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Numa eleição, o segredo pode acabar sendo a alma da campanha

O mandato do prefeito de Biritiba Mirim, Joaquim Benedito Ribeiro, o Joaquim Padeiro,iria terminar em dezembro de 1972, ano em que aconteceriam as eleições municipais, em novembro. Realizadas as convenções dos partidos Arena 1 e Arena 2 (ambos governistas), os candidatos escolhidos para disputar a Prefeitura  foram José Oliva de Melo Júnior, o Zezé, contra […]

Por O Diário
03/04/2022 08h08, Atualizado há 53 meses

O mandato do prefeito de Biritiba Mirim, Joaquim Benedito Ribeiro, o Joaquim Padeiro,iria terminar em dezembro de 1972, ano em que aconteceriam as eleições municipais, em novembro. Realizadas as convenções dos partidos Arena 1 e Arena 2 (ambos governistas), os candidatos escolhidos para disputar a Prefeitura  foram José Oliva de Melo Júnior, o Zezé, contra Lucídio  Leme da Cunha, o Lucidinho, figuras mais que conhecidas da cidade.

Zezé, político hábil e muito esperto, que já havia sido prefeito, lançou como vice o engenheiro do DAEE, Benedito Rafael da Silva, pessoa muito estimada entre os trabalhadores da Barragem de Ponte Nova; enquanto Lucídio, após duas disputas anteriores sem obter sucesso, decidiu optar por um vereador de tradicional família da cidade, Elias Tomé da Silva Pires.

A campanha começou em grande estilo, com a inauguração, em pleno centro, de um comitê da dupla Zezé e Rafael, onde se reuniam correligionários, candidatos, autoridades do DAEE, entre outros.
Do outro lado, Lucídio fazia uma campanha modesta até demais, o que favorecia o clima de “já ganhou” em favor dos adversários.

Com farta propaganda,o grupo tentava criar um clima de inevitável massacre para cima dos rivais que conseguiram, no máximo, agrupar jovens estudantes liderados pelo engenheiro Mário Pimentel Marcondes, Mas a situação começava a ser mudada, algo que a equipe de Lucídio tinha conhecimento apenas nos bastidores.

Mas eis que, solicitada uma certidão junto ao Cartório Eleitoral, descobre-se uma verdadeira “bomba”: a transferência do título de eleitor de Rafael para Biritiba não cumprira o prazo legal de 180 dias.  E ele, portanto, era inelegível.

Mas era preciso guardar segredo sobre aquele trunfo para ser usado mais tarde, na reta de chegada da eleição. E como fazer isso, numa campanha onde todos sabem de tudo? A ordem era ficar de bico calado e correr atrás dos votos.

Mas o clima de “já ganhou persistia do outro lado”, onde já se falava em vitória esmagadora, sem  qualquer chance para a turma do Lucídio. A pressão era tanta que, a 40 dias da eleição, um integrante da equipe de Lucídio, farto de ouvir falação favorável à chapa de Zezé, acabou revelando o tal segredo, em pleno comitê do adversário.

Zezé Oliva, rápido e muito esperto, tratou de trocar de vice. E  em plena reta de chegada, substituiu Benedito Rafael por Ronaldo Tuda, ligado à colônia japonesa.

A troca, no entanto, foi mortal para a chapa de Zezé, que não conseguiu impedir a subida e a vitória dos adversários.

Lucídio pôde, enfim, governar Biritiba ao lado de seu vice, Elias da Silva Pires, que foi quem narrou mais esta história para a coluna, garantindo, ao seu final, que “o segredo é sempre a alma do negócio”. Neste caso, da campanha eleitoral também…

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