a estrada diariamente para deslocamento ao trabalho, estudos e outros compromissos temem a possibilidade de implantação do sistema de cobrança a motoristas que circulam pela via.  A proposta faz parte do estudo que foi retomado no início da gestão do governador Tarcísio […]

28 de maio de 2023

Reportagem de: O Diário

Os moradores de bairros às margens da rodovia Mogi-Dutra e pessoas que utilizam a estrada diariamente para deslocamento ao trabalho, estudos e outros compromissos temem a possibilidade de implantação do sistema de cobrança a motoristas que circulam pela via. 

A proposta faz parte do estudo que foi retomado no início da gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicamos), após ter sido ‘sepultado’ em 22 de dezembro de 2021, no governo Rodrigo Garcia (PSDB), depois de forte pressão popular, política e de lideranças de diversos setores econômicos de Mogi das Cruzes e região.

E quando pensava-se que o assunto estava definitivamente arquivado, a proposta de cobrança de tarifa para o tráfego na rodovia surge novamente, agora em outro formato, no sistema free flow, no qual o motorista pagaria de acordo com a distância percorrida.

O próprio governador Tarcísio, que durante a campanha eleitoral disse em entrevistas a O Diário e à TV Diário que era contra o pedágio na Mogi-Dutra, anunciou que pretende implantar o sistema free flow em todas as estradas concessionadas. A Mogi-Dutra, assim como a Mogi-Bertioga, está enquadrada no pacote de rodovias estaduais que passarão por processo de concessão no âmbito do Programa de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo (PPI-SP).

A notícia pegou a todos de surpresa, principalmente os moradores das proximidades da via, que precisam necessariamente percorrê-la para chegar a vários destinos diariamente. 

Segundo a presidente da Associação Beneficente Novo Horizonte, Sirlene Furlã, os custos serão elevados para os moradores do bairro e de outros pontos da região conhecida como Divisa. “Teremos um prejuízo grande porque a maioria das pessoas trabalha e estuda no centro de Mogi. Com isso, pagaremos todas as vezes que tivermos que ir para lá trabalhar, estudar, passar pelo médico, fazer compras no comércio ou cumprir outros compromissos”, enfatiza. 

Ela diz que os moradores da Divisa estão indignados com a possibilidade de serem cobrados para fazer o trajeto diário. “Moramos aqui e precisamos sempre ir ao centro. Imagina, nós, mogianos, tendo que pagar pedágio para utilizar a rodovia”, completa.

Moradora do Jardim Aracy há mais de 30 anos, a comerciante Maria José Nicola de Camargo também aponta os impactos negativos da cobrança “Tem muita gente daqui que trabalha fora. Além disso, vai a mercados, médicos, bancos, que ficam no centro. Então, toda vez que pegar o carro vai ter que pagar para andar pela rodovia. A gente trabalha duro para comprar um carro e ter o benefício da melhoria no transporte, mas aí tem que pagar para entrar e sair do bairro. Isso é um absurdo”, aponta ela, que é comerciante há 15 anos no local.

Maria José diz que, se a ideia do pedágio avançar, ela pretende mobilizar os moradores para participarem de protestos, a exemplo do que já fez no passado, para reivindicar melhorias como a instalação de semáforo em um dos acessos ao bairro. “Também brigamos muito na época que queriam isolar o bairro e teríamos que fazer o retorno no Aruã. Então, aquele retorno em frente à Horizonte Veículos saiu após a luta dos moradores para ter aquele acesso. Nós sofremos aqui tudo o que pensam em fazer na Mogi-Dutra. E se for preciso, faremos passeata para fechar a rodovia e dizer não ao pedágio”, avisa.

Condomínios reúnem 10 mil

Cerca de 10 mil pessoas moram nos condomínios Aruã, Ecopark/Lagos e Brisas e têm a rodovia Mogi-Dutra como principal via de locomoção diariamente. Por isso, segundo o administrador do Aruã, Claudio Pudo, o prejuízo será grande às famílias se a proposta de cobrança for adiante. “Muitos de nós temos filhos que estudam em Mogi e trabalhamos em Mogi. Então, ter que pagar pedágio para subir e descer a serra todos os dias terá um impacto financeiro enorme”, avalia.

Pudo também enfatiza que, mesmo que houver um sistema de isenção ou desconto para moradores dos arredores da via, o que ele considera difícil acontecer, o pedágio trará prejuízos à cidade.

“Tenho clientes que moram na cidade e trabalham aqui na Serra do Itapeti. Há pessoas que vêm visitar nossa cidade e shopping e deixarão de vir para cá devido ao pedágio”, considera o administrador do Aruã.

Também moradora em um dos condomínios, a professora Maria Aparecida Soares diz que não considera justa a cobrança. “Esta é uma rodovia com pequena extensão e, pelo o que eu sei, foi construída pela Prefeitura de Mogi, com o dinheiro dos próprios mogianos. Agora, não é certo que nós tenhamos que pagar para passar por ela para resolver as coisas do dia a dia. É um trajeto tão comum para quem mora aqui que nem percebemos que é uma estrada. A Mogi-Dutra é nosso caminho de ida e volta para casa. Várias pessoas, que levam os filhos a escolas do centro, voltam para casa, porque não dá para ficar esperando tantas horas, e depois vão novamente buscá-los, retornando em seguida. São quatro viagens todos os dias. Ter que pagar por cada uma delas é o fim do mundo”, aponta.

A professora lembra, ainda, que a rodovia já é duplicada, então, não tem justificativa para o Governo do Estado cobrar pedágio dos motoristas. “Não tem o que fazer de obra, porque já está tudo pronto e bem cuidado”, avalia. (C.O.)

 

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