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Prefeito Waldemar chama funcionários para brigar dentro do gabinete

Lá pelo final dos anos 70, quando a Prefeitura de Mogi ainda não havia terceirizado muitos dos seus serviços, como a coleta de lixo, por exemplo, o Barracão, como era chamado o Depósito Municipal localizado no bairro do Mogilar, era um verdadeiro formigueiro de pessoas trabalhando em serviços que iam desde mecânica até limpeza de […]

Por O Diário
06/03/2022 08h45, Atualizado há 54 meses

Lá pelo final dos anos 70, quando a Prefeitura de Mogi ainda não havia terceirizado muitos dos seus serviços, como a coleta de lixo, por exemplo, o Barracão, como era chamado o Depósito Municipal localizado no bairro do Mogilar, era um verdadeiro formigueiro de pessoas trabalhando em serviços que iam desde mecânica até limpeza de ruas, entre tantos outros.

No lugar que exigia controle absoluto, o prefeito da época, Waldemar Costa Filho, colocou  alguém de sua total confiança para cuidar dos trabalhos que ali começavam no final da madrugada, por volta das 5 horas. 

Mário Celso Gomes era o responsável pelo Barracão onde, certo dia, logo no início das atividades, dois funcionários se desentenderam e partiram para uma luta corpo a corpo, no meio do amplo pátio interno. A briga, que começou com socos e pontapés, terminou com os dois valentões engalfinhados ao chão, após a entrada em ação da “turma do deixa disso”.

Separados os dois brigões, o trabalho voltou ao normal, mas bastou pouco mais de meia hora para que o telefone sobre a mesa de Mário Celso tocasse.

Ele atendeu e, do outro lado da linha, o prefeito queria saber o que havia acontecido por lá. Seus informantes eram infalíveis. Mário procurou minimizar o fato, dizendo que tinha ocorrido uma briga, mas que tudo está sob controle, com o trabalho prosseguindo normalmente.
“Não, Mário! Traga esses dois aqui, agora. Eu quero ver os dois agora, aqui no gabinete”. Minutos depois Mário Celso e dois brigões chegaram ao gabinete e lá ficaram, diante da porta, por quase duas horas, o que só fez aumentar a preocupação com o poderia vir pela frente. 

Passado esse tempo, Waldemar mandou o trio entrar. E lá estavam, diante dele, os dois briguentos, de cabeças baixas.
Waldemar voltou a indagar de Mário o que havia ocorrido. E ele resumiu a história. Após ouvir tudo, atentamente, o prefeito se manifestou. Olhou para os dois, que mantinham os olhos voltados para o chão, e questionou:

“Vocês são bons de briga? Vocês gostam de brigar? Pois vocês agora vão brigar aqui na minha frente. E quem perder a briga, já estará demitido!”

Sem graça, os dois se mantiveram em silêncio, olhando para o chão, sem mexerem um músculo sequer.

“Vamos, gente! Briguem! Vocês não são bons de briga? Só quero ver quem vai perder, pois esse já estará na rua”- repetiu o prefeito.
Após mais um tempo em silêncio, os dois resolveram falar, alternando frases, como se ensaiado:

“Não, seu Waldemar… Nós não vamos brigar mais… pode ficar tranquilo… isso nunca mais irá acontecer…”

“Pois fiquem sabendo vocês e os outros lá do Barracão. Da próxima vez que brigarem por lá, vou ficar sabendo quem perdeu e vou pôr na rua” – bradou Waldemar, a seu modo.

A história se espalhou rapidamente. E a ameaça de demissão fez a paz voltar a reinar no Barracão. 

Foi o que contou Mário Théo, o filho de Mário Celso, que  ouviu  de seu pai, por inúmeras vezes,  a história relembrada por ele, no decorrer desta semana, para esta coluna. O filho de Mário Celso preferiu não seguir os passos do pai na Prefeitura: hoje é o dono da RTV Filmes, conhecida produtora de vídeo do distrito de César de Souza

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