Ortopedista do Imot alerta sobre a nova epidemia de dor na coluna em jovens
Doutor Rodrigo Nakao destaca que problema é causado por diversos fatores relacionados ao estilo de vida.
19/12/2025 12h41, Atualizado há 24 dias
Número de jovens com problemas na coluna aumentou | FreePik

Recentes reportagens e estudos médicos vêm chamando atenção para um fenômeno crescente: o aumento de dores na coluna — tanto na região lombar quanto na cervical — entre jovens e adultos. O perfil desses pacientes, até pouco tempo atrás associado principalmente a pessoas mais velhas, está mudando. As causas envolvem uma combinação de fatores do estilo de vida moderno, hábitos digitais e sedentarismo.
O que mostram os dados
- Uma pesquisa nacional recente aponta que cerca de 8,7% dos jovens entre 18 e 29 anos já convivem com dores crônicas na coluna.
- Estudo com estudantes mostrou que 18,0% relataram dor lombar e 17,4% dor cervical.
- Cerca de 27 milhões de brasileiros adultos relatam dores na coluna — o que representa 18,5% da população, sendo a lombalgia uma das queixas mais comuns.
- Profissionais de saúde têm observado que casos de dor intensa, rigidez e alterações posturais — antes restritos a pessoas mais velhas — estão se tornando rotina entre adolescentes e jovens adultos.
Esses dados reforçam o que muitos médicos vêm percebendo na prática: a coluna deixou de ser “coisa de gente velha”.
Principais causas para o aumento nos jovens
- Sedentarismo e fraqueza muscular
O estilo de vida moderno leva muitos jovens a passarem horas sentados — seja em casa, no trabalho ou na escola. Esse comportamento reduz a força dos músculos responsáveis por sustentar a coluna.
A ausência de alongamentos e mobilidade também contribui: músculos encurtados (como os posteriores da coxa) alteram a postura e sobrecarregam a lombar.
- Uso excessivo de telas e postura incorreta — o chamado “pescoço de texto”
Com a disseminação de smartphones e computadores, muitos jovens passam horas com a cabeça inclinada para baixo e os ombros arredondados. Essa postura exerce pressão excessiva sobre a coluna cervical e pode provocar dores, rigidez, torcicolos, cefaleias e até sintomas de compressão nervosa — formigamento ou dormência nos braços e mãos.
Profissionais relatam que tal sobrecarga cervical crônica já está se tornando um problema de saúde pública.
- Mau uso de mochilas, peso corporal, colchões e outros fatores de estilo de vida
Entre adolescentes e jovens, o uso de mochilas muito pesadas, carregadas de forma desequilibrada, também é uma vilã — gerando sobrecarga mecânica na coluna.
Colchões inadequados, excesso de peso, falta de alongamento e até estresse emocional completam o leque de fatores que podem agravar dores nas costas precocemente.
Consequências potenciais
- Quando não tratadas, as dores nas costas podem evoluir para quadros mais graves, como:
- Hérnias de disco precoces, especialmente em casos de sobrecarga cervical ou lombar constante.
- Alterações posturais permanentes, com desalinhamentos da coluna, o que pode prejudicar a mobilidade e a qualidade de vida no longo prazo.
- Dor crônica, que limita atividades diárias, estudos, trabalho e lazer — refletindo em absenteísmo e redução da produtividade.
Diagnóstico e investigação
Para identificar a causa da dor na coluna, o ideal é buscar avaliação médica especializada, especialmente se a dor for frequente ou incapacitar atividades.
O diagnóstico costuma envolver história clínica, exame físico e, em alguns casos, exames de imagem.
A partir desse diagnóstico, o profissional poderá indicar o tratamento mais adequado, que varia de acordo com a causa — e pode variar de simples correção postural a reabilitação ou intervenções mais complexas.
Tratamento e prevenção — o que funciona
- Especialistas e fisioterapeutas destacam um conjunto de medidas eficazes para prevenir e tratar dores na coluna:
- Prática regular de exercícios físicos visando fortalecer a musculatura do tronco, lombar e core.
- Alongamentos e mobilidade diária, para evitar rigidez e encurtamentos musculares.
- Correção da postura no dia a dia: ao sentar, ao usar celular/computador, manter o monitor na altura dos olhos, apoiar os pés no chão, evitar inclinar excessivamente a cabeça.
- Evitar mochilas e bolsas pesadas, ou pelo menos restringir seu peso a no máximo ~10% do peso corporal (no caso de jovens).
- Quando houver dor persistente: buscar orientação especializada — fisioterapia, reeducação postural, ergonomia no ambiente de trabalho/estudo.
Reflexões: por que agora?
O aumento dessas queixas entre jovens parece refletir a combinação de transformações sociais recentes: o estilo de vida sedentário, a cultura de telas (smartphones, computadores), longas jornadas sentadas, e menos atividade física. Essas mudanças se somam a uma familiaridade precoce com dispositivos digitais — algo que nem sempre existia nas gerações anteriores.
Além disso, a maior conscientização sobre saúde e a facilidade de acesso à informação e serviços de saúde podem fazer com que mais jovens busquem ajuda — algo que antes poderia ser subdiagnosticado ou ignorado.
Mas, como alertam os especialistas, é perigoso encarar dores nas costas na juventude como “coisa boba” ou comportamento de exagero. Quando negligenciadas, essas dores podem marcar o início de problemas crônicos — e um encadeamento de sofrimentos físicos na fase adulta.
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