Na TV Alesp, críticas ao pedágio de Doria
“A Artesp é uma autarquia estadual no mínimo suspeita. Já foi alvo de inúmeras CPIs aqui na Assembleia, onde querem abrir outras,. pois sempre pairaram sérias dúvidas quanto à sua gestão e regularidade de suas operações. Por isso, é lícito que eu, como deputado estadual diga que precisamos fiscalizar melhor a Artesp, por desmansdos como […]
15/10/2021 19h10, Atualizado há 58 meses
“A Artesp é uma autarquia estadual no mínimo suspeita. Já foi alvo de inúmeras CPIs aqui na Assembleia, onde querem abrir outras,. pois sempre pairaram sérias dúvidas quanto à sua gestão e regularidade de suas operações. Por isso, é lícito que eu, como deputado estadual diga que precisamos fiscalizar melhor a Artesp, por desmansdos como essa coisa sem pé e nem cabeça que é o pedágio de Mogi”.
Estas afirmações foram feitas pelo deputado estadual Castello Branco (PSL), ao participar do programa “Conexão Legislativa”, da TV Alesp, que ainda pode ser acessado no canal da emissora no Youtube. Do programa participaram ainda o presidente do Sincomércio de Mogi, Valterli Martinez, e Paulo Cardozo de Mello Boccuzzi, do Movimento Pedágio Não, cada qual apresentando as razões pelas quais o governo estadual não deve levar adiante a proposta de instalar um pedágio na altura do Km 40 da Mogi-Dutra.
O deputado Castello Branco é autor de projeto que visa impedir que o governo do Estado instale pedágios que venham seccionar territórios municipais, dividindo cidades ao meio, como é o caso de Mogi. Disposto a participar da criação de uma Frente Parlamentar contra os pedágios abusivos do governo, Castello diz que deseja acabar com essa “série de absurdos no Estado, hoje transformado em um cenário dantesco, numa coisa horrorosa por conta de tantos pedágios.” Para ir de São Paulo a Rio Preto, diz o deputado, gasta-se pelo menos R$ 300 só com pagamento dos pedágios.
O programa foi uma oportunidade bem aproveitada pelos dois convidados, Martinez e Boccuzzi, para expor os malefícios que o pedágio poderá trazer à cidade, municiando o deputado com informações importantes que poderão ser usadas por ele, que já se diz engajado na luta contra a praça decobrança na Mogi-Dutra e até mesmo contra o projeto da Artesp e do governo.
Os representantes da cidade mostraram, com detalhes, os impactos negativos que o pedágio trará, certamente, a Mogi e região, especialmente na área econômica e social. Tudo isso levou o deputado a concluir que o pedágio seria, na verdade, “um estelionato”, já que o governo está cobrando por “alguma coisa que não irá entregar”. Ao citar três perguntas que eram feitas no Senado de Roma diante de questões duvidosas, o deputado disse que o pedágio estaria a serviço de “interesses escusos e inconfessáveis que não estão nesta conversa, mas que precisamos descobrir de onde vêm tais interesses (aliás, até já sabemos), disse, sem avançar, além disso. Já no final do programa, o deputado voltou a dizer que sempre há deputados reclamando contra pedágios no interior, enquanto se alega falta de verbas para obras viárias mais simples.
“O cara só quer mexer onde dá dinheiro, mas ajudar a população de verdade, a gente não vê isso”, afirmou Castello Branco.
Balcão de negócios
Paulo Boccuzzi, do Movimento Pedágio Não, disse, logo em seguida à afirmação de Castello Branco: “As cidades não estão à venda e o governo não pode ser um balcão de negócios; tem de ter visão para a população . Então, no momento em que se coloca um pedágio e obriga as pessoas a gastarem dinheiro para circular na rotina delas, aí acabou qualquer limite de razoabilidade. Nós precisamos realmente que a Alesp, como um todo, se posicione sobre esse avanço do governo, no caso de Mogi das Cruzes, e em relação à colocação de novos pedágios em todo o Estado de São Paulo. Isso precisa ser analisado com muito mais critério. Esse é o ponto que deve ser melhor avaliado”.
Inibidor de empresas
Valterli Martinez, presidente do Sincomércio de Mogi, também apontou pontos negativos do pedágio e lembrou que “tanto a Mogi-Dutra quanto a MogiBertioga foram estradas construídas com o suor dos mogianos, pelo próprio município, não sendo justo que a cidade venha agora a sofrer com os impactos da cobrança do pedágio, os quais terão reflexos tanto com comércio e na indústria, quanto, principalmente, no agronegócio, o que acabará redundando em aumentos de preços nos produtos da região que serão consumidos na Capital e no resto do Estado. Sem contar que Mogi arcará com um inevitável atraso, já que o pedágio irá inibir a vinda de novas empresas para a cidade.”