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Rachas, freadas, barulho e confusão nas noites da avenida Cívica. Moradores chamam a PM

Motores roncando, carros em alta velocidade, rachas e cavalos de pau com pneus cantando em plena rua, som nas alturas e… barulho, muito barulho. O que parece compor o trailer de algum filme da série “Velozes e Furiosos” tem sido, na verdade, um verdadeiro tormento para os moradores do condomínio Spazio Mondrian, que têm sido […]

Por O Diário
12/02/2022 10h11, Atualizado há 54 meses

Motores roncando, carros em alta velocidade, rachas e cavalos de pau com pneus cantando em plena rua, som nas alturas e… barulho, muito barulho. O que parece compor o trailer de algum filme da série “Velozes e Furiosos” tem sido, na verdade, um verdadeiro tormento para os moradores do condomínio Spazio Mondrian, que têm sido obrigados a conviver com esse incômodo fundo musical em suas noites, especialmente as das quintas-feiras, quando a avenida Cívica, bem ao lado do residencial, é tomada por dezenas de motoristas e seus carros turbinados que fazem do local um ponto de encontro para confraternizações e disputas que avançam do final da noite para a madrugada.

O barulho é intenso e repercute, principalmente, nos apartamentos dos andares mais altos, onde as pessoas não conseguem dormir e não têm a quem recorrer para pôr um fim à baderna. 

Na última quinta-feira, por exemplo, a Guarda Municipal foi chamada pelos moradores, incomodados com a barulheira. Mas quando dão conta da aproximação da viatura, os motoristas simplesmente encostam seus veículos, baixam o som, como se nada estivesse acontecendo. Logo que os guardas vão embora, tudo volta ao que era antes, com o barulho ainda mais intenso.

O estresse dos moradores chegou a tal ponto, que levou a síndica do condomínio, Martha Lemos de Lima, a encaminhar um ofício ao comando do 17º Batalhão da Polícia Militar de Mogi das Cruzes expondo a situação e pedindo providências.
No documento, redigido em nome de 256 famílias moradoras do Spazio Mondrian, é relatado que “a vida dos moradores do condomínio tem sido atormentada, principalmente à noite, na maioria das vezes às quintas-feiras, quando tradicionalmente ocorrem reuniões de veículos no local e seus motoristas praticam diversas transgressões e, inclusive, crimes, ao perturbarem o silêncio e ameaçar a integridade de quem esteja ao redor, isso porque são constantes as corridas e manobras perigosas (rachas), bem como o uso de veículos adulterados para emitir mais barulho, assim como o uso de aparelhos sonoros em volume incompatível com o local e horário”

Os moradores reivindicam que a PM envie policiamento para as imediações do condomínio, “sobretudo para inibir abusos e reprimir as constantes ocorrências de ‘rachas’ na avenida Cívica, ao lado do condomínio e do Ginásio de Esportes Hugo Ramos”.

O apelo contido no documento, já se encontra em mãos do comando da 1ª Companhia da PM de Mogi, “representa a insatisfação de 256 famílias residentes no nosso condomínio, que têm convivido com o medo e o transtorno que se instalaram por causa dos motoristas delinquentes e seus veículos”.

A insatisfação é generalizada entre os moradores, como uma funcionária pública,Talitha Barbosa, que afirma entender “essa paixão por carros, por automobilismo e velocidade, porém não podemos ser coniventes com a imprudência e a imperícia dessas pessoas”.

Segundo a moradora, “é até contraditório usar um local que se chama ‘avenida Cívica’ para perturbar a paz e a ordem, colocar vidas em risco, cometer uma série de atos infracionais e crimes de trânsito”. Para ela, “essa tribo precisa encontrar formas responsáveis de se divertir e compartilhar seus hobbies de forma mais saudável e segura”.

Basta conversar com outros moradores do condomínio e proximidades para conhecer outros abusos praticados pela “turma dos rachas”, cujos integrantes começam a chegar no começo da noite, a ponto de terem expulsado um grupo de jovens moradores que aproveitavam a avenida para andar de patins. Jovens e crianças tiveram de deixar o espaço livre para que os visitantes começassem aquecer os motores de seus veículos que dão início às disputas após as 22 horas, desafiando especialmente a Lei do Silêncio e a paciência de todos os moradores das proximidades.

“É um barulho ensurdecedor, que começa pelas 9, 10 horas da noite, e avança até a madrugada. Ninguém tem sossego. Nesta sexta-feira, no grupo de WhatsApp do condomínio, só se falava da barulheira que havia ocorrido na noite anterior e na madrugada”, conta o funcionário público Genesis Cardoso Mendonça, morador do Mondrian, que aprova a ação da síndica de pedir apoio à Polícia Militar para intervir nas noites de quinta-feira e acabar com a “barulheira que não deixa ninguém dormir”, diz.

Áurea Magalhães é outra moradora que se mudou para o Spazio Mondrian há um ano e meio, em plena pandemia, quando problema dos “rachas” não era tão intenso. Mas com o passar do tempo, ela diz que a situação está se tornando “insuportável”, às quintas-feiras.

“Está muito difícil conviver com tudo isso, pois a janela do meu apartamento dá para a avenida Cívica e o barulho é infernal. São vários carros com motores ligados, a gente ouve freadas bruscas e fica numa tensão enorme, imaginando que as pessoas que costumam andar de bicicletas ou de patins na avenida possam ter sido atingidas. A cada freada, o coração vem à boca”, diz Áurea Magalhães, que ressalta um outro aspecto importante da barulheira:

“No outro dia, todos têm de trabalhar e levantar cedo, mas não se vê providências. A viatura da Guarda Municipal aparece, eles ficam em silêncio por algum tempo, mas logo que os guardas vão embora, a barulheira começa novamente”.
O problema vem ocorrendo há algum tempo, como este jornal já denunciou em outras oportunidades, porém nunca houve uma ação mais efetiva das autoridades no sentido de dar um basta aos transtornos causados aos moradores. A síndica Martha Lemos afirma temer que, ao fazer uma dessas manobras radicais e perigosas, algum veículo acabe atingindo o muro do condomínio, podendo causar danos a veículos que lá ficam estacionados e também a alguém que esteja, porventura, passando por ali naquele momento. Ela também relata a tensão que toma conta dos moradores com os veículos em alta velocidade e manobras arriscadas, com freadas bruscas e afins.

Certos da impunidade, os responsáveis pela baderna estão tornando os abusos cada vez mais ousados e incômodos para os condôminos que decidiram se unir e apelar à PM para, quem sabe, terem o sossego garantido, especialmente nas noites de quinta-feira.

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